quinta-feira, 11 de julho de 2013

Convidando as pessoas para o casamento: dramas, emoções e logísticas de uma tarefa cabulosa

 Aí vocês resolveram casar, pegaram aquele caderno aramado com capa de surfista e começaram a listar os queridos e amados que gostariam de ter presente na celebração do amor. Os pais, os avós, os amigo de sempre, as tias de Goiânia, os primos de Viçosa... é uma maravilha a gente ir listando quem a gente quer bem! Passarinhos azuis sobrevoam a cabeça do casal enquanto os nomes vão se derramando sobre as pautas. Até o surfista da capa sorri!

É então que, repentinamente, o sonho faz catapfot! Sua mãe vira e pergunta:
- E as minhas amigas da igreja? Elas te conhecem desde pequena!
E o gerente do banco diz:
- Não posso liberar um empréstimo de 5 milhões pra pagar o buffet! 
E a cerimonialista diz:
- Mas na sua casa de festas não cabem todos os ex alunos do Sion
E seu noivo diz:
- O moça do café do escritório veio me perguntar do casamento e aí sem querer eu convidei, podia, né?
E o RSVPdo site diz diz:
- Convidados: 200. Confirmados: 60
E sua vizinha noiva diz:
- Tem que colocar convite individual com nome se não todo mundo vai levar peguete, cachorro e papagaio!

Mais uma porrada de gente vai começar a falar coisas aleatórias - e provavelmente escrotas - no seu ouvido porque, como cê já deve ter reparado, casamento é igual barriga de grávida e clube das mulheres: todo mundo quer passar a mão.

O mundo começa a girar, o desespero vai tomando conta e aí tudo o que passa na sua cabeça é: por que mesmo que eu inventei essa merda?? Gata, eu não sei porque a gente inventa essas encrencas, mas se você chegou nessa fase do desespero e das dúvidas a respeito dos convidados, significa que a coisa já tá avançada demais e não vai rolar pegar o ursinho, seu cobertor favorito e sair correndo. Ferrou! Sua única opção agora é: fazer o que tem que ser feito e torcer pra estar viva com seu boy num voo pra Paris ao fim do processo.

O objetivo dessa postagem é traçar um panorama dos problemas e das soluções que envolvem a tarefa de convidar pessoas para o casamento. É importante lembrar que cada caso é um caso e que infelizmente não existe receita de bolo pra essas coisas. Contar com um cerimonial especializado pra analisar sua situação e dar uma força, pode salvar sua vida e poupar dinheiro.

Como montar uma lista de convidados: let's get started baby!
A primeira coisa obvia a fazer é separar os convidados por tipo. A categorização dos convidados pode responder a dois critérios básicos: 1. baseado em quem é convidado de quem e 2. baseado em tipo de vínculo da pessoa.

Quem é convidado de quem
Nesse critério, a lista é dividida entre convidados no noivo, convidados da noiva e, em alguns casos, convidados dos pais de cada para, só a partir daí, serem abertas as sub categorias "amigos", "pessoal do escritório", "pessoal de Goiania".
Para fins de diplomacia, a lista é loteada para que todo mundo tenha uma porcentagem x pré-acordada de convidado. Em casos onde um dos noivos é mais sociável, ou mais cheio de parentes que o outro, o jeito é negociar essa porcentagem. Negociação também é indispensável na situação complexa que se forma quando um dos familiares está colocando grana no casamento e a outra familia - por motivos diversos - não. Sugiro que o casal sente pra conversar francamente sobre o assunto. O mesmo se aplica quando somente os noivos estão custeando a festa, onde, a princípio, a lista fica 50/50 pra cada, mas há parentes ou amigos dos pais que "não podem deixar de ser convidados"

LOTEAMENTO BÁSICO DA LISTA DE CONVIDADOS
Noivo 40%
Noiva 40%
Pais da noiva 10%
Pais do noivo10%
 
Por tipo de vínculo
Essa é a forma básica de fazer listas quando é o casal quem está custeado a festa. AMIGOS, FAMÍLIA DO FULANO, FAMÍLIA DA FULANA, PESSOAL DO FUTEBOL, PESSOAL DO ESCRITÓRIO e etc são algumas labels possíveis.
Recomendo começar sempre pela família e amigos mais próximos pra depois ir abrindo a lista às pessoas com menor convivência ou peso na vida ou do casal ou na de uma das partes. É um saco, mas é importante separar 5% da lista para pessoas que você vai convidar somente por pressão social.

A porcentagem de faltosos
Calcular o número de faltosos não é uma ciência exata. É um trabalho árduo de estatística, sociologia, astrologia, meteorologia e quiromancia. Costumamos calcular que 20% das pessoas convidadas não irão aparecer. Não é porque ela não te ama (às vezes), mas é que sempre vai ter alguém que ficou doente, que vai parir, que vai fazer viagem de negócios etc. Uma amiga minha, por exemplo, não foi porque conheceu um francês; o cara a convidou pra passar um final de semana em Salvador antes dele partir e ela foi néam.. quem nunca?

Coisas que influenciam
A centralidade do local, a proximidade de feriados, a possibilidade ou não de fretar um transportes quando o casamento é longe, eventos futebolísticos, condições climáticas do dia, a antecedência da entrega dos convites, o índice de despirocação dos convidados entre outras.

Vou focar na questão dos convites.
Gente, tenho descoberto o quanto é mais certeira e organizada a estimativa de presentes e faltosos quando a gente começa a pensar os convidados como clientes. Como assim? Ai, não sei explicar direito, é a primeira vez que passo isso pra escrita, mas é mais ou menos o raciocínio seguinte: os convidados/clientes precisam ser seduzidos a comprarem a ideia do casamento. Penso que eles precisam ser convidados não somente pro evento, mas também pra mágica e pra importância do dia. O convite deve ser visto como a última bala, o big shot do casamento. É a partir dele que as pessoas irão sentir e se comprometer com o evento. Ele precisa ser interessante. Quando o convidado pegar o convite ele tem que sacar que ele tá sendo chamado pra um dia imensamente especial e não pra uma reunião de condomínio. Ele tem que sentir - através daquele papel, naquelas cores e naquelas informações - o casal e a história do casal.
Mas pra isso dar certo e também pras pessoas se organizarem pra fazer parte da celebração, o convite precisa ser entregue com antecedência. É importante que 1 mês e meio antes do casório seja a deadline pra que tudo esteja impresso e montado. Indispensável também enviar Save the Date 4 meses antes; não precisa fazer nada complexo, cara (!) só mesmo um aviso delicado de "olha, dia tal a gente vai casar" pra que as pessoas possam organizar sua vida de trabalho, comprar passagem de avião ou mesmo te avisar que, há época, não poderá comparecer. 
Regras de design gráfico para publicidade podem te livrar de grandes dores de cabeça e mesmo de grandes prejus. Evite aqueles convites cheios de relevo dourado e letras manuscritas porque eles são difíceis de ler, exigem maior esforço. Fundo e fontes de cores parecidas também são a maior roubada. Papéis mega brilhantes, fundos cheios de flores e arabescoes loucões também são daora pra ninguém entender porra nenhuma do que tá escrito. 
Um ponto polêmico ainda é o formato da data: aos dezessete de dezembro de dois mil e quatorze às treze horas. pode figurar de maneira bem chique e pomposa. Amo tradições, mas precisamos pensar que vivemos hoje numa sociedade de imagem, o processamento da memória não é mais o mesmo porque convivemos menos com textos do que há 30 anos atrás. Memoriza-se muito mais facilmente 17 de dezembro de 2014 || 13hs.

Fazendo cortes
Nem todo mundo curte a vibe do casamento pra 400 pessoas. Na verdade, como já falamos aqui no blog certa vez, a tendência é a de casamentos menores já que, atualmente, a maioria das celebrações é custeada quase que exclusivamente pelos noivos. A diminuição do número de convidados também tem a ver com as novas formas de socialização e de família.
Infelizmente, essa operação aparentemente simples pode gerar um montão de stress pra vida dos nubentes. 
Na lista do meu casamento, a gente usou 2 critérios principais - para além do fato de que só podíamos ter 90 pessoas presentes - só íamos convidar pessoas que tivessem participado ou que participassem da história dos dois. Nesse escopo, foram cortados todos meus "amigos do bar" e amigos de infância que sumiram no mundo. Parentes mais distantes de ambas as partes e agregados foram igualmente cortados.
O segundo critério era só convidar pessoas que gostaríamos de abraçar nesse dia. No começo foi bem difícil fazer esses vetos principalmente quando eu encontrava na rua uma pessoa cortada X. Nessa hora tem que ter jogo de cintura ou mesmo ser franco (engraçado como ser franco pode soar mal educado nesses momentos): explicava que não ia dar pra chamar todo mundo porque a grana não tava permitindo... Às vezes nem era pela grana, era porque eu não queria convidar aquela pessoa mesmo, mas dane-se, saí colocando tudo na conta do Papa.


É claro que teve barraco de família! É claro que teve gente que apareceu mesmo sem ser convidado! Vou dizer, na hora eu nem liguei. Nos dias seguintes, fiquei putíssima. Hoje a gente vê as fotos e morre de rir.
Aprendi muita coisa sobre as pessoas que me cercam com meu casamento. A gente mistifica muito certos lances em detrimento de ver o que realmente é importante. Se ficarem te olhando de cara feia, abstraia e vá ser feliz.

Os convites individuais
Andaram decretando por aí que os convites individuais caíram em desuso. De coração, bonito eu nunca achei. Parada esquisita, parece ingresso, ticket das barcas. Mas a verdade sobre o mundo é que o brasileiro é um povo que curte festas. A festa é um dos principais traços da nossa cultura e, historicamente, as festas possuem  uma função socializante. Ela não serve só pra comemorar a coisa, mas também pra conhecer gente nova, reforçar laços, marcar estado civil , sair do armário etc. 
É por isso que pra tantas pessoas não faz sentido fazer casamento e não convidar os parentes do Maranhão mesmo que você more há 2mil quilômetros do Maranhão e nunca tenha visto nem foto da parentela. Meu pai responderia prontamente: não conhece, mas vai passar a conhecer! 
É normal também a coisa de "vai ter a festinha de Fulana, bora lá!". Atire a primeira pedra quem nunca foi ao aniversário de alguém que nunca viu na vida.

Isso tudo é muito lindo e orgânico, mas infelizmente casamentos se tornaram absurdamente caros (usando meus clientes como base de dados, cheguei ao total de R$ 380,00 gasto por convidado) e demandam organização pra que as coisas não fiquem loucas, pra que não falte comida, bebida etc. Esse esquema de "vem todo mundo" ficou complicado.... é a aí que entra nosso amigo Convite Individual. Mais do que um "vale night", um ticket de metrô, ele é uma mensagem. Ele diz: só pode ir você e sua mulher. att noivos.

Mas Prill, muita gente burla o individual!! Convidado é muito sem noção!
Antes de mais nada. Vamos parar com esse discurso de "convidado é isso", "convidado é aquilo". Convidados não são um ente cósmico, eles são as pessoas que você está chamando pro seu casamento. Em teoria, são pessoas que vocês amam e querem por perto. Tem os sem noção e os detestáveis sim (aqueles 5% chamados por politicagem?), mas, se a maior parte da sua lista é formada por gente mal caráter, POR QUE VOCÊ ESTÁ CHAMANDO ELES???  Não chama, broder! Ahh, mas vão ficar falando... Deixa falar!! Essa pessoa paga suas contas? Lava suas calcinhas? Então que se exploda! 
Não convide gente escrota! Fim de papo. Simplesmente não faça isso.
 
O convite individual é uma mensagem delicada só pra assegurar que gafes ou mal entendidos sejam evitados e causem desconforto generalizado. Ao entregar os convites, avise que o nome de cada um estará na lista. Sem nome na lista não entra. Se seu melhor amigo arranjou uma namorada semana passada, analise o caso. Se for ok dela ir, pegue o nome e sobrenome. Se você tem amigos que trocam de par a cada fase lunar, analise o caso. Caso dê okey, escreva ao lado do nome dele na lista "+1 acompanhante aleatório".
Em todo caso, incentive seus convidados de maneira objetiva e franca a responderem o pedido de confirmação no site dos noivos. 

Vejo muitas noivas falando sobre colocar nome dos convidados no convite individual. Minha opinião sobre isso é a mesma que eu daria sobre os lugares marcados: pode funcionar para certos públicos, mas, pra maioria, pode soar como grosseria: você tá me chamando de Boça? Acha que vou levar o cachorro da rua pro seu casamento? Em famílias grandes e grupos compactos de amigos onde alguns foram convidados e outros não, a coisa pode virar uma guerra feia. Um outro inconveniente é a perda do convite individual nominal. Se você quer convidar Fulano, mas não Beltrano, diga "quero você, ele não". Por não se comunicar com seu convidado? Por que mandar bilhete ao invés de dizer diretamente? 
Claro, há casos particularmente chatos de resolver. Nesse caso, faça a pessoa complicada saber que é nome na porta e que o segurança vai barrar quaisquer seres aleatórios. Tudo bem que você não contratou equipe de segurança... a pessoa sem noção não precisa saber disso. 

Site do casamento ajudando a convidar
Alguns casais que me procuram dizem que não curtem esse negócio de site de noivos. Pois é, fazer site pode ser meio invasivo, chatinho e até cafona, mas é prático e útil. Tenha um.
Crie um endereço fácil de ser memorizado e escrito. Faça um site agradável de ser visualizado com informações claras e fáceis de serem acessadas.  Evite fundo preto, evite letras miúdas, escreva de maneira gostosa. Convidado >> Cliente. Facilitar a vida de quem quer ir ao seu casamento, disponibilizando informações e etc vai se reverter em muitas coisas boas pra vocês. Alö presentes hahahah ~APAGA~

RSVP
Mas mas mas... sabemos que por mais que o site seja super feliz e convidativo muita gente ainda vai deixar de responder aos pedidos incessantes de confirmação de presença. É unânime entre os profissionais do mercado que brasileiro é um povo que não responde RSVP. Caras, a culpa é toda dos romanos, só digo isso! Realmente somos um povo relax, que acha que vai dar tempo, que acha que não precisa, que já te encontrou na padaria e disse que vai. 
Você estipula uma data final, essa data chega mas aí só 40% dos convidados respondeu. O que faz, chora? Rasga tudo porque esse bagulho de RSVP passivo não serve pra nada? 
Eu acredito que o RSVP do site funciona pra gente ter noção de quem vai - ele também serve para fixar a data e o compromisso de comparecer ao evento na cabeça das pessoas. 
É possível fazer uma estimativa vagabau através do RSVP passivo dobrando o número de confirmados. Mas todos hão de concordar que é no RSVP ativo que a coisa fica mais exata.

O RSVP ativo é um serviço bacana de ser contratado de 20 a 15 dias antes do casamento. Ele consiste em contratar uma pessoa que liga para seus convidados perguntando Então, meu amigo? Vai ou não vai??. Algumas noivas fecham entre si um colaborativo onde uma liga para a lista da outra. Não, meus camaradas, você ligar pros seus próprios convidados não vai dar certo. As pessoas não levam a sério! Vão querer saber como tá essa força, como estão os preparativos. Se ela não pretende ir ao casamento, vai ficar sem graça de te dizer que não vai pra "não fazer desfeita", o mesmo se ela estiver em dúvida. Tem que ser alguém de fora, que seja direto e reto, arranque a verdade. 
 

Destination Wedding
Ah sim! Última coisa: muita gente acha que se fizer um casamento longe de onde os convidados moram o índice de faltosos será necessariamente maior. Ledo engano, amiguinhos! Enfiar uma galera no ônibus (ou na van) gerar comodidade para ida e volta. Os convidados podem, por exemplo, beber à vontade já que não precisarão dirigir ao fim da festa. O esquema basicamente garante que não haverá faltas - ao menos entre aqueles inscritos nos transportes. 
Faça um save the date caprichado e envie-o com ao menos 6 meses de antecedência (o convite também não pode ser pão-com-ovo! Envie-o entre 2 meses e 1 mês e ½ de antecedência). 

Exponha de maneira sedutora e agradável as opções de hospedagem para os convidados se organizarem. Por conta da logística necessária para o deslocamento e pernoite, você já saberá com antecedência folgada quantas pessoas comparecerão. Para os convidados, pode ser aquela desculpa que faltava para passar um final de semana agradável fora da cidade.
 
É isso, amiguinhos...
Espero que essas informações ajudem nas suas sagas casamentísticas

Buena suerte!

**Comentei sobre essas ideias antes de casar, é engraçado repensar nisso... Era uma postagem sobre Orkutização das bodas ;p
** Sobre a diminuição no número de convidados e outros bichos, tem a postagem sobre Casamentos Recessionistas

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Costureira? Aluguel? Estilista? Dicas pra te ajudar a escolher a melhor forma de adquirir o vestido dos sonhos

A belíssima Roberta Uitinga alugou um vestido Tutti Sposa que era tomara que caia, mas pôde ser personalizado com essas manguinhas de renda cheias de bossa-nova
 Em maio, durante aquele fervo que sempre rola por conta do "mês das noivas", recebi da Livia Jácome (@livola), que é blogueira e redatora do site Pure Trend, a tarefa de responder algumas perguntas sobre a escolha do vestido de noiva. As perguntas chegaram. Eram curtinhas, uhuuu vou tirar de letra! Só vi o balaio de gato em que eu tinha me metido ao começar a pensar nas respostas. Espero que ela não tenha ficado muito cansada de me ler porque só mesmo gastando o latim pra gente tentar dar conta desse assunto tão complexo e que, sem nenhum exagero, tira noites e mais noites de sono das mocinhas noivas all around world. 

Você confere aqui embaixo a entrevista na íntegra, mas não deixa de visitar o Pure Trend pra ficar sempre ligadinha em tudo que rola por aí de inspirador, embelezador e fashionista! 

Ah! E se a senhora estiver perdida, girando girando prum lado, girando girando pro outro em busca do seu vestido, mas não sabe por onde começar, clica aqui pra conhecer a Consultoria de Escolha do Vestido VC&P >> http://bit.ly/voucasarepanz_arte-estilo

Quais são as dicas que vc dá pra noivas que têm duvidas na hora de escolher o vestido?
Muito dificilmente uma mulher ao ficar noiva já sabe de cara que vestido quer usar no dia do seu casamento. Algumas noivas têm em mente este ou aquele modelo, mas a tortura da dúvida pode bater forte, mesmo quando a noiva é uma mulher prática e resolvida. Se a gente já fica em dúvida na hora de ir à festinha do filho do vizinho, imagina só pra casar!  

Pra não entrar num looping infinito de indecisões diante da infinidade de modelos que as revistas e sites especializados oferecem, a noiva precisa experimentar vestidos. Não adianta nada ver o modelo da atriz Fulana, da prima ou do red carpet x ou y, a noiva precisa saber como ficam os modelos no seu corpo, mesmo aqueles que possuem um formato que ela não usaria no dia-a-dia (tem que deixar a vida te surpreender, garota!). 

O vestido de noiva tem uma confecção diferente das roupas normais. Eles costumam ser estruturados com barbatanas, elásticos de sustentação, corpetes e outras engenharias que visam suportar seu peso e/ou formato, além de modelar o corpo e conferir caimento. Lojas de aluguel e ateliês estão sempre abertos para experimentações. Mas atenção! Não adianta sair para experimentar e fechar com o primeiro vestido (os vendedores são muito bons em convencer noivas de que é agora ou nunca!), tem que ver ao menos umas cinco opções de modelo com cabeça fria e uma meta pré-estabelecida.  Importante lembrar também que a maioria dos estabelecimentos só atende com hora marcada.  
A Dani casou descalça na praia, mas fazia questão de um modelo Casablanca (um ano correndo atrás do vestido, amigas!) que ela conseguiu comprar em uma loja do Rio. O vestido já tinha sido de outra noiva. Felicidade passando de mão em mão
O vestido da Maíra Amorim - que alguns mais conhecem como "Aquela Noiva do Cosme Velho" rsss - foi lindo de morrer e feito com todo apreço, detalhes e estilo pela estilista Fafi Vasconcelos
Qual a diferença na escolha do vestido com orçamento apertado ou com orçamento maior?
A principal diferença é o leque de possibilidades. Uma noiva com orçamento apertado terá um escopo mais limitado de escolhas. Para ela seria complicado, por exemplo, almejar um modelo exclusivo de alta costura sob o risco de, no final, ela ter um vestido, mas não ter o casamento.
A noiva on budget precisa estar aberta a alternativas que podem soar loucas, mas que efetivamente tem dado certo, como comprar um vestido online (em sites chineses, americanos ou no Etsy), pedir para uma amiga trazer do exterior ou mesmo viajar pra fora e trazer de lá. São todas opções que impedem a moça de experimentar previamente o vestido escolhido, mas ela pode guiar sua compra experimentando modelos semelhantes. Outra opção é procurar uma costureira. Elas são bem raras hoje em dia, mas existem e podem ajudar e muito na economia. Entretanto, a noiva que procura uma costureira precisa saber o que quer vestir. A costureira é uma executora de modelos; por mais que seu trabalho também envolva criação, a concepção do vestido não é seu forte.

Se a grana está mais amigável e sorridente, a melhor coisa é buscar um/uma estilista seja para fazer o vestido com ele/ela, seja para pedir uma consultoria sobre qual modelo é o ideal para o estilo e tipo de corpo da noiva (muitos estilistas oferecem a opção de comprar o croqui do vestido). Os estilistas fazem uma concepção personalizada, analisam não só a noiva, mas o tipo de casamento, o horário em que vai acontecer e adequam o traje à ocasião. Acompanham também cada pequeno detalhe da confecção debatendo dúvidas e possibilidades com a noiva.
 
A Deborah Porto foi aguerrida na hora de manter o budget do seu casório. O vestido ela comprou no Light in The Box e pagou (tá sentada?) R$ 400,00 contando com o imposto da alfândega!

Quais são os maiores mitos com os quais as noivas chegam sobre o vestido e você desmitifica?
O maior mito que as noivas carregam é acreditar que alugar vestido é muito mais barato do que comprar um. Bem, isso não é realmente um mito. Antes das lojas online dominarem tudo, as noivas só encontravam no aluguel a chance de ter o vestido dos seus sonhos a um preço acessível, mas isso tem mudado. A economia que hoje uma noiva faz comprando um vestido online ou comprando nos Estados Unidos pode ultrapassar 150% em relação a um primeiro aluguel. Essa economia aparece claramente na hora da compra do vestido e, se por acaso a aquisição não parecer tão interessante de imediato, ela vai descobrir que não é difícil vender seu vestido depois do casamento, fazer outra noiva feliz e receber de volta parte do valor investido.

Claro, a coisa muda de figura quando a noiva deseja vestir um modelo de grife. Neste caso, costuma sair mais barato alugar. Outro ponto importante é que o vestido comprado online ou feito sob medida demandam tempo de pesquisa, provas e outros acompanhamentos de detalhes. Se a noiva vive no corre corre ou tem tempo apertado para conseguir o vestido, aconselho o aluguel como saída mais prática para suas questões.


Meu vestido de nuvem!!! Quem fez foi a Wendy da Ieie Boutique, costureira baseada em Nova Jersey e que faz vestidos sob medida à distância. Minha mãe e o Rafael tiraram as medidas. Só amor e só alegria (essa foto foi no dia do Trash the Dress)
A Thaís Rosa casou com um modelo que misturava o clássico com o lúdico do balé. O modelo foi feito pela nossa querida e amada costureira Gorete. 


E se a senhora estiver perdida, girando girando prum lado, girando girando pro outro em busca do seu vestido, mas não sabe por onde começar, clica aqui pra conhecer a Consultoria de Escolha do Vestido VC&P. >> http://bit.ly/voucasarepanz_arte-estilo

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Oh Sweetie! Escolhendo e encomendando os docinhos de casamento com ousadia, alegria e sem desperdício

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Top 1 dramas insuspeitos que você arranja pra sua vida ao decidir casar é esse lance de escolher docinhos. Porque, qual seria a fuckin dificuldade de escolher uns brigadeiros? Uns cajuzinhos? Pois é, amigos, mas quem já passou pela saga ou está parado nesta tarefa do checklist a difícil realidade já bateu a porta: quantos doces colocar? quanto custa? quem contratar? o que escolher diante da variedade absurda de opções.
Meu amigo, minha amiga, essa postagem é pra você.
Pega o chá emagrecedor 20 ervas, agenda o exame de glicose e senta aqui pra gente conversar.

É coisa nossa
A imagem de uma linda mesa decorada repleta de docinhos - que será, num futuro próximo, saqueada como naquela cena do avião em O Senhor das Armas - é bem significativa e nos remete imediatamente a ideia de uma típica festa brasileira. Principalmente às festas mais marcantes: aniversário de 1 ano, de 15 e casamentos. A gente tem a maior ligação afetiva com essas iguarias e acredito que quase todo mundo nessas bandas tropicais tem uma lembrança de brigadeiro sendo enrolado pela tia, vó, vizinha, mãe... e isso influencia muito tudo porque não se trata só de e saborear, mas também de transportado pra outras lembranças, de outras festinhas, outros momentos em que fomos estupidamente felizes. Ou seja, os docinhos não são um item importante apenas por questões estéticas, mas por fazerem parte da nossa cultura e memória afetiva.

Talvez isso explique a segunda coisa mega simbólica nas festas brasileiras que é o ataque à mesa dos doces. Sim amigos, seja em Belford Roxo ou Búzios, uma coisa é certa: os convidados vão roubar docinhos. Quem nunca?? Deixa comer ué! (Só certifique-se de que o fotógrafo já clicou a mesa e que há doces para repor - converse com sua/seu cerimonialista sobre isso)
Essas duas considerações são muito importantes pra que você possa se planejar e escolher direitinho o que vai compor sua mesa de doces e em que quantidade.

Tipos
O mercado oferece uma variedade bizonha de doces, cada um deles pertencente a uma modalidade. Fondado, enrolado, fino.. a doceira vai desfilar mil opções na sua cara e você pode acabar girando girando sem saber exatamente o que é o que. Pare de sofrer. Tenha em mãos esta lista abaixo que vai ficar tudo bem.

Caramelados
Esse é moleza! São doces que recebem como cobertura uma camada de açúcar caramelado. Por dentro podem ser de morango, beijinho, castanhas, mas por fora sua aparência será semelhante a de uma bola de gude. Alguns ficam assim mesmo, lisos por fora, mas também encontramos doces caramelizados cobertos de coco (geralmente queimado) e castanhas (o famoso ouriço!).

O que são: doces normais que usam o relógio do Ben 10 e viram caramelos
Na degustação: observe se os doces são consistentes (não derretem ou desmancham atoa melecando a mão) sem serem duros; se não ficam petrificados com o açúcar a ponto de dificultar a mordida.
Preço médio: de R$105,00 a R$150,00 o cento

Fondados
Doces fondados são aqueles cobertos por uma casquinha de açúcar que parece uma pasta americana bem fina. Por dentro a gente tem os doces de sempre: de coco, de nozes, de chocolate. O que realmente muda é a cobertura e a apresentação já que, por serem durinhos, esses doces permitem uma gama infinita de decorações e cores. Antes de contratar, procure ver como é a cara do bicho pronto, seja ao vivo ou por foto porque cada doceira vai dar ao seu fondado como melhor lhe parecer (talvez a exceção seja o de nozes que costuma sempre ser branco com uma noz em cima)

Na degustação: não é incomum que doceiras usem massa fondada artificial e esse nem é o maior problema. O problema é que, para diminuir os custos (principalmente nos buffets) muitas utilizam fondado artificial de baixa qualidade que fazem o doce ou parecer que está enrolado em farinha ou enrolado em açúcar puro e enjoativo. Verifique a consistência (vide caramelados).
Preço médio: de R$90,00 a R$230,00

Enrolados/ Tradicionais
Personas non gratas nas mesas de casamento e confinados às festas infantis, os doces enrolados têm voltado a encontrar seu lugar ao sol e seu valor numa mesa de doces adulta. Cara, clássicos são eternos! É por isso que o olho de sogra, o cajuzinho e o brigadeiro estão aí fazendo o maior sucesso nos casamentos, geralmente surpreendendo os convidados que se deparam com doces que muitas vezes não viam há anos. Alguns ganharam nova roupagem (recebendo banhos de chocolate ou sendo caramelizados), mas continuam seguindo a regra básica de feitura que é fazer o doce, enrolar em bolhinhas e passar no granulado/côco/açúcar/etc. 
O que são: os doces que você comia quando era pequeno
Na degustação: antes de correr pro buffet infantil mais perto da sua casa, faça uma degustação séria levando em conta que o paladar adulto é geralmente menos tolerante ao gosto excessivo de açúcar. 
Preço médio: entre R$90,00 e R$150,00 o cento

Trufas
Meio amarguinho e possivelmente com um "quê" etílico, eles eram mais visto anos atrás nas mesas de café. Por ficar harmônico com o momento e por serem mais refinados, costumavam ser servidos somente no fim da festa numa despedida chic, mas ultimamente saíram da periferia e são facilmente encontrados na mesa de doces principal.
O que são: doces de chocolate ou creme de leite + noz, avelã e/ou conhaque cobertos por uma fina camada de chocolate sendo, em seguida, polvilhado com cacau em pó (engordei 2kg descrevento isso).
Durante a degustação: coma por mim plis
Preço médio: R$ 100,00 a R$ 150,00 o cento

Doce em copinho
Polêmico, doce de copinho encontra defensores e detratores no mundo dos docinhos. Alguns o acusam de infantil, outros dizem que, quando vc se anima a comer, ele acabou, outros apontam ainda que é difícil encontrar quem faça um realmente gostoso. Já outros, defendem veementemente que ele recorda a infancia, recorda o raspar a panela a mãe fazia o brigadeiro, dizem que fica lindo na mesa e que, por seu formato diferente, quebram a monotonia. Mas a verdade empírica sobre o mundo, é que os doces de copinho tem MUITA saída nos casamentos. A galera come com vontade e sem pudor. Come na hora né, porque não dá pra atochar na bolsa da Tia Zuleide.
O que são: cremes de baunilha, brigadeiro de panela ou cocolate branco cremoso servidos em copinho de acrílico.
Durante a degustação: verifique se o granulado (aquelas bolinhas que vão dentro) são gostosas porque não adianta nada o creme ser wow e o granulado ser vagabundo
Preço médio: R$ 140,00 a R$ 300,00 o cento

Doces finos/gourmet
Há duas definições de doces finos: há quem diga que são aqueles de receitas europeias tradicionais outros que são aqueles feitos com ingredientes nobres ou raros. Outros profissionais consideram que os dois podem ser enquadrados nessa categoria e só fazem uma subdivisão com aqueles de ingredientes mais caros e raros que costumam ser chamados de doces gourmet. O que todo mundo concorda é que os doces finos possuem uma estética e modo de preparo mais complexo que os outros. Psysalis (aquela frutinha cor de laranja), pistache, chocolate belga, damasco e amoras são alguns dos ingredientes usados nessas docinhos. Nessa categoria também se enquadram "doces de autor", ou seja, receitas exclusivas feitas por cheffs doceiros.
O que são: doces rycos
Durante a degustação: aproveita, né! Mas fica ligado que às vezes você come um negócio, acha ruim e pensa "pô, como sou ignorante, não consigo apreciar essa iguaria" mas aí pede opinião pro coleguinha do lado porque às vezes o bagulho é ruim mesmo. Ok, às vezes NEM É RUIM, mas é pouco democrático.
Preço médio: R$ 120,00 a R$ 400,00 o cento

Chocolates/bombons
Eles apareceram na mesa de doces dos casamentos há pouco mais de 4 anos, mas são tão amados que ninguém se lembra como era a vida antes. Eles podem ser frutas cobertas por chocolates, versões de docinhos tradicionais ou bombons maciços e apresentam um sem número de possibilidades de decoração indo de uma singela flor de biscuit a um arabesco em silk (pois é).
O que são: São.. err.... bombons
Durante a degustação: verifique se eles não tem gosto de guarda-chuva de chocolate. Afora isso, vale tudo
Preço médio: R$ 120,00 a R$ 200,00 o cento



Como fazer as degustações
Você precisa ser uma pessoa organizada pra fazer as degustações, principalmente se estiver organizando o casamento por conta própria. Isso porque são muitas coisas e sabores a ver; a gente fica confuso sem saber por onde começar. Peça indicação para sua assessoria e para as casadas tendo em mente duas perguntas essenciais: 1. É gostoso? 2. Entregou direitinho no dia? Porque uma coisa sem a outra não vale de nada.
Assim que as doceiras canditadas forem eleitas, procure saber como se procede com a degustação. Os meios mais comuns são:
- Entrega de caixa com amostra dos docinhos em domicílio ou trabalho dos noivos (geralmente é cobrada uma taxa por isso)
- Degustação na casa ou ateliê da doceira. Costumam ter dia fixo, você precisa ligar ou mandar email pra agendar sua ida. Algumas doceiras promovem semanalmente estes encontros e outras mensalmente. Normalmente, sem custo.
- Degustação em feiras - algumas doceiras entregam degustações em feiras de noivas, mas são raríssimas. Normalmente, a noiva combina com a doceira de ir a feira retirar sua caixa e pode/deve aproveitar a oportunidade de conhecer pessoalmente a empresa. 



Quantidades x Tipos de recepção
Recepção tipo "Bolo e champanhe" diurna ou vespertina / Brunch Como a recepção é curtinha, as pessoas não vão ter muito tempo pra pegar docinhos portanto coloque o foco no poucos e bons: 3 doces finos/gourmet por pessoa

Recepção sem bebidas alcoólicas
Quem é protestante sabe que a galera da igreja é fã de uma boa iguaria açucarada, então adocica meu amor, capricha nos bolos, tortas e sirva 6 docinhos por pessoa

Festa regada à cerveja
Como a cerveja pede acompanhamento salgado, as pessoas costumam não achar os doces atraentes aos olhos e ao estômago deixando pra pegar só no fim da festa e comê-los só no dia seguinte. Noves fora, isso dá 4 doces por pessoa.
Balada
Embora a galera do batidão pareça ocupada demais bebendo e dançando, sempre chega a hora da larica. E, diferente das recepções mais comportadas, os homens todos perdem a tradicional reticência em relação a pegar docinhos e atacam a mesa fazendo nossa média alcançar 6 doces por conviva

Mesa de doces com sacolinhas ou quentinhas 
Super condizentes com a tradição nacional do "roubo de doces", muitos casais tem optado por disponibilizar saquinhos de kraft e caixinhas pra galera levar as iguarias pra casa com dignidade ao invés de pedir pra tia Candoca esconder na bolsa. A galera vai avançar sem medo em cima da mesa e isso vai pedir uma conta de 8 doces por pessoa.

>>> ATENCION

A proporção de doces por pessoa tem muitas variáveis. O que a gente tenta é fazer uma estimativa que, ao mesmo tempo, sirva a todos e evite desperdícios. O tipo de público, a quantidade de mulheres (homens comem doces, mas não curtem ir buscá-los), o tipo de bebida servida são, na minha opinião, as principais variáveis.

Proporção x Tipos de doces x Tipo de recepção
Festas lúdicas e/ou informais 30% doces tradicionais
20% chocolates
20% doces fondados (pode-se reservar 5% desta cota pros caramelizados)
10% doces lúdicos como doces de copinho, maçã do amor, paçocas etc
15% doces finos/trufados
5%  doces lúdicos como cupcake, macaron e caketops

Festa tradicional ou phynesse 
20% doces finos/gourmet
20% doces fondados
20% de chocolates
10% doces gourmet
20% de doces tradicionais
5% trufados
5% caramelizados
(pode-se acrescentar alguns doces de copinho pra fazer uma graça)

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Fátima e Rene: apenas um casamento com churrasco no sítio da tia Amélia

É engraçado como, com todo seu passado glorioso, Tinguá não seja um dos principais bairros do Rio de Janeiro, que não tenham lhe feito um sambinha, um chorinho. Quem olha pras casas sem reboco ou pros ônibus maltratados pelo rally Dakar diário - ponto importante: os ônibus de Tinguá trafegam com tamanha gentileza que, ao deparar com um cão se coçando no meio da estrada, não buzinam nem se desesperam, mas apenas desviam no maior amor - não imagina que aquele bairro construído no meio da Mata Atlântica já foi parte do centro nervoso do comércio do Império, local da primeira linha de trens do Rio de Janeiro construída na época em que uhuuNova Iguaçu ainda atendia pelo nome Vila de Iguassú.

A gente parou com o carro na frente do sítio. Eu olhei pro GPS e depois pro mapa totalmente louco feito pela Fatinha pra explicar aos convidados como chegar ao local do casamento. Rafael ficou ainda com as mãos no volante. Sei lá, em choque. Era a primeira vez na vida que guiava um carro na estrada:
- E aí, o mapa bate? A galera vai conseguir chegar?
- Bem... se ninguém for parar em São Paulo por engano, chega sim.

Eu não tinha a menor ideia de onde estava me metendo quando, em janeiro de 2012, recebi um email da noiva entitulado "Casamento em Tinguá" e pensar nisso agora, pensando no almoço que marcamos pra esse domingo, é realmente engraçado. Eu me apaixonaria pela Fátima e pelo Rene. Ficaríamos às 3 da manhã - tudo, menos sóbrios - procurando um táxi na Lapa que aceitasse cartão de débito, comeríamos arroz com Lula num Nova Capela deserto, ficaria esmurrando a porta fechada da loja de tecidos com a Fatinha jurando pro segurança que a gente já sabia qual renda comprar, começaria a chamar a Cerveja St. Gallen de Cerveja Ivete Sangalo, passaria a madrugada fazendo pompons de lã e, obviamente, me juntaria ao seleto grupo de pessoas que descobriu que Tinguá é um lugar mágico.

Mas antes de tudo isso, só o que havia era o email de uma noiva pedindo orçamento. A gente não imagina aonde certas coisas podem nos levar...

A Fátima tinha se identificado com o casamento da Arajany. Pra mim, aquilo só existia no mundo da imaginação, ela disse. Uma celebração que reunisse os amigos e a família, sem gueri gueri, com cerveja e comida, era  o que procuravam. 
Quis saber um pouco sobre os dois. Era ela historiadora e ele um mix de fotógrafo com estudante de filosofia. Tá brincando?! A gente aqui em casa também! E como se conheceram? 
Maria de Fátima e Rene tinham se conhecido na escola há 12 anos atrás. Não, esqueçam tudo o que vocês conhecem sobre casais que se conheceram na escola. Eles se conheceram assim ó:
 
Em 2000 fui chamada pelo Estado e assumi como professora em Queimados. No primeiro dia de aula, pernas tremendo, fui me apresentar na secretaria, quando vi alguém me comendo com os olhos, perguntando se eu era aluna. Não, é professora. Responderam, e de Vila Isabel.
-Terra de Noel, disse o lobo mau.
E eu pensando: nossa alguém que conhece Noel Rosa! O lobo mau se apresentou como aluno do 2 ano.
- Será que vc vai ser minha professora?
- Não, sou professora do 1 ano.
- Ah que pena!
Ao longo do ano... cantadas e mais cantadas e ampla resistência da professora. Até que no dia do Conselho de Classe, em dezembro, quando a ética permitiria...

A narrativa deliciosa ficou na minha cabeça nos dias que se seguiram  e me faziam rir sozinha. Aquele casal era um encanto! Marcamos reunião pra semana seguinte no árabe da Cinelândia que se tornaria nosso QG afetivo.


 



Pra variar, eu nervosa till the bone, apavorada com a responsa de organizar a celebração daquelas duas pessoas que já estavam casadas há mais de uma década, com suas histórias passadas e trajetória em comum que, do alto dos meus quase 3 anos de união, só posso imaginar vagamente o que seja. Mas aí, qual não é minha surpresa, quando em 10 minutos de conversa pergunto - seguindo meu roteirinho - se eles vão ter daminha?:
- Que daminha, Fatima?? - pergunta o Rene com aquele jeito enérgico de criança que sempre vai parar na sala da diretora. Na verdade ele já tinha chegado anunciando que infelizmente não poderia beber porque estava tomando uns remédios, resolução que em poucos minutos jazia esquecida junto à quarta tulipa de chopp, pedidos em meio à muita manha: não vai fazer mal, né? só um pouquinho.
- Daminha, a criança que entra antes da noiva
- Ah não, Fátima!! Não quero nada de Erê entrando no meu casamento não! Eu hein!
Aquele cara moreno, fortão, tatuado, leitor de Walter Benjamin, malzão...QUE FACHADA! Contra toda compostura, cuspi o chopp e quase me afoguei de tanto rir.

O plano era fazer uma celebração alegre, simples e despojada. Amigos, família, cerveja e comida. Talvez um churrasco no sítio da portuguesíssima tia Amélia lá em Tinguá. Um almoço à sombra da mangueira (isso se não chover!; ela pontuou) com o povo dançando o vira. 

Churrasco de casamento é uma ideia polêmica e complicada de viabilizar. A gente tem que ter o maior cuidado pra coisa não ficar parecendo que é confraternização da firma na piscina do prédio e pra fumaça não tomar conta de tudo. E ainda numa residência lá nas lonjuras! 
Montar um casamento em casa apresenta dificuldades imensas de logística. Em primeiro lugar, nem toda residência, por maior que seja, oferece espaço viável de cozinha de modo a comportar o buffet sem colocar o espaço original de pernas pro ar ou, no mínimo, invadir a privacidade dos donos da casa. Também a refrigeração é importante: ao menos duas geladeiras precisam estar à disposição. O espaço pra acomodar os convidados é outro quesito mínimo. O casamentos faca na caveira ALERT! começou a soar. É... a coisa ia ser bem divertida.

Em casa, escrevi pra Roberta Araújo já passando toda a fita. Grau de dificuldade: HARD. Teríamos de transformar um sítio familiar em casa de festas, um churrasco num almoço fofo e revelar à capelinha da praça que ela tinha o maior potencial pra fofura. Louca de pedra, ela topou. Fomos alguns meses depois conhecer o local. A Fátima toda preocupada, achando que era tudo simples demais, que não daria ai gente, será que é muito feio? To com medo de vocês não gostarem.
Broder, tinham que ter filmado eu e a Roberta chegando lá! A gente pirou com o sítio, com os móveis da tia Amélia, com os objetos, com as toalhas de crochê, com as uvas na videira, com a plantação de hortências. Se a gente gostou?? De tão histérica que ficou, a Roberta montou o pré projeto em 3 horas!! Bora comprar os itens e alugar os móveis!

Com a decoração decidida, partimos pras outras grandes decisões: marcar com a igreja, contratar fotografia, pensar nos docinhos e bolo e... o vestido! Como o Rene já havia decretado que a Fátima seria uma ninfa, fui bater na porta da Gorete, a costureira Galadriel.
Após buscarmos 148349123 de referências encontramos na interwebs um casamento incrível com uma noiva incrível e decidimos fazer cosplay da mona. O visual da noiva saiu todo da nossa cabeça! Chamamos a Ju Sales, especialista em makes naturebas, decidimos o cabelo, roubamos uma guirlanda de Natal na porta da vizinha da Gorete e voilá!

Nesse ínterim, estávamos à cata de um fotógrafo. Vimos mil pessoas, mil orçamentos, mas ficava pensando nos dois, em Tinguá, no churras e só o que me vinha a mente era achar alguém que pudesse dar conta do inusitado. Nada de fotógrafo de noivinhos, tinha que ser alguém com o olhar antropológico, que pudesse dar conta de registrar aquela coisa toda louca e não-convencional que estávamos construindo. Esse cara era obviamente o Nathan Thrall, por quem eu vinha nutrindo um amor fotógráfico platônico. Perguntei: cara, você topa? E ele respondeu com 1. abrindo a agenda e o coração, 2. onde fica Tinguá??? e 3. vamos com tudo! Fiquei tipo.. Sério?!? Primeira reunião lá no Teles, todos se conheceram (até a  musa do cara, a Flora Mochel, também foi! <3), todos se amaram, Rene pediu uma cachaça mineira pra comemorar o encontro, o contrato, o amor, o dinheiro que teria de pagar ao Nathan (hahahaha) e todo o resto. Mais um item se resolvia e eu pensei antes do primeiro gole de Salinas que não havia nada como noivos calmos e um checklist a ser seguido.

Meses depois, há poucas semanas do casamento, num corre corre dramático pra aprontar os convites (esse assunto merece uma postagem à parte! arte comprada no Etsy pra imprimir em casa, mas quem disse que a impressora imprimia? Como o Rafa costuma dizer: convite sempre dá merda), eu e Fatinha sentamos no bar do Telles de sempre e cortamos todas as tags, tudo o necessário (tentamos guilhotinar, mas, quer saber... mais divertido cortar). Conversamos sobre as coisas da vida, sobre nossas criações católicas, sobre o trabalho dela na Biblioteca Nacional, sobre casamento. Não sobre festa ou fitinha de bem casados. Conta aí qual é o truque de 12 anos ao lado de alguém: a gente já passou por muita coisa, eu já quis enforcar o Rene, mas depois de tantas dificuldades eu acho que chegou um momento em que a gente simplesmente fica mais calmo. Ali naquele momento eu senti uma saudade imensa de tudo que tínhamos vivido naquele último ano. Fiquei puta porque, por mais que a gente continue em contato com a pessoa, não é mais como antes. Sem o compromisso da assessoria entramos naquela coisa carioca do "vamos marcar"  mas os mil compromissos da vida costumam sacanear e nos desencontrar e eu não queria perdê-la.
Nos despedimos na praça XV com um abraço e a Fátima me falou uma coisa bonita que seria babaquice publicar mas que me fez ir chorando nas barcas.

A previsão do tempo era de chuva para Nova Iguaçu. Entrei no Inmet, li estudos geológicos. Tudo indicava que a cadeia de morros de Tinguá impediriam o tempo ruim de atingir o sítio das Hortências. Me apeguei a santos, Fátima fez o mesmo. Numa decisão irresponsável e kamikase, decidimos não alugar mais a cobertura que planejávamos. Era muita grana e corria o risco de descaracterizar totalmente o churrasco com sambinha embaixo da mangueira. Cada um assumiu seu risco.

Na sexta, passei mal. Piriri. Preciso francamente parar de passar mal no dia anterior aos casamentos! Fico igual o Eminem antes de subir ao palco! Bagulho doido. Mil stresses. Tínhamos programado de ir todos pra Tinguá no dia anterior, mas uma confusão logística e contingente nos obrigou a reorganizar tudo. Engarrafamento na Dutra. Quermesse em Miguel Couto. Pensei em chegarmos no sítio às 4 da tarde e chegamos, noivos e equipes às nove da noite! Felizmente um super jantar da tia Amélia nos esperava lyndo.... mas nove da noite!! A pobrezinha da Erika se perdeu no caminho com as flores (quem não se perdeu levanta a mão!) e só conseguiu aparecer lá pelas onze horas.
 Todos comidos e achados, expus a missão: fazer cerca de 20m de varal de crepom + todas as flores que dessem conta de colorir o verde do sítio da tia Amélia + sonhar com um dia de sol.

O dia amanheceu com uma neblina danada e a água do chuveiro, vinda direto da serra, tava de congelar os ossos. Mais tarde, quando o calor atingisse 45 graus, eu me arrependeria de ter reclamado daquela ducha abençoada. 

Pela manhã, graças ao esforço conjunto, as mesas estavam dispostas, as flores em fim de aprontação, o galo cantando e a noiva já encaminhada pro make&hair. Tudo aconteceu muito rápido e não consigo me lembrar dos detalhes. Sei que, de repente, estava na missa do casamento! E aquele abafado, todo mundo se abanando com os leques da Fatinha e os dois lindos lindos lindos lá na frente! Tudo magicamente rolando do jeito que a gente tinha sonhado todo aquele tempo. Flores nos bancos, o vestido de ninfa, o Rene cabendo confortavelmente no blazer de linho (salvo pelo ajuste da Gorete!!). O padre nervoso - era seu primeiro casamento - esqueceu as alianças e tivemos de ficar pulando lá da porta da igreja pra ele lembrar de chamar o pajem.
Mazel tov!!! Casaram!!
Na saída o padre foi abduzido e convocado pra comemoração. Super feliz, arranjou logo uma carona e fomos todos pro sítio, bem pertinho dali.

Entrei, feliz, em estado de graça. Foi aí que a Ana Pads me puxou pelo braço arrastando prum canto e deu a sentença: Broder, cabo a mesa do bolo! Deu ruim! As abelhas atacaram!
Não conseguia processar. Como assim? O que seria tal coisa chamada abelha?
Fui até a mesa do bolo+doces e me deparei com uma cena hitchcockiana: um milhar de abelhas disputavam no tapa um milímetro de proximidade com flores e docinhos. Sem pensar, a tia da Fátima, que tinha ajudado a fazer o bolo, pegou-o pelo braço, fechou os olhos e eu fui de cão guia até a geladeira mais próxima. Tiramos tudo de lá rapidamente. O Rafa, com sua sabedoria de índio velho, identificou a colmeia e a espécie. Não faria mal a ninguém, mas ia encher o saco.

Não vou mentir pra vocês: foi foda. Foi frustrante. Mas the show must go on e tratamos de remanejar as coisas todas junto com a Roberta. Cobrimos os doces com aquelas redinhas brancas e finalmente se pôde focar no restante da festa, fazer o que era realmente importante: colocar um lacinho no pescoço da cadela Sem Nome.

Nem o calor absurdo nem todas as outras coisas tensas que rolaram no dia - que, por motivo de força maior, vou ignorar solenemente - atrapalharam aquele dia e aquela celebração tão ansiada. Os dois estavam incrivelmente lindos e alegres! A Fatinha com sua guirlanda, o Rene com os pés na terra. E o que era o chapéu da tia Amélia? Pra coroar, todos dançaram o vira. 

Certa vez uma velhinha me disse que se o simples fosse fácil já tinham inventado outro parabéns pra você. O mais simples, o desejo mais frugal e desapegado vai ser sempre o mais difícil de ser alcançado com esforço porque ele não pode ser planejado nem forçado a acontecer. A gente tem que se entregar ao caos pra receber a dádiva do simples, pra encontrar o pedido perfeito do Papai Noel esperando pela gente no pé da árvore. Fico vendo essas fotos lindas e rolando esse texto imenso que escrevi (será que alguém vai ler até o final?) e só consigo pensar nisso: que foi o casamento mais difícil que já fiz simplesmente porque sou tão devotada aos noivos e tão perdidamente apaixonada por eles, pela dádiva que dividiram comigo através de seus desejos simples e mágicos que a coisa toda acabou virando uma prova de fogo onde aprendi demais e intensamente. Nunca quero que aquela tarde acabe e eu a visito na minha cabeça de vez em quando esperando ansiosamente a próxima vez em que vou vê-los e me apaixonar novamente pela história e pela amizade que, simples e mágica, nos aconteceu. 

OS ENVOLVIDOS
Local da Cerimônia: Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Tinguá | Local da Festa: Sítio das Hortênsias | Vestido: Gorete costureira | Tecidos do vestido: Casa Assuf e Casas Pinto
 | Guirlanda: Prill (a base de cipó foi do Etsy) | Maquiagem e cabelo: Ju Sales Make Up
Assessorios da Noiva: Monte Carlo Joias | 
Roupa do noivo: blazer da Siberian + calça da Richards | 
Lista de Presentes: Ponto Frio, Etna + Tok&Stok | Site dos noivos: Wix (layout: Prill)
Convites: arte comprada no Etsy e impresso em casa + DIY coletivo da família do Rafa
 DJ: Rodrigo | Flores: Jolly Eventos | Buquê: Jolly Eventos + Prill (acabamento)
Mobiliário: Mineirart + Tia da noiva | Bolo, bem-casados e doces: família  da noiva
Decoração: Roberta Araújo Eventos com colaboração de Vou Casar e Panz |
Assessoria e Cerimonial: Vou Casar e Panz
Equipe Vou Casar e Panz: Ana Pads e Ju Sales
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