quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Comprando vestido online: recessionista sim, mas super digna

É esse!!!!

Minhas camaradas do off-white,
de repente vai e chega o momento em que precisamos escolher o vestido a usar em nossas bodas. Vai ser de organza? Vai ser bege? Vai ter véu? Vai ser princesa Disney? Decotado? Sereia? Little white dress? Cisne da Bjork?

Mas, para além desse leque de dúvidas que nos torturam e, bestamente, deliciam, há ainda a questão master: venderei o rim direito ou o esquerdo pra alugar o vestido dos meu sonhos? VEJAM BEM: alugar. Eu nem falo de comprar porque o que é que eu vou fazer com um Vera Wong no meu guarda-roupas, gente?? É sério, do vestido de noiva da minha mãe eu fiz um monte de roupinha pra Barbie, chegava lá e tirava lascas e lascas de seda francesa. Ele tá lá no guarda-roupas junto com minha coleção da Enciclopédia Prática Jackson até hoje, cinza, largado e ferrado. O que porra que eu vou fazer com um vestido de noivas depois que eu já casei? Nada me ocorre, de verdade. Alugar, então, é uma solução razoável.

Mas aí eu vou ali em Alcântara e descubro que um primeiro aluguel custa mil e quinhentas realidades. Gostaria de me alongar num parágrafo raivoso sobre o quão cafonas são os modelos, sobre os palavrões mentais que disparei contra aquelas fotografias de noivas derretidas em suor, mas ali firmes e fortes dentro de suas LUVAS, mas não é esse o mote aqui, a gente quer é discutir soluções alternativas. Mais alternativa do que pedir pra sua tia de Leopoldina fazer teu vestido igualzinho esse aqui ó, tia, melhor do que implorar um desconto na liquidação das Casas Assuf. Você quer economizar manero nesse item, mas, ainda assim, entrar linda e super digna no certame nubente, então senta aí novamente porque a conversa é longa

Tudo começou numa noite de desespero em que eu exclamei: vou comprar nesse chinês aqui do Ebay e que se foda! Por sorte, naquele instante, passava uma alma dessas, iluminada. Era Tatiana Oliveira - atual Mrs. Jacob Ablowitz - que me falou então, ao modo iluminado como as almas iluminadas falam: vestido de noiva aqui nos EUA é ridiculamente barato. O meu custou menos de mil reais! Quer que te mande?

Um comprado, um vestido teu pras minhas filhas fazerem roupa pra Barbie, por menos de mil reais? Nem na Grippon! Fechei as abas do cara ching ling que copiava vestidos no Ebay comecei umas trocas de mensagem com a Tati. O resultado é o tutorial que segue.

Lojas confiáveis
Se você vai comprar um pregador, uma colher de pau ou um laptop na internet, não importa, a gente vai atrás das lojas confiáveis. O que deixa todo mundo inseguro com isso de vestido à distância (além do óbvio, que você não tá vendo nada, se o pano é bonito, se segura os peitos) é que você não sabe se vai chegar e aí terá gasto noites em claro escolhendo (por foto) um negócio, e pagando e sendo roubada e ficando frustradíssima, noiva da depressão.
As indicações da Tati seguem duas linhas: a) vestidos de lojas físicas já conhecidas ou que tenham uma marca já consolidada no mercado e b) vestidos adquiridos por lojas/confecções que fazem réplicas ou vestidos sob medida (há costureiras no etsy.com, por exemplo). Fazer por um ou pelo outro só depende de onde é que você vai encontrar o que você curte, só.

1º CASO
Você vai precisar visitar as lojas/marcas de nome sólido e escolher o modelo que te agrada. Escolha vários pra poder depois refletir sobre o melhor modelo/preço. Anota aí:

Alfredo Angelo
Allure Bridals
Bonny
Casablanca Bridal
Da Vinci Bridal
Dere Kiang
Eden (passionais! grifei pra mim)
Impression Bridal
Jacquelin
Moonlight (o vestido da Tati foi daqui! os mais em conta são os Tango, para casamentos mais informais)
Mori Lee
Private Label
Romantic Bridals
Saison Blanche Couture
Venus Bridal
Watters

Escolhidos uns 10, 15 modelos, ou mais, sei lá, vá até as seguintes lojas e ponha em seus campos SEARCH os vestidos que te deixaram enlouquecida; é ali que a mágica acontece.
http://www.ebridalsuperstore.com
http://www.bestbridalprices.com/
http://www.tjformal.com (nesse você compra em Reais)

Percebam que há variação de preço de um para outro. Todos são confiáveis, então é questão de pesquisa e de trabalho braçal, cara.

Esta é a Tati em seu casamento judaico LINDO!


2º CASO
(atenção!! atualização!! sites como o Light in the Box estão sob investigação! mas há chinenes e replicadores de vestido confiáveis por aí)

E as medidas, meu Deus???
Essa parte tem que rolar, então você vai precisar tirar suas próprias medidas (*CASO 1) ou precisará converter o seu número 38, 40, 42, 44 para a tabela americana (*CASO 2). Don't panic!!

Números de vestido
EUA 4 6 8 10 12 14 16 18
Brasil 38 40 42 44 46 46 50 -


Medidas na fita métrica
Alguns sites te dão a opção de pôr as medidas exatas ou aproximadas para busto, cintura etc. Use este conversor e passe os centímetros para polegadas (inches)

Para fazer as medidas, chame sua tia costureira, anote tudo e depois use o conversor. Você também pode chamar uma amiga que tenha noções de costura ou ainda medir um vestido que você tenha e que seja similar ao que você escolheu para o casamento e proceder da mesma forma.
Encontrei alguns vídeos (em inglês), pode ser que ajude. Qualquer dúvida, erros e links quebrados, ponham nos comentários. Vamos conversando sobre que é o melhor.





Dica minha #1: se seu casamento ainda é daqui há 10 meses, deixe pra comprar uns 4 meses antes porque vão ter entrado novas coleções e as antigas (antigas pra ele, ubber tendência pra você) vão ter diminuído de preço num esquema igual ao das roupas do dia a dia

Dica minha #2: não fique enchendo o saco do seu noivo/marido sobre o assunto e nem deixe ele saber que seu tempo online ficou confinado a isso. Vai por mim, experiência da casa: ele vai achar que você se tornou psico. Você se tornou, mas não esfrega na cara do sujeito assim também.

Dica.. #3: cotação do Dólar e do Euro, acompanhe isso.

Agradecimentos sem fim a Tatiane (@tatipiv). Não tenho palavras pra tanta doçura, abertura e gentileza. As imagens são do arquivo pessoal dela.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Anti noivas cândidas

Sou contra noivas virtuosíssimas! Sim, porque obrigam, há uma beca e não se fala palavrão, e não se pode dar uma sacaneada e, principalmente, ninguém quer trepar. Elas se casarão consigo próprias. O que é isto, Brasil? Sou pela luxúria bem combinada. Sou pelo doña, contentura pa tu cintura. Prefiro onde se goza, onde as pessoas falam mal e são mais saboras.
Reggeaton, Calle 13 e anti noivas cândidas.
Esse vídeo é simplesmente fantástico, percebam a sutileza e a delícia herética: Tango del Pecado



Sobre Calle Trece: tempão atrás foi publicado no Obvious (que está de layout novo, luxuoso à beça) um artigo meu sobre a dupla, sobre o reggeaton e, especificamente, sobre esse vídeo/musica. ATOROOON!!
Sobre os bíceps de René Perez: OH WAIT!

domingo, 28 de novembro de 2010

Minha 1ª inspiração: um mini-casamento lúdico e delicado


Fiquei pensando nessa coisa de bridezilla. Quando se deu o exato momento em que, de uma reunião com bolo e champanhe, a ideia de casar se transformou efetivamente numa ideia de casar, de fazer um negócio que é tradicional, ritualístico e psicótico. Porque a gente na verdade na verdade estava era pensando em comprar alianças e fim de papo, mas como vou colocar aliança e sair por aí assim, eu não sei... toda e qualquer sociedade é feita de PARENTESCO, MITO e RITO, ensinou o Manolo, e eu não fiquei afim de sair hackeando a sociedade ocidental assim não.


Bom, mas pra encurar a história, estava com a ideia de um bolinho, um brunch , descobri que o nome disso era miniwedding e clica lá, clica cá, dei com fotografias da britânica Marianne Taylor. Foi naquele exato instante, em que vi as fotos do casamento mágico de Elodie e Vianney que a bridezilla prill começou a rasgar a blusa, ficar verde e subir no Empire States. Gente, pirei. LINDO! LINDO! Caralho!! (caralho é um termo superlativo que remete ao infinito).
Me impressionou o quanto um casal lá na França podia reunir coisas sentimentais, pequenezas, cores e coisas tão parecidas com a que nos toca (afora o rosa, o Rafael não curtiu o rosa). Pronto, foi ali que eu decidi que queria um lance daqueles, bonito assim, delicado assim, feliz assim.

Seguem as imagens, mais em baixo eu falo um pouco sobre a experiência da Elodie, a bridezilla cool, na montagem do seu casamento.







Fantástico, amigas (os)!
Criativo demais, inspirador demais. Quem sentiu falta de garçom? De mesa de vidro? De mulher robô que nem te conhece dizendo meia dúzia de bobagens ao microfone?
Mas, falando sobre os dados práticos:
Elodie (na verdade, Eleonora) conta em seu blog pessoal que demorou 9 meses para montar o casório e que teve um trabalho enorme para garimpar os mil detalhes, que foram a essência da sua festa no bosque.
Seu casamento com Vianney - um relacionamento de 10 anos - começou às 15:30 e, pelo horário, a decisão foi de fazer um cocktail e um buffet de degustação bem descontraído com guloseimas e mini hambúrgueres para ser servido após a cerimônia civil (que foi no próprio cartório, ao som de All we need is love e com uma juiza escrota que não os deixou dar o beijo final). Ela também pediu para o buffet que fizessem um nectar vermelho servido em seringas, a que chamou de True Blood.

O pai e o tio atacaram de garçom mais outros familiares. O pai também foi o responsável pelas etiquetas dos vinhos e do champanhe. Ah sim! E o algodão doce!! Eu quero só pra fazer um brinks com meu diabetes!
As cores nas roupas dos convidados, cheio de listras, poás (bolinhas) e esse colorido todo foram um pedido da noiva, que ficou feliz de todo mundo ter topado a brincadeira. Inclusive as avós. O resultado nas fotografias ficou gracioso.

A festa não teve DJ. Foi no esquema do iPod com caixas de sons potentes. Infelizmente ainda não consegui descobrir que tipo de música ela colocou, é uma informação importante: o que tocar numa festa com este formato?

Bom, no relato, Elodie conta ainda que não gostava de casamentos. Ficou noiva, mas a ideia de casar em si "não a fazia sonhar". Foi o incentivo dos leitores de seu blog e o relato de outras noivas que diziam sobre o quanto aquele momento tinha valido a pena que a fizeram ver a ideia com outros olhos.
Decidiu então passar a mão na bunda desta sagrada intituição e fazer tudo bem no estilo de vida do casal e, no final, fizeram a festa que queriam junto às pessoas que amavam. Diz isso sob a reflexão de que não deu pra pôr em prática TODAS AS SUAS IDEIAS MALUCAS (a que ela chama de "imprudentes"), que isso não é possível, temos de aceitar o mundo real, mas que buscou se aproximar o máximo possível disso. Sábia, essa conclusão. É a volta da sobriedade ao espírito da noiva louca e destruidora, da bridezilla. Reconfortante.


Há mais informações, mas preciso terminar o almoço, /fazer minhas leituras e ajudar o Rafa a pendurar nossa cortina da sala (finalmente poderei andar de calcinha em paz nessa casa!). Espero que não tenha sido uma postagem cansativa.

Hasta!

As imagens são do site da Marianne Taylor e o relato foi adaptado do blog da Elodie, onde vocês vão poder encontrar também uma tonelada de olhares inspirados, não só sobre o casamento dela, mas sobre o dia a dia mesmo.



sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A Noiva Recessionista

ou A Noiva Sem Um Puto


Pretendo casar, mas não pretendo gastar. Pelo menos não gastar muito. Primeiro que não temos, eu e o Rafael, um montante substancial assim de bobeira tipo o Catra queimando 50 mil em fogos; precisamos comprar os móveis pra casa, tirar os livros do chão e fazer uma cerquinha pra nos proteger da vizinha macumbeira que nos detesta.
Olha, mas penso que, mesmo se tivesse, casamentos-eventos, desses de revista, desses com alianças da Amsterdam Sauer, 300 convidados, de alto a baixo assinado pela Constance Zahn, não tem absolutamente nada a ver conosco nem com nossa história. Respeito os adeptos da suntuosidade, mas nosso negócio é um low profile, um franciscanismo, uma delicadeza. Principalmente isso: somos militante da delicadeza das coisas pequeniníssimas. O caro é bom, mas ser feliz é um luxo, tá cantando aqui a Nina Becker.

Casar gostoso e gastar pouco: como proceder? Nas minhas leituras sobre o assunto (porque agora tenho essas leituras, caros e caras convivas) descobri o site Intimate Weddings. Que lugar mais bacana! Muitas boas palavras e inspirações pra quem curte um negócio mais miúdo, pra quem tá ney aí que a prima de Campo Mourão vai chorar pra cacete por não ter sido convidada sendo que vocês só se viram uma única vez, em 1990 quando ela veio prestar concurso pra TELERJ. Festejar só com os do afeto, só com os chegados.

Entre uma leitura e outra, uma fofura e outra, dei com um termo fantástico: A Noiva Recessionista. Fruto da última crise financeira norte americana (ou de outras vacas magras, meu caso), a noiva recessionista tá decidida a casar sem abrir mão daquele dinheirinho guardado no sutiã. Se você é dessas, então senta aí que a gente tá junta nos Sete passos para se tornar uma noiva recessionista, tradução/adaptação (minha mesmo) do texto de mesmo título do Intimate Weddings. SÓ DICÃO.


1. Uma lista de convidados curta - Uma noiva recessionista reduz sua lista de convidados. Ela convida apenas pessoas que são importantes para ela. Se ela não vê sua amiga Cheyla há 5 anos e que nunca nem telefona, as chances são de que ela não esteja na lista. E ela não convida ninguém só pela coisa da obrigação (só porque Cheyla, te convidou para o casamento de seu caberereiro, não significa que você tem de devolver o favor). Colegas e parentes relativamente distantes muitas vezes são deixados de fora.

2. DIY (Faça você mesma, sua linda) - Com apenas poucos cliques do mouse, a noiva recessionista aprende a fazer desde os arranjos de mesa até as lembrancinhas. E se ela não leva jeito para artesanato, ela providencia a apresentação do seu projeto para amigos e familiares mais prendados.

3. Regatear
- A noiva recessionista economiza é na negociação com seus fornecedores. Se ela percebe que o vendedor está precisado de clientes, ela não tem medo de lhe pedir um preço melhor ou de incorporar alguns bônus ao seu pedido.

4. Flexibilidade
- A noiva recessionista sabe que o sábado a noite é o dia mais procurado para casamentos, e que também é o mais caro, por isso ela está disposta a fazer o seu casamento em uma sexta-feira, num domingo ou até mesmo em um dia de semana.

5. Segunda mão
- Ela vasculha o Mercado Livre, o Orkut e o Ebay em busca de itens de casamento usados, porém honestos. Se ela curte um lance vintage, então ela vai dar uma olhada em brechós ou em sites como o www.vintageous.com. Ela também usa redes sociais para caçar fotógrafos, bartenders e outros profissionais que estejam dispostos a trabalhar dentro do seu orçamento. Ela é ainda uma noiva esperta e que corre rápido ao menor sinal de falta de profissionalismo ou de má fé.

6. Priorizar - uma noiva recessionista conhece suas prioridades. Ela só desenvolve psicoses por coisas que sejam importantes para ela. Se ela é aficcionada por boa comida e uma iguaria, uma degustação é indispensável para ela, então ela está disposta a cortar itens antes planejados. Isso pode significar que ela usará uma seleção bacana no Ipod ao invés de um DJ, ou imprimir seus próprios convites ao invés de mandar fazer um em caligrafia personalizada.

7. Desenvoltura - Ela faz uso dos muitos talentos que encontra em seu círculo de amizade e entre os familiares. Se sua tia é pianista, ela lhe pedirá para que toque durante a cerimônia, se sua cunhada é designer gráfico, ela irá contratá-la para desenhar os convites. Uma noiva recessionista sabe que ter aqueles de seu afeto envolvidos na feitura do casamento não só corta custos, como transforma o momento em algo muito mais cheio de significado.

imagens: Intimate Weddings e Pigbank wedding
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