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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Passo a passo: fazendo um arco de pinwheels pra decor do casamento



Eis que do aquém do além, surge quem?? Não, não é a Prill!! E sim sua assistente (diga-se de passagem, super competente) Gabi Domingues!  Vocês devem me conhece de Em um casamento vintage num domingo de manhã e de A noiva que casou no Zéfiro com vestido blush ;)

Amei tanto criar o meu casamento que agora meto a mão na massa para as outras noivas também :) Nessa postagem vou falar sobre a minha experiência montando um projeto DIY que foi usado num dos casamentos Vou Casar & Panz.
A rosette, roseta, pinwheell ou flor de leque é, basicamente, aquele leque  que a gente aprende a fazer na escola em dias de muito calor; a diferença é que a roseta faz uma volta de 360º.


É super fácil de fazer! - ou super tranquilo de comprar por aí, no caso da falta de tempo, saco ou de habilidade manual. Você encontra em lojas virtuais como >>essa aqui<< e >>essa aqui<<

Você vai precisar de alguns materiais

 A gente pode fazer as rosettes usando  papel crepom, papel colorido comum (Chamequinho e assemelhados), doiles (toalhas rendadas em papel - lindoo), papel de seda ou qualquer outro papel de gramatura até 180g. A escolha das cores vai de acordo com o seu projeto de decoração: vale usar tonalidades diferentes de uma mesma cor ou usar as cores complementares da sua paleta. Estampas também são super bem-vindas cuidado na hora de misturá-las entre si hein!Atenção às instruções:


  • Com uma folha (de papel crepom), você faz dois leques grandes de 48cm de diâmetro, mas pode liberar a criatividade e usar diferentes tamanhos quando você sentir mais segurança no negócio. Assim é legal que você varia o seu backdrop.
  • Abra a folha crepom e corte-a ao meio
  • Vá dobrando em linhas paralelas de 1 ou 2 dedos de largura,  como sanfona, até formar um leque
  • Dobre por toda a extensão de 1m do papel (para um tamanho maior), formando um leque
  • Dobre o leque ao meio e grampeie, assim não perderemos a marcação do centro.
  • Você pode cortar as pontas para arredondá-las, se quiser. Isso deixa com um acabamento bacana, mais clean.
  • Abra-o e grampeie unindo as laterais e formando a flor de leque.

pinwheel - leque de papel crepom - monta encanta07.jpgpinwheel - leque de papel crepom - monta encanta08.jpg
Fonte: Monta Encanta  


Um liiindo backdrop para todos encantar


Primeiro, vamos conhecer (e suspirar por) algumas estruturas feitas em Rosettes. Um backdrop dessas lindezas pode ser utilizado pra compor diferentes ambientes da celebração: fica bacana num photobooth, como fundo da cerimônia (em forma de arco ou como um painel pendurado) ou como fundo para a mesa de bolo. Eles vão bem bem tanto em ambientes internos quanto externos.
São várias possibilidades para esse objeto cenográfico super versátil. Você pode conferir aqui em baixo alguns usos do paper wheel (sim, quero todos pra mim!)


Screen+shot+2012-11-15+at+9.15.46+AM.jpg 
 052L-0275.jpg
3-Pinwheels.jpg

abeautifulmesswedding9_thumb.jpg

Partiu montar o arco!

Na hora que criar o arco eu me fodi  eu me deparei com vários dramas! Foi só partindo pra ação, montando e instalando o bichinho, que consegui aprender realmente como se faz uma estrutura dessas. Não consegui pesquisar antes porque estava numa loucura absurda de obra aqui em casa, sem internet e sem condições mínimas para viver mas, com a ajuda do maridão e minhas habilidades manuais Macgyver, o arco saiu e ficou show!   
Antes de sonhar com um backdrop incrível, a gente precisa ter as medidas exatas para elaborar a estrutura ideal pra cada ocasião e espaço. Com as dimensões definidas, é hora de montar a base do arco. A base (o fundo) do nosso arco foi feito com papel paraná de 300g (usei 2 folhas) + cola Cascorez (eu usei a Cascorez pq era a única disponível mas, eu sugiro a cola quente que fixa super rápido ou cola de contato tipo Brascoplasti que segura tudo e qualquer coisa). Uma tesoura grande é melhor que um estilete, nesse caso, porque serão cortes em curvas e a não ser que você seja ninja das lâminas, a tesoura grande vai ajudar a sua vida. Nota vergonhosa - estava sem minhas tesouras grandes e tive que usar aquela pequena de escola para cortar o papel paraná, resultado: uma queimadura de papel na mão (nunca tive isso e nunca achei que fosse possível! rsrsrs)


O passo a passo da brincadeira fica assim:


  • Em um espaço grande - pode ser no seu quintal, no quarto ou você pode me imitar usando a sala de casa em obra hehehe - esquematize a estrutura nas reais dimensões que ela terá no final e marque o desenho no chão com fita crepe ou giz. Nosso arco teve 2m de altura por 1,5m de largura. 

bastidores1.jpg


  • Corte o papel paraná no tamanho e formato que ficou decidido no chão (eu cortei um arco com 20cm de largura)
  • Recorte o papel paraná em tiras de 20 cm. No caso desse arco foram usadas 5 peças sendo 4 tiras retas que foram as laterais e o “teto”, uma tira arredondada que juntou as duas “colunas” de tiras (quase um U de cabeça para baixo) 

  • Coloque as tiras sobre a fita crepe e dá uma conferida pra ver se serão necessárias adaptações nas curvaturas ou nos tamanhos
  • Coloque as rosetes em cima do papel, mas sem colar ainda gente!!! Só para saber se estão em quantidades necessárias. Crie  a composição do seu arco.
bastidores4.jpgbastidores6.jpg

  • Comece a colar uma por uma as rosettes e deixe secar por 2 h em caso de cola cascorez (cola quente seca na hora!!!) 
  • Nomeie cada parte (atrás) para ajudar na hora da instalação: base 1, base 2, meio 1, teto e etc.  

bastidores3.jpg

 bastidores2.jpg

 Finalmente a instalação

Eu criei com o maridão uns ganchos de arame e colei atrás de cada peça, na hora da montagem acabei nem usando porque o backdrop foi usado num muro cheio de heras e amarramos com fita de juta nos galhos (ficou super preso), mas a ideia do gancho é válida pra outros tipos de parede então fik dik.  
bastidores5.jpg

No final, umas 5 pessoas ajudaram na execução, montagem e críticas. O tempo total que levei para construir de forma confortável, relax e sem pressa foi de um dia. No outro dia consegui levar tudo andando em uma sacola grande. A montagem demorou pela adaptação para o ambiente, mas no final, cantei, chorei...amei! <3 Hoje faria de acordo com o que aconselhei aqui, foi uma loucura montar e conseguir executar esse arco! Então o sofrimento e a insegurança fazem parte...

Dica master: conheça antes o local onde seu arco vai ficar - saiba saber onde ele vai ficar e avalie as condições do espaço pra não ter erro na hora da montagem. Ah sim! Para o casamento onde criamos o arco, a noiva optou por comprar as rosettes no Etsy e depois, percebendo que a quantidade que tínhamos ainda deixava o espaço meio vazio, precisamos dobrar algumas na hora OU SEJA: leve papel extra! 




sábado, 30 de junho de 2012

Arajany & Diogo: casamento carioca com samba, amor e cerveja

- Se você não me chamasse, eu ia descer assim mesmo. Ia entrar nem que fosse com Parabéns pra você, nem que fosse com Love by grace.
Gosto de ler relatos sobre casamentos. A lembrança da beleza de cada minuto, o quanto a noiva estava nervosa e adorável, os docinhos bem postos, as flores frescas, o lugar nobre e os sorrisos generalizados. Tem sempre aquele brilho, aquela sincronia. Qual o segredo dessas pessoas? Desses casamentos? Serão os profissionais? O tempo de planejamento? A grana investida? 
Talvez seja o relato. São as histórias tranquilas e a perfeição que inspiram; sempre a perfeição...

Alguns de vocês sabem que antes de firmar um acordo com os noivos gosto de aplicar um questionário pra conhecê-los, saber se o que eles desejam tem a ver com as insanidades que proponho, pra saber se teremos uma parceria bacana, se de fato posso ajudar em alguma coisa. Cara, não dá pra saber se quando li o questionário da Arajany e do Diogo eu pensei se podia ajudá-los em algo, se eu era a pessoa competente praquilo. O que posso dizer é que fiquei estarrecida. Deixa ver se consigo explicar... havia uma paixão tão transparente ali que a única coisa que uma pessoa que se interessa por paixões poderia fazer era o que fiz, responder que por mim vocês casavam amanhã, serião. Ela contou seus planos: casariam-se em casa, fariam cataventos, o samba ia rolar pra sempre, a comida seria boa e a cerveja farta. Não sei se é certo misturar pessoalidades com a vida profissional, mas eu estava disposta à tudo. Fiz, faria e faço qualquer coisa para respirar um pouco do ar do amor e da intensidade daqueles dois.

Bem, foi Arajany quem cunhou essa lenda de que sou uma cerimonialista ditadora. Gente, isto não é verdade. Foram os acontecimentos e as contigências que nos levaram ao novo arranjo do casamento. Tá certo, insisti pra caralho numa série de coisas - de algumas me arrependo - mas quero que me digam uma coisa: foi errado bater o pezinho no chão insistindo pra que pensássemos em montar o casamento num bar? Não num bar qualquer, num bar lá na Pedra do Sal, um dos berços do samba, num bar onde Pixinguinha tomava seus gorós? Íamos economizar, seria menos estress familiar (casar em casa gera uma série de complicações, não é pra qualquer um não hein) E a comida? Que tal algo mais animado? Sou ditadora? rsss Começamos a virar a internet pelo avesso em busca de um buffet que oferece comida de boteco voltada prum lance mais arrumadinho e classudo. Pegamos um trem e fomos até Marechal Hermes (!!) provar as iguarias do Trinca Ferro e aí veio o pastelzinho de feijoada, veio uma caponata de berinjela e um bolinho de toscana; a boa recepção dos donos do buffet. É esse!
Verdade que tivemos nossos desentendimentos com os caras e que tenho nem um nem dois, mas uns dez palavrões guardados ao Trinca-Ferro (não por conta do serviço, mas das negociações), mas inegável acho que a coisa deu muito certo. Assim, dissemos adeus aos crepes e olá pra roda de samba com petiscos.

Foram 3 meses delirantes e etílicos que culminaram naquela manhã de sábado em que cheguei à Pedra do Sal às 8 e dez da manhã e a encontrei descarregando as coisas do carro enquanto ia me dando o relatório: aqui tão os docinhos, a gente comprou as hortênsias 8 conto na CADEG, aqui tão os papéis, o buquê estragou, a cabelereira tá me esperando, compramos eucaliptos, não aguento mais fazer cataventos, etc etc... 
- Como?! O buquê estragou?? 
- Foi mal olhado essa porra; ela sentenciou. Não dava pra saber se era cansaço, nervosismo ou simplesmente ódio. Resolvi que o melhor era respeitá-la, não fiz mais perguntas e ela tomou o rumo da cabelereira com aquele bundão de passista.

Deixa eu explicar direito como é que funciona esse negócio de Pedra do Sal. A Pedra é, como diz o nome, uma pedra. Ela fica em frente a um largo, uma espécie de pracinha e é nessa pracinha que funciona o bar do casamento, o Botequim Bodega do Sal que é capitaneado pelo André. Lá costuma rolar semanalmente um sambão de raiz, raiz tr00 sabem? O lugar enche pra cacete, a galera canta com a mão no coração e testa a gravidade se pendurando nos muros da vizinhança. Era ali que ia rolar o casamento. Usaríamos o Bodega como base e a rua como salão. Cheguei a mencionar que todo o bairro em que esta dita pracinha se localiza está em obra, parecendo um queijo suíço? Sim, nesta postagem aqui. Mas, olha, isso era o de menos, já tínhamos nos conformado, o drama inesperado pra mim foi chegar e descobrir que.. bróder! a Pedra tava tomada de sujeira do samba que rolara na noite anterior. Neste momento, neste exato momento, me desesperei.

Pra sorte de todos, minhas ajudantes de Papai Noel, Lívia Jácome e Renata Motta, estavam por lá e iniciamos os trabalhos. Eu e Renata vivendo um dia de princesa tristeza empunhando vassouras e catando chapinha do paralelepípedo com as unhas e a Lívia montando os arranjos florais, entre outras decoratividades. Nem os testemunhas de Jeová que passaram ali pararam pra pregar, ficaram com dó, "deixa as meninas". Uma vizinha ofereceu a mangueira. A população curiosa começou a amontoar num WTF?! de cidade pequena. Duas horas preciosas foram gastas na limpeza e por isso dei graças a Deus quando, faltando 20 minutos pro casamento, disseram que 3 padrinhos não tinham chegado ainda. Diogo estava nervoso, repetia que não queria mais casar, que era muito estressante, passava a mão na testa e suava. A Renata trouxe cerveja pra ele e descolou um ventilador. Lá em baixo na rua (estávamos no 2º andar do bar), a Lívia tentava equilibrar os arranjos de flores enquanto uma ventania doida prometia derrubar tudo. Eu tentava colar o painel de cataventos na parede tombada pelo Patrimônio e pensava se era possível meu pé estar mais preto. 
Desceu a maquiadora, entrou na montagem. A irmã do noivo tirou o salto, pôs uma havaiana e foi agitar o que necessitasse, acalmar o povo, meu marido chegou, os padrinhos chegaram... Chegaram todos? 
Foi aí que veio a bomba.

Cês entendem de samba? Então, a Arajany sonhava entrar ao som de uma roda de samba. Diogo é músico, reuniu o povo,essa parte foi tranquila! Mas você pode fazer samba numa caixa de fósforo, pode levar qualquer coisa simples só no vocal, mas não pode fazer uma noiva entrar na roda de samba se você não tem um cavaquinho. O cavaquinho é a harmonia! Já havia se passado quase duas horas e meia do horário marcado pra chegada dos músicos, até São Jorge já tava posicionado menos o cavaquinho. O músico tinha falado com a gente pelo telefone, já tava chegando, jurou, só precisava pegar o instrumento ali na puta que pariu e já vinha. 
Gelei, morri três vezes, mas era o momento de subir a Pedra, ir até o Ateliê Bordado Carioca, onde a Arajany tava se arrumando e propor com cara de enterro: gata, o cavaquinho não vem. Bora casar assim mesmo? 
- Por que você não falou logo?? Eu quero que se foda, me deixa descer, vou casar agora, não quero nem saber!
Assim, levantou a barra do vestido e saiu pela rua toda quebrada rumo a escadaria da Pedra. Lá do alto - porque eu tinha esquecido o rádio transmissor - comecei a sinalizar pra Lívia liberar os padrinhos. Eles entenderam que eu tava dando tchau e passaram a acenar alegremente. A noiva se calçou amparada pela madrinha. A mãe da minha querida amiga faleceu quando ela era menina e a madrinha, essa mãe escolhida pelo destino, entraria com ela. Selecionei as músicas no computador do DJ, tudo do Youtube. Começou a tocar "Pressentimento", Roberta Sá na veia (ouçam!) e ela nem sei como desceu aquelas escadas de saltão, linda! Linda! O buquê de hortências feito à toque de caixa pela sogra. Linda! 

O mundo sempre dará boas vindas aos amantes. 
Celebrado pelo Rafael, meu marido (tadaaaa), o casamento transcorreu com uma leveza e uma beleza que nem sei de onde veio, depois de tanta loucura, desventuras e falta de dinheiro. Quando ela entrou todo mundo aplaudiu, até as pessoas na rua! Parecia final de novela! O Rafa falou umas coisas lindíssimas sobre que mistério é esse do encontro e do amor que vem e acontece? Disse também que através aquela celebração, daquele momento nascido do mistério, Arajany e Diogo nos escolhiam pra que fizéssemos também parte da vida deles, do amor deles. Não sei se consigo explicar a força dessas palavras; era só o que queríamos, fazer parte, ser com eles. 

Dançamos todos a "Dança da cordinha", comemos, bebemos e, obviamente, sambamos - o cara do cavaquinho chegou numa dada hora, nem vi. Arajany em cima dum banco da praça, descalça, dançava delirante e Diogo cantando pra ela. O buquê foi jogado sem hora marcada, por puro furor do momento. Foi simplesmente inacreditável. Tudo podia ter dado errado, entendem? As pessoas diziam que não podia dar certo e foi lá e deu porque eu e ela ralamos pra cacete e porque era pra ser.

No fim, desmontamos tudo e nos despedimos. Não lembro do que falamos uma pra outra, acho que coisas relacionadas a cadeiras e coisas a pagar. O Rafa pegou uns docinhos e eu uma garrafa de espumante que tinha sobrado. Nos duas nos abraçamos e fiquei lá chorando enquanto o carro partia em direção à Zona Portuária. O resto sumiu enquanto esperávamos o ônibus e eu tomava o prosecco no gargalo em frente ao Píer Mauá.



 

Os noivos + Eu e o Rafa: fim de festa, dever cumprido, amizade selada!
Saiu até no Jornal O Dia!! hahahahahaha

FICHA COMPLETA
Vestido: Ateliê Gorete | Véu: Ateliê Gorete + Vou Casar e Panz | Maquiagem: Ju Sales | Sapatos: Sonho dos Pés | Making of: Ateliê Bordado Carioca | Buquê: mãe do noivo | Roupa do Noivo: Saara + Ateliê Gorete | Local da cerimônia e recepção: Botequim Bodega do Sal | Celebrante: Rafael Santana | Decoração: noiva e Vou Casar e Panz | Móveis: Mineirart | Buffet: Trinca-Ferro | Bolo e cupcakes: Doce Sabor | Doces: RR Delícias | Lembrancinhas: Kit ressaca, noiva + Vou Casar e Panz | Convite e papelaria: Vou Casar e Panz (ilustração de Kelly Ratton) | Fotografia: Fabio Moro | Cinegrafia: Flávio Jobim

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Making of da senhora Arajany: pedaços do amor que surge do nada e os reveses de um casamento no meio da rua

As outras pretas que me perdoem, mas Arajany é fundamental

Qualquer coisa estranha está por aí conduzindo a vida das pessoas. Há 4, três anos, quem é que podia me dizer que, ao invés de estar aplicada num doutorado e afogada nos papéis centenários sobre a escravidão no Brasil Império, eu estaria no Méier montando um véu com os olhos passando da noiva pros desenhos do Debret. Uma ideia louca, eu ainda não sei como nem porque a Arajany achou que fazia todo sentido.

A gente se conheceu numa noite entre a Rua do Ouvidor e a Rio Branco. Chovia e cês sabem que o Rio quando chove se torna uma cidade maravilhosa pra gente passear, só que não. A van me deixou lá na puta que pariu na Central, mas, beleza, vamos andar até a Praça XV de salto alto? Fiquei na calçada procurando o sinal do céu que ia trazer uma preta de cabelão Thaís Araújo e aí ela apareceu preu morrer de inveja.
Finquei escritório no sebo/cafeteria/boteco onde costumo atender as meninas, pus a papelada necessária em cima da mesa e mandei a pergunta mais importante da noite:
- Vem cá, teu nome é Arajany por causa de que?
Mas fui surpreendida, ela foi e respondeu com uma pergunta ainda mais importante no meio daquela noite abafada do cacete:
- Vem cá, tá permitido pedir uma cerveja?

Foi assim que a conheci, naquele dia junto ao mar e, desde então, eu sei lá, tô presa em algum encanto e já não consigo imaginar minha vida sem o encanto, graça e amizade dessa menina; minha vida fora da vida dela, fora da sua história. Qualquer coisa estranha está por aí conduzindo esse Braziu.

Depois, quando saírem as fotos do casamento pra valer, eu paro pra explicar direito como é que foi que um uma recepção com crepes em Belford Roxo se transformou numa roda de samba com pastel de feijoada no Morro da Conceição. Por hora, queria falar aí desse making of.

Cara, eu ando dizendo pra todo mundo que não me interessa trabalhar com casamento normal, com tudo certinho. Eu gosto é do abacaxi, do complicado, do gasto. É por isso que me deleitei arrancando os cabelos pra descobrir onde é que a noiva ia poder se arrumar.
Cês foram recentemente na Sacadura Cabral? Pois não percam tempo! A rua está toda escavada, cercada com uma rede laranja de obras e fitas de NÃO ULTRAPASSE da Defesa Civil e, se debruçando nelas, você vai poder admirar as pedras de praia que pertenciam ao recifes da Baía da Guanabara quando o mar ia até lá. É lindo! Lindo! Só que a porra da rua tá toda quebrada, poeirenta, pedregosa, tá o inferno broder! O que eu queria dizer é que 1. não tinha onde a noiva se arrumar, 2. não tinha como a noiva chegar lá de carro e 3. íamos fazer um casamento no meio da rua pedindo dá licença pros pedreiros.

 


Foi no dia em que a gente resolveu ir lá ensaiar a descida da Arajany na Pedra do Sal (14cm de salto agulha) que rolou essa constatação de que as obras tinham quebrado parte do Morro e emplodido parte da rua por onde ela chegaria/entraria. Nos olhamos desoladas. Mentira, ela me olhou com cara de "vou matar você, sua desgraçada!" e eu a olhei com cara de ¯\_(ツ)_/¯

Mas, não mais que de repente, eis que surgiu um Oasis, um Elvis Presley na nossa frente: o Atelier Bordado Carioca. Sim! Ali haveria uma mulher de bom coração que cedesse rapidinho ali uma sala, um lavabo pra pobrezinha da noiva se vestir. Bati na casa da Dora interrompendo a novela e já despejando o problema seguido de mil pelo amor de deus e ela, sabe, super tranquila: mas, gente, tá um pouco bagunçado lá! 
Segui-a até o atelier na Rua Jôgo da Bola (com acento!) e fui apresentada aos trabalhos das meninas apontando quero isso, isso aqui também e esse passador de galinhas... O lugar era uma doçura! Cara, já tava tudo muito bom, muito incrível quando fui conhecer o subsolo da casa construído nos idos mil oitocentos e minha tataravó dança jongo, com tijolos maciços, alçapões e todo o ordenamento dos cômodos mantidos originais. O cheiro de século dezenove, o peso do ar. Tinha que ser ali!

 


A Dora foi muito mais do que "a moça dona do Atelier", foi uma anfitriã delicada e atenciosa, a pessoa certa no lugar certo, foi aquilo que passa na nossa cabeça quando imaginamos bordadeiras e paninhos de prato de patchwork. Acalmou a noiva nos momentos de aflição que se formaram na 1h de atraso do casamento, arranjou uma cervejinha, acolheu os meninos da filmagem e da foto. Te agradeço imensamente, Dora! Acho que todas nós vamos querer conhecer seu espaço e suas artes!

Buenas, então foi isso. Durante 3 horas o Atelier Bordado Carioca foi invadido por levas de gente histérica, gente talentosa, equipe de cerimonial mambembe e outros bichos. A Gorete vestiu a noiva e montou na hora o arranjo de cabelo que tínhamos projetado dias antes  (porque Gorete é ídala), a Ju Sales aplicou o make,  contou piadas e mentiras piedosas enquanto eu, desesperada, tentava fazer o painel da mesa de doces colar numa parede tombada pelo IPHAN.  Plus: ao meu lado, o noivo fazia seu making of cercado por seus amigos negões sem camisa. Apenas isso.

Fabio Moro registrou com seu olhar antropológico o que foi essa manhã/tarde preparada pelo destino, pelos deuses, pelos orixás e por quem mais que esteja controlando essa maluquice toda. Ao som de Mallu Magalhães, o slide show a la S. Salgado.


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