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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Menta & Pêssego + Vou Casar e Panz: quando trabalho e amor se misturam, você precisa fazer um textão


 

A gente se viu pela primeira vez há quase 3 anos. Ela topou participar de uma decor comigo e, se eu realmente for entrar em detalhes sobre como foi esse dia, vocês vão poder entender o tipo de história de amor que é essa: quando entrou naquela casa em Santa Teresa, todas minhas definições de mulher maravilhosa foram atualizadas. Ela usava um macaquinho leve, sandálias de plataforma, óculos escuros e cabelos soltos - milimetricamente bagunçados. Me apaixonei né?

A Karine da Menta&Pessego que eu acompanhava (feat stalkeava) pela internet e com quem eu só havia conversado uma única, num susto, pelo Skype, era muito mais do que aquela foto - icônica - que tem ela segurando o buquê na frente do rosto poderia dizer. Criativa, gentil, com um raciocínio rápido, sem frescuras, detalhista. Bastaram meia hora de trabalho pra eu descobrir que seria bem difícil viver dali pra frente sem ela por perto. Terminamos aqueles dois dias de montagem insana completamente mortas de cansaço, mas numa mesa dum bar aleatório em Vila Isabel. E eu repetia: eu não acredito que você bebe cerveja! Não acredito que você fala palavrão! Porque eu achava que ela só tomava Freixenet, saca? Ela tem cara de quem só toma Freixenet.
Mas ela era uma diva acessível. Isso eu não esperava.

Trabalhamos juntas em um casamento assinado por nós duas alguns meses depois. Foi uma situação muito absurda porque tínhamos herdado a missão de uma outra profissional que, simplesmente, havia desaparecido. O grau de complexidade do evento era muito maior do que tudo o que já tínhamos feito e o tempo disponível era nada menos do que curto, mas a gente se benzeu e entrou no mar pra cumprir a missão. Com um bebê pequeno e exigente me limitando diversas atividades, ela ficou de capitã do lance e eu de soldado fiel.

Enfrentamos juntas os 3 dias de montagem, ela segurava o tchan quando eu precisava parar pra amamentar ou quando rolavam aqueles abacaxis clássicos pré-casamento. Sobrevivemos. Tudo ficou absurdamente lindo. Fomos pro Rock and Roll Bride, tipo.... lacramos.

De lá pra cá, foram algumas peregrinação no Saara, cafés na Gonçalves Dias, croqui em guardanapo do bar, tiveram mil emails trocados, umas 30 planilhas feitas e refeitas, 10 Power Points monstros, 1 bolo red velvet, 1 tiroteio escondidas embaixo de uma mesa da decoração, cerca de 2 mil Terabytes de conversa no Whatsapp e, é claro, a onipresença da Arajany-Nega Fulô que se desdobra em paciência e atenção para executar todas as nossas loucuras.

Todas as troca de ideias, todas as famosas olhadas nos projetos uma da outra, os pitacos mil, o trabalho braçal e visceral que desenvolvemos uma na montagem da decor da outra... São sempre momentos de aprendizado pra mim. Uma renovação do olhar e da admiração que sinto por essa moça única. Acho que a gente tem levado bem as coisas na gentileza e na generosidade, Ka. Nunca vou conseguir agradecer a luz que seu gênio criativo representa na minha vida.

Talvez eu não precisasse escrever esse texto enorme. Talvez eu devesse só ter anunciado nossa parceria e divulgado pra vocês as vantagens financeiras e criativas da parada, mas não, eu precisava explicar direito a coisa. Não estou deixando de fazer decoração, mas quero diminuir o número de projetos de decor para focar em outros planos de dominação mundial que alimentam minha vida - como o canal do YouTube e os casamentos fora do Rio de Janeiro. 

Pra quem curte o trabalho da Vou Casar e Panz, vou recomendar fortemente que feche a trilogia Cerimonial+Assessoria+Decor comigo e com a Menta&Pessego. Vou aconselhar pra que leve pra casa esse encontro de duas mulheres que se curtem e que curtem realizar coisas juntas. Que curtem belezas colaborativas e olhares convergentes. Duas empresas que têm um olhar e um diálogo super convergente e que com certeza vão fazer seu casamento ter um planejamento e um visual não apenas bonito; mas um visual que faz sentido com vocês, com as crenças e trajetórias de vocês, com o orçamento disponível que vocês têm.

Fechando toda essa maravilhosidade, rola um desconto porque QUEM NÃO AMA DESCONTOS? Você fecha a Assessoria e Cerimonial com a Vou Casar e Panz + você fecha a Decoração com a Menta&Pêssego e ganha 10de desconto em cada um dos contratos. Sério. Mais amor que isso só se passar Nutella!


Escreva pra gente, marca uma reunião que lá estaremos! A gente quer fazer paradas foda pro seu casamento. Pergunte-me como:

voucasarepanz@gmail.com  /// contato@mentaepessego.com

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As 4 fotos de cima mostram o casamento da Rayana e do Guilherme: o primeiro projeto que fizemos juntas. Muita colaboração, divisão de tarefas e dúvidas existenciais rolaram pra gente. O resultado foi um post sensacional no Rock and Roll Bride! (floral: Nega Fulô e fotografia: Flavia Valsani 

 
O melhor casamento mexicano-carnavalesco que vocês respeita! Clara Esperança e Paulo Maurício. A decor foi Vou Casar e Panz e a Karine fez a assistência durante os intensos 2 dias de montagem. Foi aí que tudo começou... (imagem: Studio MegaZap)
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Nas duas fotos de cima: casamento da Marília e do Yasser com Decor Menta & Pêssego + Assessoria e Cerimonial Vou Casar e Panz. O casamento foi eleito o 2º melhor de 2016 pela Lápis de Noiva! (Floral e buquê: Nega Fulô e fotografia: LoveShake)

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Duas cenas do casório da Caru e da Mariana: mesa de bolo e doces brasileiríssima e muita lindeza nos agradecimentos das noivas. A decor e cerimonial foram da Menta & Pêssego e eu fui ajudante na montagem e cerimonial. Fotografia: Diego Galípolo. Floral: Nega Fulô
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Desafio dos desafios foi montar essa decor no play de um condomínio na Tijuca em apenas algumas horas. O resultado ficou muito além do que eu podia pensar! A assessoria parcial + cerimonial + decor foi Vou Casar e Panz e a Karine foi minha assistente no job. Floral da Nega Fulô e fotografia da Carol Guasti Photography.

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Nossa, esse casamento foi incrível demais. Astral fantástico da Day e do Dani!! A decoração boho iluminada foi da Menta & Pêssego, que também assinou a assessoria e cerimonial. Eu fui duende ajudante mais uma vez <3
 buquê Nega Fulô e fotografia Carol Azevedo

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Arranjos plantados na decoração do casamento (elas podem virar lembrancinha também!)

E aí, senhoras? Como vão suas belezas casadoiras?
Eu tava aqui pensando em fazer uma postagem simplezinha na fanpage sobre centros de mesa usando arranjos plantados, mas aí, pesquisando imagens, percebi que o espaço lá seria pequeno pra falar de um assunto tão interessante e que rende um monte de outras questões - esta é minha vida: achar arranjos de plantas interessantes, sorry sociedade.
Já faz um tempo que venho me encantando com flores e plantas, por cultivar coisas aqui em casa. Começou com uma ida aqui e ali no supermercado, comprando uma samambaia, comprando um vaso de kalanchoe, uma suculenta... de repente me vi super afogada em informações sobre as diversas espécies de crisantemos, sobre épocas de cultivo de rosas, transplante de plantas para outros vasos e etceteras mil a respeito disso tudo. Cultivar plantas, sejam elas comestíveis ou não, é terapeutico e gratificante. Tem me dado um outro olhar sobre as árvores de beira de rua e sobre a varanda da minha mãe, que parece um matagal maluco que tenho frequentado hoje com asiduidade: mãe, dá uma muda aí! 
Mas o que tudo isso tem a ver com casamentos? Bem, acho que esse meu fascínio tá nascendo do próprio fato de eu me envolver na escolha das plantas/flores e tipos de arranjos nos casamentos que tenho assessorado. Flores são uma das linhas base da decoração e estou convencida de que não basta chegar e enfiar "arranjo bola", "arranjo com folhagens" "arranjos sem folhages" num descritivo e sair por aí aliviada porque eliminou mais um item. Não é apenas o formato, tem também as cores, as texturas, as espécies, a forma de exposição dos arranjos influenciando diretamente na mensagem que aquela decoração quer passar. Foi a partir desse ponto, com a influência forte da minha ex-noiva e amiga Deborah Porto, que comecei a pensar mais fora da caixa e a sacar um negócio: por que não arranjos plantados? 
Caminho de samambaia: ousadia e alegria

Apenas chorando arco-íris com a avenca na redoma
Caras, isso não é nenhuma novidade. Super me lembro dos aniversários da minha avó que a galera ia no mercadinho da esquina, comprava um monte de vaso de kalanchoe e colocava nas mesas embrulhados com plástico celofane. No fim das festinhas, cada um catava seu vaso, levava pra casa e ia ser feliz enfeitando a própria casa com florzinhas marotas. O negócio servia tanto de enfeite quanto de lembrancinha e lembro que isso era maior vibe boa. Claro, uma decoração de casamento feita com kalanchoes embrulhadas em plástico furta-cor seria uma coisa bem zuada; passaria uma mensagem de descuidado, de joga as pranta tudo ae! que não é bacana, mas podemos partir dessa ideia pra montarmos uma atmosfera de casa, de aconchego e de coisas vivas no casamento. De brinde, a gente ainda economiza uns trocados!



ESCOLHA UM VASO LEGAL
O maior problema das plantas em vaso aplicadas a decor do casamento é o fato dos vasos plásticos serem bem sem-graça e prejudicarem muito a estética da sua plantinha. Claro, se você cavucar, pesquisar com disciplina, vai descobrir que as distribuidoras de plantas tem buscado inovar oferecendo vasinhos coloridos e mesmo em tons metálicos sem que isso afete o preço final do produto.
Se você conseguir encontrar esses vasos mais interessantes, se tiver embarcado num casamento de decor mais despojada, pode enfeitar tudo com washii tapes ou passar uma fita colorida (lisa ou estampada) que dê uma bossa nova ao seu vaso de supermercado.
Caso a ideia seja fazer uma coisa mais rústica e/ou com carinha de casa-da-vó, a dica master é transferir as plantas/flores dos vasos plástico para aqueles de cerâmica. O vaso de cerâmica é super versátil, gente! Dá pra passar fita de rendinha nele, dá pra pintar, dá pra esfregar musgo e deixá-lo com cara de abandonado na floresta... O céu é o limite! Fica liiiiindo!
Latas vintage ou encapadas com tecido também dão o maior efeito. Só atenção: se a ideia for dar as latas pros convidados levarem, não se esqueça de adicionar um manual de instruções pra que a pessoa possa transferir a planta prum lugar mais adequado (latas enferrujam e não tem orifício pra escoamento de água).
Uma dica ma-ra-vi-lhes-se é colocar os vasos de plástico dentro de caixotes ou mini caixote de feira. Você pode cobrir tudo depois com musgo seco (vende nesses CEASAS e CADEGs da vida!) que vai deixar com cara de que está tudo plantado junto.

>> Aqui <<  tem o tutorial pra fazer esse arranjo

OLHO NA COMPOSIÇÃO!
A mesma regra que se aplica aos arranjos de garrafas (veja aqui!) vale para os arranjos plantados: é tudo uma questão de composição. Mesas redondas pedem um arranjo com diâmetro de ocupação - a área redonda onde vão entrar os potes, vasos ou vidros) proporcional ao diâmetro da mesa porque se não fica um troço de planta solitário no meio da mesa que, por mais que seja um linda orquídea, vai deixar tudo com cara de vazio. Colocar vários vasos de tamanhos diversos, mesclar potinhos com garrafas, plantas com flores, misturar espécies... deixe sua imaginação carnavalesca voar.

Esse composè de flores exóticas ficou de tirar o fôlego!


TIPOS DE PLANTAS E FLORES QUE VÃO DAR SUPER CERTO NA SUA DECÓR

Suculentas:  são muito amor! Ok, sou meio suspeita porque faço coleção, mas simplesmente amo ganhar mini cactus e vejo que os convidados se apaixonam perdidamente toda vez que eu falo "olha, pode levar a plantinha pra casa". Recomendo com força! 

Temperos e ervas aromáticas: sucesso de público e crítica!! Temperinhos dão a maior bossa nova na decoração e se tornam lembrancinhas preciosas. Fáceis de cultivar, vão fazer parte da vida dos convidados não só por razões enfeitativas, mas também por razões culinárias e olfativas! Entre as ervas e temperos bonitos e cool temos: aspargos, alecrim, manjericão, hortelã, pimenta, lavanda e orégano.


Plantas decorativas: nessa lista a gente tem aquelas plantas que são lindas de ver e de cultivar. Elas vão enfeitar o casamento e depois vão divar na casa dos seus convidados. Entre as mais fodonas temos: samambaia mini, avenca, alisso e begônia rex.

Flores: levar pra casa flores de corte e tê-la decorando a casa por 2 ou 3 dias pode ser bem legal, mas mais legal ainda é poder levar pra casa uma flor que, se tratada com carinho, vai ficar vivinha da silva por muitos anos na sua casa. As melhores flores de vaso pra decorar e depois presentear os convidados são: begônia, azaléia, crisânetemos (dairin, calcutá ou margarindinhas são as espécies mais interessntes), plectrantus (ela é uma flor cheia de florzinhas, você pode pedir pra sua florista separar mudas em pequenos vasos), amor perfeito e dália.


SÓ PRA TERMINAR
Volta e meia vejo casais que não curtem muito usar flores. Seja por motivo de alergia, porque não curtem ou porque não querem flores perecíveis, essas pessoas buscam uma forma de contornar a situação sem deixar o casamento feio. Particularmente, acho importante a presença de flores em especial na mesa de bolos ou doces. Elas dão vida e "cara de festa" ao ambiente, mas nada te impede de misturar flores de corte (perecíveis) a flores plantadas e plantas de verdade (sejam plantadas ou cortadas). Tenho visto muitas floristas gringas investirem numa mistureba de plantas verdes que conferem a decor um clima de bosque muito bacana. Diferentes tipos de trepadeiras podem ser misturadas a flores de corte nobres como ranunculus e rosas e florzinhas delicadas, também é bacana misturar plantas de folhas roxas com outras de folhas acinzentadas. Plantas com folhas de formatos diferentes são show de bola na hora de decorar.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Natalye e João Gilberto: um casamento DIY pra celebrar o amor e a amizade

Tem uma expressão que costumo usar: noiva sênior. Serve bem pra descrever o misterioso fenômeno que transforma mulheres de certa idade, muito normais, vindas de profissões aleatórias como física nuclear, auxiliar administrativa, geóloga ou professora de yoga que, ao se tornarem noivas, descobrem sem que haja uma explicação plausível uma aptidão doida para o desenvolvimento de tarefas igualmente aleatórias omo decorar nome de flores, costurar feltro, barganhar preço de aluguel de cadeiras ou desenvolver layouts de convite no Word ao mesmo tempo em que confeitam cupcakes.

Você pode chegar junto de uma dessas mulheres e pedir o nome de 5 decoradoras de casamento, com seus respectivos valores atualizados, que elas te darão a resposta. Em ordem alfabética. Um tique nervoso que costumam contrair é o de olhar fotos e assistir comerciais de TV recitando o nome do mobiliário usado. Elas são viciadas e totalmente incapazes de desviar os olhos diante de um vestido de noiva, que será devidamente salvo em uma pasta do computador. Para desespero de alguns maridos, que acreditavam que "quando casar sara", elas resolvem fazer um curso de florista, um workshop de pasta americana, tornarem-se cerimonialistas. Devotam-se a responder perguntas em incontáveis fóruns recebidas de noivas inciantes como ela outrora fora: é o mínimo que posso fazer! quando precisei alguém me ajudou. 

Eu não sei explicar esse fenômeno. Só sei que quando recebi o email da Natalye perguntando que se eu teria disponibilidade de data para ajudá-la no casamento eu gelei. Ela era uma noiva sênior da mais alta estirpe do preciosismo e do bridezilismo, cunhada no fogo pelo qual passam todas as mulheres que resolvem embarcar na loucura de planejar sozinhas seu próprio casamento por acreditarem que essa celebração é, no fim das contas, um presente delicado que o casal entrega àqueles que o amam.  O que poderia oferecer? E na Casa de Santa Tereza! E ela tinha um blog famoso! Quero dizer, eu era uma iniciante! Se ferrasse com a parada, o tombo seria grande.. Pra piorar, eu já tinha um casamento marcado para o dia seguinte ao dela. Perguntei pro meu analista o que ele achava: cara, você tem boas cartas a apostar.

Nos encontramos na Colombo e alí, entre um pedido de café, outro de tartelete e inúmeros turistas, escrevi três página de anotações, observações e descrições do casamento como um cosplay de Chico Xavier.  

A ideia: transformar a Casa de Santa Teresa em um ambiente aconchegante para receber aquele casamento que teria festança sim (Regado a vodka, mas vodka da boa, ela sublinhou) mas que precisava comportar, ao mesmo tempo, ares de reuniãozinha em casa. Numa mistura engraçada de brejeirice e firmeza militar, a noiva sênior explicou cada ponto, cada item, cada canto e como cada coisa seria articulada. Eu tentava acompanhar. Eu estava fascinada.


 
 
 



 
Logo juntou-se a nós o João Gilberto que, mais tarde, eu descobriria ser um dos caras mais cool e boa praça que já conheci. Falemos dos dois. Como se conheceram?

Na verdade eles já se conheciam, eram amigos. Iam até escrever no bolo  lucky I'm in love with my best friend e ficamos rindo dessa coisa de conviver com alguém no trabalho, na brodagem e aí, não mais que de repente, pensar que... eu pegaria, hein!
Conversamos sobre amigos, relações internacionais e dificuldades financeiras. Acho que fiz a breguice de chorar lembrando dos perrengues que eu e o Rafa passamos quando resolvemos também embarcar nessa doideira de juntar as escovas de dentes. Vendo hoje os dois montando a casa nova toda linda com paredes coloridas fico novamente besta diante dessas coisas da vida: no final sempre conseguimos ajeitar a vida; é uma aventura!
Nos despedimos na Rua da Carioca e fui pra casa tomar uma Coca resolvida a não ficar criando expectativas - eu estava super insegura!  Algumas horas chega email dela:
Está decretado. Você será minha assessora/anjo da guarda!! Precisamos correr afinal faltam 40 dias! 
Entrei imediatamente em contato com a Roberta Araújo e perguntei se ela topava a missão de montar uma decoração planejada pela noiva e pensada por todas nós a partir dali. Yeah yeah! Opa! Então fomos em frente recolhendo todo o material produzido pela Natalye, dos rascunhos aos orçamentos da Mineirart passando pelo projeto 3D feito no Google Wirehouse - essa menina é muito aplicada! Montamos uma prancha no Facebook juntando fotos de referências, fotos dos artesanatos feitos pela noiva+mãe da noiva e tudo foi exaustivamente comentado, repassado. As lacunas preenchidas.
Fui com ela à Casa - que eu só conhecia por fotos, embora tenha casado no casarão vizinho - e percorremos o caminho do projeto. Tipo num bluetooth mental; fui tentando internalizar os apontamentos, ideias e inspirações da noiva. 
azendo um retrospecto crítico, aponto a quantidade de itens a serem decorados minha maior dificuldade. O que chamo de itens são as coisinhas do casamento; um varal de fita, plaquinhas, lapelas especiais, um brinde diferente, essas coisas. O casamento da Natalye e do João é ainda meu recorde de quantidade de itens hahahahaha  Hoje penso se quero continuar pegando casamentos na reta final porque é muito tenso, gente! Mesmo tendo lido o blog dela inteirinho e tendo conversado tanto, na hora em que abrimos as caixas com as coisas do casamento demos de cara com coisas novas. Nada grave, só tivemos mini faniquitos - alö assistente Ana Paula me ameaçando de morte quando eu não mando a lista de itens pra ela. 
Foi um grande desafio pra mim que, até então, só tinha feito as coisas convivendo com o casamento desde o incío, participando da concepção.

A polêmica da organização ficou por conta das flores. A noiva não queria flores naturais, ou queria o mínimo possível delas. Particularmente acho que as flores naturais, ou plantas, são importantes para dar vida ao ambiente porque elas passam muito bem e de maneira muito imediata essa mensagem. A Roberta deu sua opinião também: acho tenso. Precisávamos encontrar uma solução. Após várias trocas de imagens e debates, ficou decidido que sim, usaríamos poucas flores (ay jesus!), mas essas poucas seriam bem delicadas e apresentadas de um modo menos ortodoxo. A Roberta trouxe a ideia dos buquês de rosas na mesa de doces, ao invés do tradicional arranjo bola e bem... DEU SUPER CERTO NO FIM NÉAM, NATALYE? 

No dia do casamento - um dia ignorante de tão azul e tão bonito - o João chegou com as flores na que seria a primeira de suas 7645452 pra lá e pra cá levando coisas e pessoas.  Tá de meus parabéns, João Gilberto! Mas espera, você está com uma cara horrível! Fui informada que os noivos resolveram fazer suas despedidas de solteiro... na noite anterior!! - Cara, eu nem sei como é que to aqui. Um dia vocês vão me matar do coração, francamente!

Aos poucos fomos montando o quebra cabeça dos itens no ambiente da Casa. As coisas que se mostravam viáveis no papel, mas inviáveis na vida real foram modificadas ao sabor das contingências. Olha, isso acontece o tempo todo! Na verdade, é comum que certas soluções e inspirações só apareçam na hora em que a gente começa a montar tudo. A lição que fique: só contrate profissionais com quem você se identifique porque aí, mesmo se estiver diferente do que foi imaginado, será bonito.
 
As flores de tecido da decoração ficaram incríveis sob a iluminação da casa e da tarde carioquíssima. As pessoas foram chegando e, como muitas delas já estavam familiarizadas com os itens - que viram sendo feito, que ajudaram a fazer - o clima de aconchego rolou como mágica. Todo mundo estava à vontade e foi batia papo enquanto a cerimônia não começava.

Natalye chegou pontualmente. Era o padrinho DJ quem estava atrasado! LOL Mas tudo ficou no bom humor. Tudo estava muito descontraído e o noivo circulava pela festa como se casasse todo dia. 

Foi assim que sob o pôr-do-sol, tendo como plano a Baía da Guanabara - sem nuvens, com barquinhos e Pão de Açúcar - e diante de amigos incríveis Natalye e João Gilberto ataram o nó. Foi encantador, encantador e encantador ver o noivo entrando fazendo dancinhas e presenciar aquela celebração de diversas formas de laços de amor que a gente vai estabelecendo com as pessoas ao longo da vida. Pode ser a família que já nasceu com a gente, pode ser a família formada pelas amizades que conquistamos e cativamos, pode ser a amizade que misteriosamente se vê presa a olhares insistente, uns beijos furtivos, uma decisão de misturar a vida como amantes.
Como agradecê-los por terem confiado a mim, uma noiva sênior desvairada, toda essa preciosidade?
 
 
Epílogo
Era sábado de manhã no Cosme Velho e o taxista sofria para encaixar o carro no estacionamento do Casarão Austregésilo de Athayde. O celular começou a vibrar com a mensagem da Natalye dizendo que já estava chegando, ou algo parecido. Algum tempo depois, enquanto eu e a Ana desmontávamos a caixa de itens da noiva, a ela chegou com os cabelos todo cheio de cachos:
- Meu deus! Que diferente sem o Vera Wang!
Nos abraçamos. Natalye estava ali pra me assessorar em um casamento. Eu tinha avisado que era trabalho pesado, mas ela topou. Carregávamos cadeiras enquanto conversávamos sobre o casamento dela, sobre a empresa casamenteira que estava fundando, sobre que loucura isso, né? 

Algumas de nós simplesmente não conseguem parar.

OS ENVOLVIDOS
Local: Casa de Santa Teresa || Projeto de Decoração: Caminho de Noiva com
Execução: Vou Casar e Panz || Bolo: D. Geralda   || Doces: Dona Célia, Ana Foster Chocolates e Barriga de Freira || Forminhas: Entre Flores - Arte em Forminhas || Buffet: Crica Camargo 

  Assessoria e Cerimonial: Vou Casar e Panz com colaboração de Roberta Araújo Eventos ||
 Assistentes: Ana Pads e Ju Sales 

Fotografia: Carol Bustorff

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