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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Belle & Vinicius: uma aventura com pássaros entre Londres, Maricá e Meier

 

Companheiros e companheiras, estou de volta! Bem, ao menos estou tentando voltar. Tenho trabalhando tanto que não tenho tempo nem de trabalhar! Nisso, quem anda um bocado esquecido e relegado é este blog que vos fala. Peninha, viu? Mas juro que tenho tentado voltar. Me deixou bem injuriada ter apagado sem querer (alô alô burrice) metade das imagens do Vou Casar e Panz, gente, quase desmaiei!! Com algum tempo, contrato um escravo um estagiário pra me ajudar a reeguer essa toca do Gugu porque do jeito que tá não dá pra ficar.

Buenas, mas de nada adianta chorar pitangas ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE! A agenda está cheia e o trabalho tem sido tão louco quanto gratificante. Me surpreende, me deixa plena e, principalmente, me vicia. Compartilhar essas trajetórias de amor publicado pra mim é essencial; reler os acontecimentos, trocar experiências e ficar besta de ver mais um casamento, de me ver fazendo parte de mais uma história.

Minha ideia é fazer uma pequena maratona, postar alguns dos casamentos que rolaram no ano passado sob a batuta do Vou Casar e Panz. Vamos ver se dá certo hein! A primeira da lista é a Isabelle, uma grande amiga que fiz na faculdade e que hoje está bordejando por Paris com seu amor. De Maricá para o mundo! Espero que curtam!


Belle & Vinicius: uma aventura com pássaros entre Londres, Maricá e Méier

Outro dia (ok, não foi outro dia, já se vão uns 3 ou 4 anos isso aí) eu e a Isabelle estávamos no Centro do Rio e tivemos uma ideia brilhante: ir a todos os bares do Arco do Telles tomando uma cerveja em cada um. As únicas lembranças nítidas que tenho desse dia é que em algum momento coloquei adoçante na batata frita, que não conseguimos ir a todos os bares e que, horas depois, estávamos na estação das barcas de Niterói abraçadas cantando Je ne regret rien.
Teve também aquela caminhada de 16 horas em Florianópolis indo... pra onde? Fazia um frio absurdo e bebemos Country Wine. Aqueles dias foram loucos. Em atividades mais produtivas, pesquisamos juntas a escravidão no Brasil Império, fomos ao show do Caetano, compramos brincos de semente e fomos vítimas do Bruno como motorista. Bom, você me disse que ia casar e fiquei supresa, mas você disse com uma certeza que me calou. Belle vai casar com o Vinicius, aquele carinha de Maricá que era barman em Londres, aquele que aparece nas fotos com ela em Rio das Ostras. Exato, aquele que ela pegou em Ilha Grande. Essa menina não é fácil!

Depois de tantas aventuras, bagunças e doideiras nessa nossa trajetória, como a gente poderia pensar que seu caminho pro altar seria diferente? Foi o que pensei quando deu 11 da noite e ainda estávamos na costureira, no Méier: dia anterior ao casamento, bordávamos seu vestido.   


Fazendo um casamento personalizado no esquema "pacotão"

O casamento da Bebel foi um desafio pro meu método de trabalho. Em Maricá, como deve ser comum aos municípios da Região dos Lagos e em muitas cidades mais pro interior, essa coisa de casamento personalizado, de DIY, de cerimonial e assessoria costuma ser visto como algo meio desnecessário. O raciocínio faz todo o sentido, hoje eu percebo: se minha prima é dona de um buffet, se minha comadre vende salgadinhos, se sempre fomos felizes com as festas do salão X, porque embarcar num plano de casamento onde tudo é separado, onde os fornecedores são desconhecidos e onde o risco de acabar gastando mais do que o planejado fica assombrando? 

Confesso que até a Bell me chamar pra dar uma mão no casamento eu fiquei bastante preocupada porque, bem, nunca escondi meu preconceito contra o kit festa-pacotão, não é? Como eu ia harmonizar um conjunto de serviços amarrados + a grana disponível + a montagem de um casamento que fosse "a cara dos noivos"?  Ainda mais quando ela era lá toda amante de Los Hermanos, cabelos selvagem e brincos de semente e ele naquele vizu british, cheio de simpatias pelo punk anárquico...! Uma recepção tradicionalzona e de aspecto repetitivo não ia ter nada a ver! Por outro lado, precisávamos respeitar e fazer algo que fosse gostoso também pra galera mais tradicional, pros familiares. Pânico! Foi a Bell quem me acalmou: Prillzoca, se não der pra fazer um negócio mais personalizado, deixa pra lá, vamos ser práticas.  Do começo ao fim - com alguns momentos bridezillescos, normal né, a Bell foi prática. Cheguei a mencionar que o casamento seria dali há 4 meses?

A epifania da solução apareceu na primeira visita ao buffet Bianca Festas. Cara, a gente tem que manter a mente aberta nessa vida... a Janaína, coordenadora do Buffet, tem um acervo imenso! Muitos e muitos itens, negocinhos, toalhas, passadeiras, guardanapos em diversos materiais e estilos.  Fiz uma espécie de inventário de tudo que poderíamos usar. Apesar dos olhares de are you on crack misturei juta com provençal, metal com marrom, espelhado com lanterna marroquina. Abrimos mão do esquema "fechar evento por cor", decidimos por uma paleta - lilás, pistache e violeta - e catamos tudo do buffet que se encaixasse nela e no conceito lúdico+rústico+tradicional.

 



Buscando complementar o acervo e adicionar os toques de personalização, fomos à Saara e compramos alguns laces como passarinhos de palha e fitas pra fazer um varal. Isabelle encomendou no Elo7 mini xícaras e, com uma florista local, negociou mini cactus. Aquelas "pequenas coisas" fizeram toda a diferença e o resultado da decor ficou único, mesmo tendo originado de um kit festas. E vimos que era bom. 
Montei um projeto pra lá de safado, meu primeiro projeto, usando o paint e o word e repassei-o pro buffet. Dali ele foi distribuido pra boleira e pros floristas.

Mas gente, nem tudo são flores na vida de Joseph Klimber. Atenção quadriplicada: não é todo o buffet que aceita que pessoas "de fora" mexam nos seus itens. No dia do casamento, tudo para além do que naturalmente o buffet estava acostumado a montar ficou ao meu cargo. Se desse merda, era minha cabeça quem iria pra guilhotina. Sem tempo pra pensar no pescoço, montei as paradas com uma mão amiga - e meio bolada com aquela mistura toda - do pessoal do buffet. A partir deste dia, nunca mais saí de casa sem minha equipe. 

E onde estava a noiva?? Isabelle estava aos cuidados da Ju Sales; historiadora, maquiadora, amiga em comum e personal chá de camomila de noivas tentando decidir se mantinha o olhão preto polêmico ou se mudava pra algo menos ousado. E onde estava o noivo?? Bem, pra variar, o noivo sempre está zuando com os amigos; um vestido de homem aranha, outro de V de Vingança.. então tá.

Acabei não conseguindo assistir a cerimonia. O cerimonial era da própria igreja, da Pastoral que promove os encontros de casal, se não me engano, mas gostaria de ter assistido à entrada ao som de Nothing Else Metter na capelinha centenária que fica à beira da Lagoa de Maricá #chatiada

O vestido que ficou pronto às 4 da manhã

Às vezes fico achando que casamento é um troço feito pra dar errado e que o papel de uma cerimonialista é garantir pra que as tristezas se resumam a pequenas merdas que virarão memórias engraçadas pro almoço de domingo. Isabelle, a história do seu vestido já virou uma memória engraçada?

Gente, Gorete tinha que ter sido canonizada depois desse casamento!! Porque, correndo feito uma louca, morando em Maricá e dando aulas em Quintino, a Bell mal tinha tempo de respirar, que dirá de casar! Ela até escolheu rápido o modelo do vestido, mas nosso tempo reduzido não deu chance pra irmos juntas comprar o tecido ou fazer dezenas de provas. 

O resultado foi que, na semana anterior ao pleito, ela chegou pra fazer a prova final e descobriu APENAS QUE ODIOU O RESULTADO! Ela queria um negócio sequinho, mais fluido e colado no corpo, mas a gente não tinha entendido e então estava lá o tulle dando um ar de balé armado ao vestido! Todo mundo se descabela e Gorete no "calma, caras!", definiu que ela e Isabelle iriam ao Divino a Madureira catar um tecido que desse ao vestido o caimento desejado. 

Aparentemente, elas se aproveitaram da minha ausência pra formular um plano totalmente desajuizado: pensar num novo modelo que incluiria um corpo todo de rendas com pedrarias aplicadas. Não amigas, não, elas não compraram uma renda inteira pra aplicar, compraram uma pra recortar as florzinhas e encaixar uma por uma (neste momento em que escrevo, parei pra tomar uma cerveja e aplacar a crise de risos). Foi na linha de sucessão desses acontecimentos que cheguei no ateliê da Gorete na noite de sexta-feira e encontrei a) uma pizza e b) 254 bilhões de florzinhas de renda. As duas loucas lá bordando! O que é que a pessoa pode fazer nessas horas além de pegar uma agulha também - como se soubesse segurar numa. Deu no que deu: um vestido liiiindo que ela só tirou novamente no domingo de noite quando os cílios postiços desistiram de ficar colados na cara. 

A dica de ouro disso: todo vestido de noiva é um processo que começa dum ponto, dum modelo, e aí, na medida em que vai sendo feito ou buscado, as coisas podem e devem mudar. O bom de fazer numa costureira ou estilista é isso, poder participar de cada uma das etapas e descobrir seu vestido no meio de várias expectativas e fotos de revista.


Epílogo
O casamento foi o máximo, caras! Belle e Vinícius animadíssimos, apaixonados, irreverentes. Naquela vibe toda deles. Muitos abracinhos, muita família, amigos de todas as tribos, gringos e maricaenses, rodinha de pogo  (um beijo, System of a Down). Comida e bebida à rodo, docinhos e bolo pra quem quis e pra quem não quis como manda a velha tradição. Nos obrigaram a trazer um pedaço de bolo pra casa que era tão pesado que tive de colocar em cima da mala de rodinhas, sem sacanagem! O custo total, incluindo a loucura das rendas e o excêntrico chinelinho cravejado de pérolas, foi R$18 mil. CHOREM HATERS!

As imagens desse dia + do after party gravata na cabeça são da Drika Landim a quem não poderei nunca agradecer o suficiente por ter aceitado embarcar nessa loucura!


Making of e cabelo: Salão Chez Lu || Make: Ju Sales || Cerimônia: Capela São Pedro || Recepção: Policenter || Buffet, flores, bolo, bem-casados, doces e chocolates: Bianca Festas || 
Lembrancinha: Flores & Ceia Orquídeas (Giselle) + Elo7 || 
Vestido da noiva: Gorete (costureira) || Roupa do noivo: Zara || DJ: Fabio Coimbra || 
Iluminação: Bianca Festas || 
Convites e identidade visual: feito pelos noivos || 
Espumantes: Supermercado Extra (Salton na promoçon)
Fotografia: Drika Landim || Assessoria, cerimonial e decoração: Vou Casar e Panz

sábado, 30 de junho de 2012

Arajany & Diogo: casamento carioca com samba, amor e cerveja

- Se você não me chamasse, eu ia descer assim mesmo. Ia entrar nem que fosse com Parabéns pra você, nem que fosse com Love by grace.
Gosto de ler relatos sobre casamentos. A lembrança da beleza de cada minuto, o quanto a noiva estava nervosa e adorável, os docinhos bem postos, as flores frescas, o lugar nobre e os sorrisos generalizados. Tem sempre aquele brilho, aquela sincronia. Qual o segredo dessas pessoas? Desses casamentos? Serão os profissionais? O tempo de planejamento? A grana investida? 
Talvez seja o relato. São as histórias tranquilas e a perfeição que inspiram; sempre a perfeição...

Alguns de vocês sabem que antes de firmar um acordo com os noivos gosto de aplicar um questionário pra conhecê-los, saber se o que eles desejam tem a ver com as insanidades que proponho, pra saber se teremos uma parceria bacana, se de fato posso ajudar em alguma coisa. Cara, não dá pra saber se quando li o questionário da Arajany e do Diogo eu pensei se podia ajudá-los em algo, se eu era a pessoa competente praquilo. O que posso dizer é que fiquei estarrecida. Deixa ver se consigo explicar... havia uma paixão tão transparente ali que a única coisa que uma pessoa que se interessa por paixões poderia fazer era o que fiz, responder que por mim vocês casavam amanhã, serião. Ela contou seus planos: casariam-se em casa, fariam cataventos, o samba ia rolar pra sempre, a comida seria boa e a cerveja farta. Não sei se é certo misturar pessoalidades com a vida profissional, mas eu estava disposta à tudo. Fiz, faria e faço qualquer coisa para respirar um pouco do ar do amor e da intensidade daqueles dois.

Bem, foi Arajany quem cunhou essa lenda de que sou uma cerimonialista ditadora. Gente, isto não é verdade. Foram os acontecimentos e as contigências que nos levaram ao novo arranjo do casamento. Tá certo, insisti pra caralho numa série de coisas - de algumas me arrependo - mas quero que me digam uma coisa: foi errado bater o pezinho no chão insistindo pra que pensássemos em montar o casamento num bar? Não num bar qualquer, num bar lá na Pedra do Sal, um dos berços do samba, num bar onde Pixinguinha tomava seus gorós? Íamos economizar, seria menos estress familiar (casar em casa gera uma série de complicações, não é pra qualquer um não hein) E a comida? Que tal algo mais animado? Sou ditadora? rsss Começamos a virar a internet pelo avesso em busca de um buffet que oferece comida de boteco voltada prum lance mais arrumadinho e classudo. Pegamos um trem e fomos até Marechal Hermes (!!) provar as iguarias do Trinca Ferro e aí veio o pastelzinho de feijoada, veio uma caponata de berinjela e um bolinho de toscana; a boa recepção dos donos do buffet. É esse!
Verdade que tivemos nossos desentendimentos com os caras e que tenho nem um nem dois, mas uns dez palavrões guardados ao Trinca-Ferro (não por conta do serviço, mas das negociações), mas inegável acho que a coisa deu muito certo. Assim, dissemos adeus aos crepes e olá pra roda de samba com petiscos.

Foram 3 meses delirantes e etílicos que culminaram naquela manhã de sábado em que cheguei à Pedra do Sal às 8 e dez da manhã e a encontrei descarregando as coisas do carro enquanto ia me dando o relatório: aqui tão os docinhos, a gente comprou as hortênsias 8 conto na CADEG, aqui tão os papéis, o buquê estragou, a cabelereira tá me esperando, compramos eucaliptos, não aguento mais fazer cataventos, etc etc... 
- Como?! O buquê estragou?? 
- Foi mal olhado essa porra; ela sentenciou. Não dava pra saber se era cansaço, nervosismo ou simplesmente ódio. Resolvi que o melhor era respeitá-la, não fiz mais perguntas e ela tomou o rumo da cabelereira com aquele bundão de passista.

Deixa eu explicar direito como é que funciona esse negócio de Pedra do Sal. A Pedra é, como diz o nome, uma pedra. Ela fica em frente a um largo, uma espécie de pracinha e é nessa pracinha que funciona o bar do casamento, o Botequim Bodega do Sal que é capitaneado pelo André. Lá costuma rolar semanalmente um sambão de raiz, raiz tr00 sabem? O lugar enche pra cacete, a galera canta com a mão no coração e testa a gravidade se pendurando nos muros da vizinhança. Era ali que ia rolar o casamento. Usaríamos o Bodega como base e a rua como salão. Cheguei a mencionar que todo o bairro em que esta dita pracinha se localiza está em obra, parecendo um queijo suíço? Sim, nesta postagem aqui. Mas, olha, isso era o de menos, já tínhamos nos conformado, o drama inesperado pra mim foi chegar e descobrir que.. bróder! a Pedra tava tomada de sujeira do samba que rolara na noite anterior. Neste momento, neste exato momento, me desesperei.

Pra sorte de todos, minhas ajudantes de Papai Noel, Lívia Jácome e Renata Motta, estavam por lá e iniciamos os trabalhos. Eu e Renata vivendo um dia de princesa tristeza empunhando vassouras e catando chapinha do paralelepípedo com as unhas e a Lívia montando os arranjos florais, entre outras decoratividades. Nem os testemunhas de Jeová que passaram ali pararam pra pregar, ficaram com dó, "deixa as meninas". Uma vizinha ofereceu a mangueira. A população curiosa começou a amontoar num WTF?! de cidade pequena. Duas horas preciosas foram gastas na limpeza e por isso dei graças a Deus quando, faltando 20 minutos pro casamento, disseram que 3 padrinhos não tinham chegado ainda. Diogo estava nervoso, repetia que não queria mais casar, que era muito estressante, passava a mão na testa e suava. A Renata trouxe cerveja pra ele e descolou um ventilador. Lá em baixo na rua (estávamos no 2º andar do bar), a Lívia tentava equilibrar os arranjos de flores enquanto uma ventania doida prometia derrubar tudo. Eu tentava colar o painel de cataventos na parede tombada pelo Patrimônio e pensava se era possível meu pé estar mais preto. 
Desceu a maquiadora, entrou na montagem. A irmã do noivo tirou o salto, pôs uma havaiana e foi agitar o que necessitasse, acalmar o povo, meu marido chegou, os padrinhos chegaram... Chegaram todos? 
Foi aí que veio a bomba.

Cês entendem de samba? Então, a Arajany sonhava entrar ao som de uma roda de samba. Diogo é músico, reuniu o povo,essa parte foi tranquila! Mas você pode fazer samba numa caixa de fósforo, pode levar qualquer coisa simples só no vocal, mas não pode fazer uma noiva entrar na roda de samba se você não tem um cavaquinho. O cavaquinho é a harmonia! Já havia se passado quase duas horas e meia do horário marcado pra chegada dos músicos, até São Jorge já tava posicionado menos o cavaquinho. O músico tinha falado com a gente pelo telefone, já tava chegando, jurou, só precisava pegar o instrumento ali na puta que pariu e já vinha. 
Gelei, morri três vezes, mas era o momento de subir a Pedra, ir até o Ateliê Bordado Carioca, onde a Arajany tava se arrumando e propor com cara de enterro: gata, o cavaquinho não vem. Bora casar assim mesmo? 
- Por que você não falou logo?? Eu quero que se foda, me deixa descer, vou casar agora, não quero nem saber!
Assim, levantou a barra do vestido e saiu pela rua toda quebrada rumo a escadaria da Pedra. Lá do alto - porque eu tinha esquecido o rádio transmissor - comecei a sinalizar pra Lívia liberar os padrinhos. Eles entenderam que eu tava dando tchau e passaram a acenar alegremente. A noiva se calçou amparada pela madrinha. A mãe da minha querida amiga faleceu quando ela era menina e a madrinha, essa mãe escolhida pelo destino, entraria com ela. Selecionei as músicas no computador do DJ, tudo do Youtube. Começou a tocar "Pressentimento", Roberta Sá na veia (ouçam!) e ela nem sei como desceu aquelas escadas de saltão, linda! Linda! O buquê de hortências feito à toque de caixa pela sogra. Linda! 

O mundo sempre dará boas vindas aos amantes. 
Celebrado pelo Rafael, meu marido (tadaaaa), o casamento transcorreu com uma leveza e uma beleza que nem sei de onde veio, depois de tanta loucura, desventuras e falta de dinheiro. Quando ela entrou todo mundo aplaudiu, até as pessoas na rua! Parecia final de novela! O Rafa falou umas coisas lindíssimas sobre que mistério é esse do encontro e do amor que vem e acontece? Disse também que através aquela celebração, daquele momento nascido do mistério, Arajany e Diogo nos escolhiam pra que fizéssemos também parte da vida deles, do amor deles. Não sei se consigo explicar a força dessas palavras; era só o que queríamos, fazer parte, ser com eles. 

Dançamos todos a "Dança da cordinha", comemos, bebemos e, obviamente, sambamos - o cara do cavaquinho chegou numa dada hora, nem vi. Arajany em cima dum banco da praça, descalça, dançava delirante e Diogo cantando pra ela. O buquê foi jogado sem hora marcada, por puro furor do momento. Foi simplesmente inacreditável. Tudo podia ter dado errado, entendem? As pessoas diziam que não podia dar certo e foi lá e deu porque eu e ela ralamos pra cacete e porque era pra ser.

No fim, desmontamos tudo e nos despedimos. Não lembro do que falamos uma pra outra, acho que coisas relacionadas a cadeiras e coisas a pagar. O Rafa pegou uns docinhos e eu uma garrafa de espumante que tinha sobrado. Nos duas nos abraçamos e fiquei lá chorando enquanto o carro partia em direção à Zona Portuária. O resto sumiu enquanto esperávamos o ônibus e eu tomava o prosecco no gargalo em frente ao Píer Mauá.



 

Os noivos + Eu e o Rafa: fim de festa, dever cumprido, amizade selada!
Saiu até no Jornal O Dia!! hahahahahaha

FICHA COMPLETA
Vestido: Ateliê Gorete | Véu: Ateliê Gorete + Vou Casar e Panz | Maquiagem: Ju Sales | Sapatos: Sonho dos Pés | Making of: Ateliê Bordado Carioca | Buquê: mãe do noivo | Roupa do Noivo: Saara + Ateliê Gorete | Local da cerimônia e recepção: Botequim Bodega do Sal | Celebrante: Rafael Santana | Decoração: noiva e Vou Casar e Panz | Móveis: Mineirart | Buffet: Trinca-Ferro | Bolo e cupcakes: Doce Sabor | Doces: RR Delícias | Lembrancinhas: Kit ressaca, noiva + Vou Casar e Panz | Convite e papelaria: Vou Casar e Panz (ilustração de Kelly Ratton) | Fotografia: Fabio Moro | Cinegrafia: Flávio Jobim

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