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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Convidando as pessoas para o casamento: dramas, emoções e logísticas de uma tarefa cabulosa

 Aí vocês resolveram casar, pegaram aquele caderno aramado com capa de surfista e começaram a listar os queridos e amados que gostariam de ter presente na celebração do amor. Os pais, os avós, os amigo de sempre, as tias de Goiânia, os primos de Viçosa... é uma maravilha a gente ir listando quem a gente quer bem! Passarinhos azuis sobrevoam a cabeça do casal enquanto os nomes vão se derramando sobre as pautas. Até o surfista da capa sorri!

É então que, repentinamente, o sonho faz catapfot! Sua mãe vira e pergunta:
- E as minhas amigas da igreja? Elas te conhecem desde pequena!
E o gerente do banco diz:
- Não posso liberar um empréstimo de 5 milhões pra pagar o buffet! 
E a cerimonialista diz:
- Mas na sua casa de festas não cabem todos os ex alunos do Sion
E seu noivo diz:
- O moça do café do escritório veio me perguntar do casamento e aí sem querer eu convidei, podia, né?
E o RSVPdo site diz diz:
- Convidados: 200. Confirmados: 60
E sua vizinha noiva diz:
- Tem que colocar convite individual com nome se não todo mundo vai levar peguete, cachorro e papagaio!

Mais uma porrada de gente vai começar a falar coisas aleatórias - e provavelmente escrotas - no seu ouvido porque, como cê já deve ter reparado, casamento é igual barriga de grávida e clube das mulheres: todo mundo quer passar a mão.

O mundo começa a girar, o desespero vai tomando conta e aí tudo o que passa na sua cabeça é: por que mesmo que eu inventei essa merda?? Gata, eu não sei porque a gente inventa essas encrencas, mas se você chegou nessa fase do desespero e das dúvidas a respeito dos convidados, significa que a coisa já tá avançada demais e não vai rolar pegar o ursinho, seu cobertor favorito e sair correndo. Ferrou! Sua única opção agora é: fazer o que tem que ser feito e torcer pra estar viva com seu boy num voo pra Paris ao fim do processo.

O objetivo dessa postagem é traçar um panorama dos problemas e das soluções que envolvem a tarefa de convidar pessoas para o casamento. É importante lembrar que cada caso é um caso e que infelizmente não existe receita de bolo pra essas coisas. Contar com um cerimonial especializado pra analisar sua situação e dar uma força, pode salvar sua vida e poupar dinheiro.

Como montar uma lista de convidados: let's get started baby!
A primeira coisa obvia a fazer é separar os convidados por tipo. A categorização dos convidados pode responder a dois critérios básicos: 1. baseado em quem é convidado de quem e 2. baseado em tipo de vínculo da pessoa.

Quem é convidado de quem
Nesse critério, a lista é dividida entre convidados no noivo, convidados da noiva e, em alguns casos, convidados dos pais de cada para, só a partir daí, serem abertas as sub categorias "amigos", "pessoal do escritório", "pessoal de Goiania".
Para fins de diplomacia, a lista é loteada para que todo mundo tenha uma porcentagem x pré-acordada de convidado. Em casos onde um dos noivos é mais sociável, ou mais cheio de parentes que o outro, o jeito é negociar essa porcentagem. Negociação também é indispensável na situação complexa que se forma quando um dos familiares está colocando grana no casamento e a outra familia - por motivos diversos - não. Sugiro que o casal sente pra conversar francamente sobre o assunto. O mesmo se aplica quando somente os noivos estão custeando a festa, onde, a princípio, a lista fica 50/50 pra cada, mas há parentes ou amigos dos pais que "não podem deixar de ser convidados"

LOTEAMENTO BÁSICO DA LISTA DE CONVIDADOS
Noivo 40%
Noiva 40%
Pais da noiva 10%
Pais do noivo10%
 
Por tipo de vínculo
Essa é a forma básica de fazer listas quando é o casal quem está custeado a festa. AMIGOS, FAMÍLIA DO FULANO, FAMÍLIA DA FULANA, PESSOAL DO FUTEBOL, PESSOAL DO ESCRITÓRIO e etc são algumas labels possíveis.
Recomendo começar sempre pela família e amigos mais próximos pra depois ir abrindo a lista às pessoas com menor convivência ou peso na vida ou do casal ou na de uma das partes. É um saco, mas é importante separar 5% da lista para pessoas que você vai convidar somente por pressão social.

A porcentagem de faltosos
Calcular o número de faltosos não é uma ciência exata. É um trabalho árduo de estatística, sociologia, astrologia, meteorologia e quiromancia. Costumamos calcular que 20% das pessoas convidadas não irão aparecer. Não é porque ela não te ama (às vezes), mas é que sempre vai ter alguém que ficou doente, que vai parir, que vai fazer viagem de negócios etc. Uma amiga minha, por exemplo, não foi porque conheceu um francês; o cara a convidou pra passar um final de semana em Salvador antes dele partir e ela foi néam.. quem nunca?

Coisas que influenciam
A centralidade do local, a proximidade de feriados, a possibilidade ou não de fretar um transportes quando o casamento é longe, eventos futebolísticos, condições climáticas do dia, a antecedência da entrega dos convites, o índice de despirocação dos convidados entre outras.

Vou focar na questão dos convites.
Gente, tenho descoberto o quanto é mais certeira e organizada a estimativa de presentes e faltosos quando a gente começa a pensar os convidados como clientes. Como assim? Ai, não sei explicar direito, é a primeira vez que passo isso pra escrita, mas é mais ou menos o raciocínio seguinte: os convidados/clientes precisam ser seduzidos a comprarem a ideia do casamento. Penso que eles precisam ser convidados não somente pro evento, mas também pra mágica e pra importância do dia. O convite deve ser visto como a última bala, o big shot do casamento. É a partir dele que as pessoas irão sentir e se comprometer com o evento. Ele precisa ser interessante. Quando o convidado pegar o convite ele tem que sacar que ele tá sendo chamado pra um dia imensamente especial e não pra uma reunião de condomínio. Ele tem que sentir - através daquele papel, naquelas cores e naquelas informações - o casal e a história do casal.
Mas pra isso dar certo e também pras pessoas se organizarem pra fazer parte da celebração, o convite precisa ser entregue com antecedência. É importante que 1 mês e meio antes do casório seja a deadline pra que tudo esteja impresso e montado. Indispensável também enviar Save the Date 4 meses antes; não precisa fazer nada complexo, cara (!) só mesmo um aviso delicado de "olha, dia tal a gente vai casar" pra que as pessoas possam organizar sua vida de trabalho, comprar passagem de avião ou mesmo te avisar que, há época, não poderá comparecer. 
Regras de design gráfico para publicidade podem te livrar de grandes dores de cabeça e mesmo de grandes prejus. Evite aqueles convites cheios de relevo dourado e letras manuscritas porque eles são difíceis de ler, exigem maior esforço. Fundo e fontes de cores parecidas também são a maior roubada. Papéis mega brilhantes, fundos cheios de flores e arabescoes loucões também são daora pra ninguém entender porra nenhuma do que tá escrito. 
Um ponto polêmico ainda é o formato da data: aos dezessete de dezembro de dois mil e quatorze às treze horas. pode figurar de maneira bem chique e pomposa. Amo tradições, mas precisamos pensar que vivemos hoje numa sociedade de imagem, o processamento da memória não é mais o mesmo porque convivemos menos com textos do que há 30 anos atrás. Memoriza-se muito mais facilmente 17 de dezembro de 2014 || 13hs.

Fazendo cortes
Nem todo mundo curte a vibe do casamento pra 400 pessoas. Na verdade, como já falamos aqui no blog certa vez, a tendência é a de casamentos menores já que, atualmente, a maioria das celebrações é custeada quase que exclusivamente pelos noivos. A diminuição do número de convidados também tem a ver com as novas formas de socialização e de família.
Infelizmente, essa operação aparentemente simples pode gerar um montão de stress pra vida dos nubentes. 
Na lista do meu casamento, a gente usou 2 critérios principais - para além do fato de que só podíamos ter 90 pessoas presentes - só íamos convidar pessoas que tivessem participado ou que participassem da história dos dois. Nesse escopo, foram cortados todos meus "amigos do bar" e amigos de infância que sumiram no mundo. Parentes mais distantes de ambas as partes e agregados foram igualmente cortados.
O segundo critério era só convidar pessoas que gostaríamos de abraçar nesse dia. No começo foi bem difícil fazer esses vetos principalmente quando eu encontrava na rua uma pessoa cortada X. Nessa hora tem que ter jogo de cintura ou mesmo ser franco (engraçado como ser franco pode soar mal educado nesses momentos): explicava que não ia dar pra chamar todo mundo porque a grana não tava permitindo... Às vezes nem era pela grana, era porque eu não queria convidar aquela pessoa mesmo, mas dane-se, saí colocando tudo na conta do Papa.


É claro que teve barraco de família! É claro que teve gente que apareceu mesmo sem ser convidado! Vou dizer, na hora eu nem liguei. Nos dias seguintes, fiquei putíssima. Hoje a gente vê as fotos e morre de rir.
Aprendi muita coisa sobre as pessoas que me cercam com meu casamento. A gente mistifica muito certos lances em detrimento de ver o que realmente é importante. Se ficarem te olhando de cara feia, abstraia e vá ser feliz.

Os convites individuais
Andaram decretando por aí que os convites individuais caíram em desuso. De coração, bonito eu nunca achei. Parada esquisita, parece ingresso, ticket das barcas. Mas a verdade sobre o mundo é que o brasileiro é um povo que curte festas. A festa é um dos principais traços da nossa cultura e, historicamente, as festas possuem  uma função socializante. Ela não serve só pra comemorar a coisa, mas também pra conhecer gente nova, reforçar laços, marcar estado civil , sair do armário etc. 
É por isso que pra tantas pessoas não faz sentido fazer casamento e não convidar os parentes do Maranhão mesmo que você more há 2mil quilômetros do Maranhão e nunca tenha visto nem foto da parentela. Meu pai responderia prontamente: não conhece, mas vai passar a conhecer! 
É normal também a coisa de "vai ter a festinha de Fulana, bora lá!". Atire a primeira pedra quem nunca foi ao aniversário de alguém que nunca viu na vida.

Isso tudo é muito lindo e orgânico, mas infelizmente casamentos se tornaram absurdamente caros (usando meus clientes como base de dados, cheguei ao total de R$ 380,00 gasto por convidado) e demandam organização pra que as coisas não fiquem loucas, pra que não falte comida, bebida etc. Esse esquema de "vem todo mundo" ficou complicado.... é a aí que entra nosso amigo Convite Individual. Mais do que um "vale night", um ticket de metrô, ele é uma mensagem. Ele diz: só pode ir você e sua mulher. att noivos.

Mas Prill, muita gente burla o individual!! Convidado é muito sem noção!
Antes de mais nada. Vamos parar com esse discurso de "convidado é isso", "convidado é aquilo". Convidados não são um ente cósmico, eles são as pessoas que você está chamando pro seu casamento. Em teoria, são pessoas que vocês amam e querem por perto. Tem os sem noção e os detestáveis sim (aqueles 5% chamados por politicagem?), mas, se a maior parte da sua lista é formada por gente mal caráter, POR QUE VOCÊ ESTÁ CHAMANDO ELES???  Não chama, broder! Ahh, mas vão ficar falando... Deixa falar!! Essa pessoa paga suas contas? Lava suas calcinhas? Então que se exploda! 
Não convide gente escrota! Fim de papo. Simplesmente não faça isso.
 
O convite individual é uma mensagem delicada só pra assegurar que gafes ou mal entendidos sejam evitados e causem desconforto generalizado. Ao entregar os convites, avise que o nome de cada um estará na lista. Sem nome na lista não entra. Se seu melhor amigo arranjou uma namorada semana passada, analise o caso. Se for ok dela ir, pegue o nome e sobrenome. Se você tem amigos que trocam de par a cada fase lunar, analise o caso. Caso dê okey, escreva ao lado do nome dele na lista "+1 acompanhante aleatório".
Em todo caso, incentive seus convidados de maneira objetiva e franca a responderem o pedido de confirmação no site dos noivos. 

Vejo muitas noivas falando sobre colocar nome dos convidados no convite individual. Minha opinião sobre isso é a mesma que eu daria sobre os lugares marcados: pode funcionar para certos públicos, mas, pra maioria, pode soar como grosseria: você tá me chamando de Boça? Acha que vou levar o cachorro da rua pro seu casamento? Em famílias grandes e grupos compactos de amigos onde alguns foram convidados e outros não, a coisa pode virar uma guerra feia. Um outro inconveniente é a perda do convite individual nominal. Se você quer convidar Fulano, mas não Beltrano, diga "quero você, ele não". Por não se comunicar com seu convidado? Por que mandar bilhete ao invés de dizer diretamente? 
Claro, há casos particularmente chatos de resolver. Nesse caso, faça a pessoa complicada saber que é nome na porta e que o segurança vai barrar quaisquer seres aleatórios. Tudo bem que você não contratou equipe de segurança... a pessoa sem noção não precisa saber disso. 

Site do casamento ajudando a convidar
Alguns casais que me procuram dizem que não curtem esse negócio de site de noivos. Pois é, fazer site pode ser meio invasivo, chatinho e até cafona, mas é prático e útil. Tenha um.
Crie um endereço fácil de ser memorizado e escrito. Faça um site agradável de ser visualizado com informações claras e fáceis de serem acessadas.  Evite fundo preto, evite letras miúdas, escreva de maneira gostosa. Convidado >> Cliente. Facilitar a vida de quem quer ir ao seu casamento, disponibilizando informações e etc vai se reverter em muitas coisas boas pra vocês. Alö presentes hahahah ~APAGA~

RSVP
Mas mas mas... sabemos que por mais que o site seja super feliz e convidativo muita gente ainda vai deixar de responder aos pedidos incessantes de confirmação de presença. É unânime entre os profissionais do mercado que brasileiro é um povo que não responde RSVP. Caras, a culpa é toda dos romanos, só digo isso! Realmente somos um povo relax, que acha que vai dar tempo, que acha que não precisa, que já te encontrou na padaria e disse que vai. 
Você estipula uma data final, essa data chega mas aí só 40% dos convidados respondeu. O que faz, chora? Rasga tudo porque esse bagulho de RSVP passivo não serve pra nada? 
Eu acredito que o RSVP do site funciona pra gente ter noção de quem vai - ele também serve para fixar a data e o compromisso de comparecer ao evento na cabeça das pessoas. 
É possível fazer uma estimativa vagabau através do RSVP passivo dobrando o número de confirmados. Mas todos hão de concordar que é no RSVP ativo que a coisa fica mais exata.

O RSVP ativo é um serviço bacana de ser contratado de 20 a 15 dias antes do casamento. Ele consiste em contratar uma pessoa que liga para seus convidados perguntando Então, meu amigo? Vai ou não vai??. Algumas noivas fecham entre si um colaborativo onde uma liga para a lista da outra. Não, meus camaradas, você ligar pros seus próprios convidados não vai dar certo. As pessoas não levam a sério! Vão querer saber como tá essa força, como estão os preparativos. Se ela não pretende ir ao casamento, vai ficar sem graça de te dizer que não vai pra "não fazer desfeita", o mesmo se ela estiver em dúvida. Tem que ser alguém de fora, que seja direto e reto, arranque a verdade. 
 

Destination Wedding
Ah sim! Última coisa: muita gente acha que se fizer um casamento longe de onde os convidados moram o índice de faltosos será necessariamente maior. Ledo engano, amiguinhos! Enfiar uma galera no ônibus (ou na van) gerar comodidade para ida e volta. Os convidados podem, por exemplo, beber à vontade já que não precisarão dirigir ao fim da festa. O esquema basicamente garante que não haverá faltas - ao menos entre aqueles inscritos nos transportes. 
Faça um save the date caprichado e envie-o com ao menos 6 meses de antecedência (o convite também não pode ser pão-com-ovo! Envie-o entre 2 meses e 1 mês e ½ de antecedência). 

Exponha de maneira sedutora e agradável as opções de hospedagem para os convidados se organizarem. Por conta da logística necessária para o deslocamento e pernoite, você já saberá com antecedência folgada quantas pessoas comparecerão. Para os convidados, pode ser aquela desculpa que faltava para passar um final de semana agradável fora da cidade.
 
É isso, amiguinhos...
Espero que essas informações ajudem nas suas sagas casamentísticas

Buena suerte!

**Comentei sobre essas ideias antes de casar, é engraçado repensar nisso... Era uma postagem sobre Orkutização das bodas ;p
** Sobre a diminuição no número de convidados e outros bichos, tem a postagem sobre Casamentos Recessionistas

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O vídeo do meu/nosso casamento

Não vou dizer que parece que foi ontem. Há 1 ano atrás não podíamos imaginar os caminhos loucos pra onde a vida nos levou, não podíamos imaginar que quebraríamos a casa inteira pra montar o talvez-quarto-do-baby ou que eu ia virar cerimonialista, nem que os dias ficariam mais pesados e que a criatividade ia ter de ser acionada com frequência. Que ele teria dificuldades de escrever a dissertação nem que eu fosse descobrir um ninho de formigas mortais dentro do allstar branco, que a Helô e o Spark viajariam até São Gonçalo pra nos visitar, que o problema de coluna da mamãr fosse piorar. 345 dias e quem ia adivinhar um negócio desses.
Foi gostoso receber o vídeo da Etiene pelo correio. Foi um transporte pras lembranças exatamente como disseram que seria: esse dia vai passar, vão ficar as lembranças sempre misturadas a intensidade e ao tédio dos dias, brigas, tesão, passeios ao supermercados e contas. E os pedreiros.

Quero agradecer á galera da Rocha Produções por essa preciosidade, pela memória. A fotografia e a cinegrafia devem ser compostas por aqueles caras capazes de te contar depois como é que foi aquele dia que você viveu tão fora de si como numa experiência extra corpórea, bad-good trip. Taí a gente errado a aliança e eu me sacudindo mais que a Xica da Silva. Pelamor!! LOL

Amor
Prill 
 

sábado, 30 de junho de 2012

Arajany & Diogo: casamento carioca com samba, amor e cerveja

- Se você não me chamasse, eu ia descer assim mesmo. Ia entrar nem que fosse com Parabéns pra você, nem que fosse com Love by grace.
Gosto de ler relatos sobre casamentos. A lembrança da beleza de cada minuto, o quanto a noiva estava nervosa e adorável, os docinhos bem postos, as flores frescas, o lugar nobre e os sorrisos generalizados. Tem sempre aquele brilho, aquela sincronia. Qual o segredo dessas pessoas? Desses casamentos? Serão os profissionais? O tempo de planejamento? A grana investida? 
Talvez seja o relato. São as histórias tranquilas e a perfeição que inspiram; sempre a perfeição...

Alguns de vocês sabem que antes de firmar um acordo com os noivos gosto de aplicar um questionário pra conhecê-los, saber se o que eles desejam tem a ver com as insanidades que proponho, pra saber se teremos uma parceria bacana, se de fato posso ajudar em alguma coisa. Cara, não dá pra saber se quando li o questionário da Arajany e do Diogo eu pensei se podia ajudá-los em algo, se eu era a pessoa competente praquilo. O que posso dizer é que fiquei estarrecida. Deixa ver se consigo explicar... havia uma paixão tão transparente ali que a única coisa que uma pessoa que se interessa por paixões poderia fazer era o que fiz, responder que por mim vocês casavam amanhã, serião. Ela contou seus planos: casariam-se em casa, fariam cataventos, o samba ia rolar pra sempre, a comida seria boa e a cerveja farta. Não sei se é certo misturar pessoalidades com a vida profissional, mas eu estava disposta à tudo. Fiz, faria e faço qualquer coisa para respirar um pouco do ar do amor e da intensidade daqueles dois.

Bem, foi Arajany quem cunhou essa lenda de que sou uma cerimonialista ditadora. Gente, isto não é verdade. Foram os acontecimentos e as contigências que nos levaram ao novo arranjo do casamento. Tá certo, insisti pra caralho numa série de coisas - de algumas me arrependo - mas quero que me digam uma coisa: foi errado bater o pezinho no chão insistindo pra que pensássemos em montar o casamento num bar? Não num bar qualquer, num bar lá na Pedra do Sal, um dos berços do samba, num bar onde Pixinguinha tomava seus gorós? Íamos economizar, seria menos estress familiar (casar em casa gera uma série de complicações, não é pra qualquer um não hein) E a comida? Que tal algo mais animado? Sou ditadora? rsss Começamos a virar a internet pelo avesso em busca de um buffet que oferece comida de boteco voltada prum lance mais arrumadinho e classudo. Pegamos um trem e fomos até Marechal Hermes (!!) provar as iguarias do Trinca Ferro e aí veio o pastelzinho de feijoada, veio uma caponata de berinjela e um bolinho de toscana; a boa recepção dos donos do buffet. É esse!
Verdade que tivemos nossos desentendimentos com os caras e que tenho nem um nem dois, mas uns dez palavrões guardados ao Trinca-Ferro (não por conta do serviço, mas das negociações), mas inegável acho que a coisa deu muito certo. Assim, dissemos adeus aos crepes e olá pra roda de samba com petiscos.

Foram 3 meses delirantes e etílicos que culminaram naquela manhã de sábado em que cheguei à Pedra do Sal às 8 e dez da manhã e a encontrei descarregando as coisas do carro enquanto ia me dando o relatório: aqui tão os docinhos, a gente comprou as hortênsias 8 conto na CADEG, aqui tão os papéis, o buquê estragou, a cabelereira tá me esperando, compramos eucaliptos, não aguento mais fazer cataventos, etc etc... 
- Como?! O buquê estragou?? 
- Foi mal olhado essa porra; ela sentenciou. Não dava pra saber se era cansaço, nervosismo ou simplesmente ódio. Resolvi que o melhor era respeitá-la, não fiz mais perguntas e ela tomou o rumo da cabelereira com aquele bundão de passista.

Deixa eu explicar direito como é que funciona esse negócio de Pedra do Sal. A Pedra é, como diz o nome, uma pedra. Ela fica em frente a um largo, uma espécie de pracinha e é nessa pracinha que funciona o bar do casamento, o Botequim Bodega do Sal que é capitaneado pelo André. Lá costuma rolar semanalmente um sambão de raiz, raiz tr00 sabem? O lugar enche pra cacete, a galera canta com a mão no coração e testa a gravidade se pendurando nos muros da vizinhança. Era ali que ia rolar o casamento. Usaríamos o Bodega como base e a rua como salão. Cheguei a mencionar que todo o bairro em que esta dita pracinha se localiza está em obra, parecendo um queijo suíço? Sim, nesta postagem aqui. Mas, olha, isso era o de menos, já tínhamos nos conformado, o drama inesperado pra mim foi chegar e descobrir que.. bróder! a Pedra tava tomada de sujeira do samba que rolara na noite anterior. Neste momento, neste exato momento, me desesperei.

Pra sorte de todos, minhas ajudantes de Papai Noel, Lívia Jácome e Renata Motta, estavam por lá e iniciamos os trabalhos. Eu e Renata vivendo um dia de princesa tristeza empunhando vassouras e catando chapinha do paralelepípedo com as unhas e a Lívia montando os arranjos florais, entre outras decoratividades. Nem os testemunhas de Jeová que passaram ali pararam pra pregar, ficaram com dó, "deixa as meninas". Uma vizinha ofereceu a mangueira. A população curiosa começou a amontoar num WTF?! de cidade pequena. Duas horas preciosas foram gastas na limpeza e por isso dei graças a Deus quando, faltando 20 minutos pro casamento, disseram que 3 padrinhos não tinham chegado ainda. Diogo estava nervoso, repetia que não queria mais casar, que era muito estressante, passava a mão na testa e suava. A Renata trouxe cerveja pra ele e descolou um ventilador. Lá em baixo na rua (estávamos no 2º andar do bar), a Lívia tentava equilibrar os arranjos de flores enquanto uma ventania doida prometia derrubar tudo. Eu tentava colar o painel de cataventos na parede tombada pelo Patrimônio e pensava se era possível meu pé estar mais preto. 
Desceu a maquiadora, entrou na montagem. A irmã do noivo tirou o salto, pôs uma havaiana e foi agitar o que necessitasse, acalmar o povo, meu marido chegou, os padrinhos chegaram... Chegaram todos? 
Foi aí que veio a bomba.

Cês entendem de samba? Então, a Arajany sonhava entrar ao som de uma roda de samba. Diogo é músico, reuniu o povo,essa parte foi tranquila! Mas você pode fazer samba numa caixa de fósforo, pode levar qualquer coisa simples só no vocal, mas não pode fazer uma noiva entrar na roda de samba se você não tem um cavaquinho. O cavaquinho é a harmonia! Já havia se passado quase duas horas e meia do horário marcado pra chegada dos músicos, até São Jorge já tava posicionado menos o cavaquinho. O músico tinha falado com a gente pelo telefone, já tava chegando, jurou, só precisava pegar o instrumento ali na puta que pariu e já vinha. 
Gelei, morri três vezes, mas era o momento de subir a Pedra, ir até o Ateliê Bordado Carioca, onde a Arajany tava se arrumando e propor com cara de enterro: gata, o cavaquinho não vem. Bora casar assim mesmo? 
- Por que você não falou logo?? Eu quero que se foda, me deixa descer, vou casar agora, não quero nem saber!
Assim, levantou a barra do vestido e saiu pela rua toda quebrada rumo a escadaria da Pedra. Lá do alto - porque eu tinha esquecido o rádio transmissor - comecei a sinalizar pra Lívia liberar os padrinhos. Eles entenderam que eu tava dando tchau e passaram a acenar alegremente. A noiva se calçou amparada pela madrinha. A mãe da minha querida amiga faleceu quando ela era menina e a madrinha, essa mãe escolhida pelo destino, entraria com ela. Selecionei as músicas no computador do DJ, tudo do Youtube. Começou a tocar "Pressentimento", Roberta Sá na veia (ouçam!) e ela nem sei como desceu aquelas escadas de saltão, linda! Linda! O buquê de hortências feito à toque de caixa pela sogra. Linda! 

O mundo sempre dará boas vindas aos amantes. 
Celebrado pelo Rafael, meu marido (tadaaaa), o casamento transcorreu com uma leveza e uma beleza que nem sei de onde veio, depois de tanta loucura, desventuras e falta de dinheiro. Quando ela entrou todo mundo aplaudiu, até as pessoas na rua! Parecia final de novela! O Rafa falou umas coisas lindíssimas sobre que mistério é esse do encontro e do amor que vem e acontece? Disse também que através aquela celebração, daquele momento nascido do mistério, Arajany e Diogo nos escolhiam pra que fizéssemos também parte da vida deles, do amor deles. Não sei se consigo explicar a força dessas palavras; era só o que queríamos, fazer parte, ser com eles. 

Dançamos todos a "Dança da cordinha", comemos, bebemos e, obviamente, sambamos - o cara do cavaquinho chegou numa dada hora, nem vi. Arajany em cima dum banco da praça, descalça, dançava delirante e Diogo cantando pra ela. O buquê foi jogado sem hora marcada, por puro furor do momento. Foi simplesmente inacreditável. Tudo podia ter dado errado, entendem? As pessoas diziam que não podia dar certo e foi lá e deu porque eu e ela ralamos pra cacete e porque era pra ser.

No fim, desmontamos tudo e nos despedimos. Não lembro do que falamos uma pra outra, acho que coisas relacionadas a cadeiras e coisas a pagar. O Rafa pegou uns docinhos e eu uma garrafa de espumante que tinha sobrado. Nos duas nos abraçamos e fiquei lá chorando enquanto o carro partia em direção à Zona Portuária. O resto sumiu enquanto esperávamos o ônibus e eu tomava o prosecco no gargalo em frente ao Píer Mauá.



 

Os noivos + Eu e o Rafa: fim de festa, dever cumprido, amizade selada!
Saiu até no Jornal O Dia!! hahahahahaha

FICHA COMPLETA
Vestido: Ateliê Gorete | Véu: Ateliê Gorete + Vou Casar e Panz | Maquiagem: Ju Sales | Sapatos: Sonho dos Pés | Making of: Ateliê Bordado Carioca | Buquê: mãe do noivo | Roupa do Noivo: Saara + Ateliê Gorete | Local da cerimônia e recepção: Botequim Bodega do Sal | Celebrante: Rafael Santana | Decoração: noiva e Vou Casar e Panz | Móveis: Mineirart | Buffet: Trinca-Ferro | Bolo e cupcakes: Doce Sabor | Doces: RR Delícias | Lembrancinhas: Kit ressaca, noiva + Vou Casar e Panz | Convite e papelaria: Vou Casar e Panz (ilustração de Kelly Ratton) | Fotografia: Fabio Moro | Cinegrafia: Flávio Jobim

sábado, 9 de junho de 2012

Seu casamento, suas regras, seu estilo (é amanhã, hein!)


Trocar ideias, partilhar experiências, conhecer fornecedores que falam no teu coração, chorar pitangas casamentísticas, ver um novo ângulo de tudo. Esta é a ideia essencial que está norteando o nosso 1º Encontro de Casamentos Alternativos e papapa que rola AMANHÃ no Arco do Telles. 

Sem burocracia de feira, sem frescura, sem escrotização da inteligência e sem cafonice mesa de vidro, o dia está sendo preparado com o maior amor pra que possamos concretizar essas coisas todas que temos conversado ao longo desse tempo aí de orkut, blogs, yahoos e facebooks: é possível racionalizar os gastos do seu casamento, é bacana reeditar tradições e é precioso entender a cerimônia do casamento como um momento que reflita a trajetória e a identidade do casal, não a da revista, a do pai, a da mãe ou a da tia Josefa de Macacú.

Espero vê-las e vê-los neste domingo então. Estou animada, monoassunto e sem dormir (daqui a pouco Rafael vai ter um ataque de tanto que to falando no bagulho); acho que estamos todas começando a sair do armário. Já conferiram alguns dos fornecedores que tão integrando a trupe?? No meio dos bons drink e dos docinhos ainda teremos a deliciosa presença de Lu Baratz e seu Bloco Cru. Yes! Yes batucada!

Amor sempre
Prill

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Meu casamento recessionista: decoração y cerimônia en ibagens

Pujantes companheiras de buquê,
temos aí finalmente algumas fotos do casamento! Do casamento mesmo, do bem casado e das cadeiras superfaturadas, da entrada, do beijo, do céu cinza e das cores.
Vejo e revejo mil vezes. Para o bem ou para o mal, este foi meu casamento que fiz com o coração e com as vísceras, que histericamente idealizei e pari pra celebrar meu amor, pra celebrar a beleza e a delicadeza, também a doideira master de viver dias em comum, de construir algo, de ser preso como cúmplice de crimes e mais crimes extremamente sedutores.
Este é resultado dos dias, das noites, das escolhas, das conversas e das ajudas imensas - além da grana gasta [12 mil é a conta provisória, só lembrando, amgs] nos últimos 7 meses.
Quero as ibagens, Amilton!

obs: não reparem o apertado que ficou... tudo culpa daquele tempo :( única coisa triste! era pra ser tudo lá fora, como cês sabem.


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