segunda-feira, 29 de abril de 2013

Fátima e Rene: apenas um casamento com churrasco no sítio da tia Amélia

É engraçado como, com todo seu passado glorioso, Tinguá não seja um dos principais bairros do Rio de Janeiro, que não tenham lhe feito um sambinha, um chorinho. Quem olha pras casas sem reboco ou pros ônibus maltratados pelo rally Dakar diário - ponto importante: os ônibus de Tinguá trafegam com tamanha gentileza que, ao deparar com um cão se coçando no meio da estrada, não buzinam nem se desesperam, mas apenas desviam no maior amor - não imagina que aquele bairro construído no meio da Mata Atlântica já foi parte do centro nervoso do comércio do Império, local da primeira linha de trens do Rio de Janeiro construída na época em que uhuuNova Iguaçu ainda atendia pelo nome Vila de Iguassú.

A gente parou com o carro na frente do sítio. Eu olhei pro GPS e depois pro mapa totalmente louco feito pela Fatinha pra explicar aos convidados como chegar ao local do casamento. Rafael ficou ainda com as mãos no volante. Sei lá, em choque. Era a primeira vez na vida que guiava um carro na estrada:
- E aí, o mapa bate? A galera vai conseguir chegar?
- Bem... se ninguém for parar em São Paulo por engano, chega sim.

Eu não tinha a menor ideia de onde estava me metendo quando, em janeiro de 2012, recebi um email da noiva entitulado "Casamento em Tinguá" e pensar nisso agora, pensando no almoço que marcamos pra esse domingo, é realmente engraçado. Eu me apaixonaria pela Fátima e pelo Rene. Ficaríamos às 3 da manhã - tudo, menos sóbrios - procurando um táxi na Lapa que aceitasse cartão de débito, comeríamos arroz com Lula num Nova Capela deserto, ficaria esmurrando a porta fechada da loja de tecidos com a Fatinha jurando pro segurança que a gente já sabia qual renda comprar, começaria a chamar a Cerveja St. Gallen de Cerveja Ivete Sangalo, passaria a madrugada fazendo pompons de lã e, obviamente, me juntaria ao seleto grupo de pessoas que descobriu que Tinguá é um lugar mágico.

Mas antes de tudo isso, só o que havia era o email de uma noiva pedindo orçamento. A gente não imagina aonde certas coisas podem nos levar...

A Fátima tinha se identificado com o casamento da Arajany. Pra mim, aquilo só existia no mundo da imaginação, ela disse. Uma celebração que reunisse os amigos e a família, sem gueri gueri, com cerveja e comida, era  o que procuravam. 
Quis saber um pouco sobre os dois. Era ela historiadora e ele um mix de fotógrafo com estudante de filosofia. Tá brincando?! A gente aqui em casa também! E como se conheceram? 
Maria de Fátima e Rene tinham se conhecido na escola há 12 anos atrás. Não, esqueçam tudo o que vocês conhecem sobre casais que se conheceram na escola. Eles se conheceram assim ó:
 
Em 2000 fui chamada pelo Estado e assumi como professora em Queimados. No primeiro dia de aula, pernas tremendo, fui me apresentar na secretaria, quando vi alguém me comendo com os olhos, perguntando se eu era aluna. Não, é professora. Responderam, e de Vila Isabel.
-Terra de Noel, disse o lobo mau.
E eu pensando: nossa alguém que conhece Noel Rosa! O lobo mau se apresentou como aluno do 2 ano.
- Será que vc vai ser minha professora?
- Não, sou professora do 1 ano.
- Ah que pena!
Ao longo do ano... cantadas e mais cantadas e ampla resistência da professora. Até que no dia do Conselho de Classe, em dezembro, quando a ética permitiria...

A narrativa deliciosa ficou na minha cabeça nos dias que se seguiram  e me faziam rir sozinha. Aquele casal era um encanto! Marcamos reunião pra semana seguinte no árabe da Cinelândia que se tornaria nosso QG afetivo.


 



Pra variar, eu nervosa till the bone, apavorada com a responsa de organizar a celebração daquelas duas pessoas que já estavam casadas há mais de uma década, com suas histórias passadas e trajetória em comum que, do alto dos meus quase 3 anos de união, só posso imaginar vagamente o que seja. Mas aí, qual não é minha surpresa, quando em 10 minutos de conversa pergunto - seguindo meu roteirinho - se eles vão ter daminha?:
- Que daminha, Fatima?? - pergunta o Rene com aquele jeito enérgico de criança que sempre vai parar na sala da diretora. Na verdade ele já tinha chegado anunciando que infelizmente não poderia beber porque estava tomando uns remédios, resolução que em poucos minutos jazia esquecida junto à quarta tulipa de chopp, pedidos em meio à muita manha: não vai fazer mal, né? só um pouquinho.
- Daminha, a criança que entra antes da noiva
- Ah não, Fátima!! Não quero nada de Erê entrando no meu casamento não! Eu hein!
Aquele cara moreno, fortão, tatuado, leitor de Walter Benjamin, malzão...QUE FACHADA! Contra toda compostura, cuspi o chopp e quase me afoguei de tanto rir.

O plano era fazer uma celebração alegre, simples e despojada. Amigos, família, cerveja e comida. Talvez um churrasco no sítio da portuguesíssima tia Amélia lá em Tinguá. Um almoço à sombra da mangueira (isso se não chover!; ela pontuou) com o povo dançando o vira. 

Churrasco de casamento é uma ideia polêmica e complicada de viabilizar. A gente tem que ter o maior cuidado pra coisa não ficar parecendo que é confraternização da firma na piscina do prédio e pra fumaça não tomar conta de tudo. E ainda numa residência lá nas lonjuras! 
Montar um casamento em casa apresenta dificuldades imensas de logística. Em primeiro lugar, nem toda residência, por maior que seja, oferece espaço viável de cozinha de modo a comportar o buffet sem colocar o espaço original de pernas pro ar ou, no mínimo, invadir a privacidade dos donos da casa. Também a refrigeração é importante: ao menos duas geladeiras precisam estar à disposição. O espaço pra acomodar os convidados é outro quesito mínimo. O casamentos faca na caveira ALERT! começou a soar. É... a coisa ia ser bem divertida.

Em casa, escrevi pra Roberta Araújo já passando toda a fita. Grau de dificuldade: HARD. Teríamos de transformar um sítio familiar em casa de festas, um churrasco num almoço fofo e revelar à capelinha da praça que ela tinha o maior potencial pra fofura. Louca de pedra, ela topou. Fomos alguns meses depois conhecer o local. A Fátima toda preocupada, achando que era tudo simples demais, que não daria ai gente, será que é muito feio? To com medo de vocês não gostarem.
Broder, tinham que ter filmado eu e a Roberta chegando lá! A gente pirou com o sítio, com os móveis da tia Amélia, com os objetos, com as toalhas de crochê, com as uvas na videira, com a plantação de hortências. Se a gente gostou?? De tão histérica que ficou, a Roberta montou o pré projeto em 3 horas!! Bora comprar os itens e alugar os móveis!

Com a decoração decidida, partimos pras outras grandes decisões: marcar com a igreja, contratar fotografia, pensar nos docinhos e bolo e... o vestido! Como o Rene já havia decretado que a Fátima seria uma ninfa, fui bater na porta da Gorete, a costureira Galadriel.
Após buscarmos 148349123 de referências encontramos na interwebs um casamento incrível com uma noiva incrível e decidimos fazer cosplay da mona. O visual da noiva saiu todo da nossa cabeça! Chamamos a Ju Sales, especialista em makes naturebas, decidimos o cabelo, roubamos uma guirlanda de Natal na porta da vizinha da Gorete e voilá!

Nesse ínterim, estávamos à cata de um fotógrafo. Vimos mil pessoas, mil orçamentos, mas ficava pensando nos dois, em Tinguá, no churras e só o que me vinha a mente era achar alguém que pudesse dar conta do inusitado. Nada de fotógrafo de noivinhos, tinha que ser alguém com o olhar antropológico, que pudesse dar conta de registrar aquela coisa toda louca e não-convencional que estávamos construindo. Esse cara era obviamente o Nathan Thrall, por quem eu vinha nutrindo um amor fotógráfico platônico. Perguntei: cara, você topa? E ele respondeu com 1. abrindo a agenda e o coração, 2. onde fica Tinguá??? e 3. vamos com tudo! Fiquei tipo.. Sério?!? Primeira reunião lá no Teles, todos se conheceram (até a  musa do cara, a Flora Mochel, também foi! <3), todos se amaram, Rene pediu uma cachaça mineira pra comemorar o encontro, o contrato, o amor, o dinheiro que teria de pagar ao Nathan (hahahaha) e todo o resto. Mais um item se resolvia e eu pensei antes do primeiro gole de Salinas que não havia nada como noivos calmos e um checklist a ser seguido.

Meses depois, há poucas semanas do casamento, num corre corre dramático pra aprontar os convites (esse assunto merece uma postagem à parte! arte comprada no Etsy pra imprimir em casa, mas quem disse que a impressora imprimia? Como o Rafa costuma dizer: convite sempre dá merda), eu e Fatinha sentamos no bar do Telles de sempre e cortamos todas as tags, tudo o necessário (tentamos guilhotinar, mas, quer saber... mais divertido cortar). Conversamos sobre as coisas da vida, sobre nossas criações católicas, sobre o trabalho dela na Biblioteca Nacional, sobre casamento. Não sobre festa ou fitinha de bem casados. Conta aí qual é o truque de 12 anos ao lado de alguém: a gente já passou por muita coisa, eu já quis enforcar o Rene, mas depois de tantas dificuldades eu acho que chegou um momento em que a gente simplesmente fica mais calmo. Ali naquele momento eu senti uma saudade imensa de tudo que tínhamos vivido naquele último ano. Fiquei puta porque, por mais que a gente continue em contato com a pessoa, não é mais como antes. Sem o compromisso da assessoria entramos naquela coisa carioca do "vamos marcar"  mas os mil compromissos da vida costumam sacanear e nos desencontrar e eu não queria perdê-la.
Nos despedimos na praça XV com um abraço e a Fátima me falou uma coisa bonita que seria babaquice publicar mas que me fez ir chorando nas barcas.

A previsão do tempo era de chuva para Nova Iguaçu. Entrei no Inmet, li estudos geológicos. Tudo indicava que a cadeia de morros de Tinguá impediriam o tempo ruim de atingir o sítio das Hortências. Me apeguei a santos, Fátima fez o mesmo. Numa decisão irresponsável e kamikase, decidimos não alugar mais a cobertura que planejávamos. Era muita grana e corria o risco de descaracterizar totalmente o churrasco com sambinha embaixo da mangueira. Cada um assumiu seu risco.

Na sexta, passei mal. Piriri. Preciso francamente parar de passar mal no dia anterior aos casamentos! Fico igual o Eminem antes de subir ao palco! Bagulho doido. Mil stresses. Tínhamos programado de ir todos pra Tinguá no dia anterior, mas uma confusão logística e contingente nos obrigou a reorganizar tudo. Engarrafamento na Dutra. Quermesse em Miguel Couto. Pensei em chegarmos no sítio às 4 da tarde e chegamos, noivos e equipes às nove da noite! Felizmente um super jantar da tia Amélia nos esperava lyndo.... mas nove da noite!! A pobrezinha da Erika se perdeu no caminho com as flores (quem não se perdeu levanta a mão!) e só conseguiu aparecer lá pelas onze horas.
 Todos comidos e achados, expus a missão: fazer cerca de 20m de varal de crepom + todas as flores que dessem conta de colorir o verde do sítio da tia Amélia + sonhar com um dia de sol.

O dia amanheceu com uma neblina danada e a água do chuveiro, vinda direto da serra, tava de congelar os ossos. Mais tarde, quando o calor atingisse 45 graus, eu me arrependeria de ter reclamado daquela ducha abençoada. 

Pela manhã, graças ao esforço conjunto, as mesas estavam dispostas, as flores em fim de aprontação, o galo cantando e a noiva já encaminhada pro make&hair. Tudo aconteceu muito rápido e não consigo me lembrar dos detalhes. Sei que, de repente, estava na missa do casamento! E aquele abafado, todo mundo se abanando com os leques da Fatinha e os dois lindos lindos lindos lá na frente! Tudo magicamente rolando do jeito que a gente tinha sonhado todo aquele tempo. Flores nos bancos, o vestido de ninfa, o Rene cabendo confortavelmente no blazer de linho (salvo pelo ajuste da Gorete!!). O padre nervoso - era seu primeiro casamento - esqueceu as alianças e tivemos de ficar pulando lá da porta da igreja pra ele lembrar de chamar o pajem.
Mazel tov!!! Casaram!!
Na saída o padre foi abduzido e convocado pra comemoração. Super feliz, arranjou logo uma carona e fomos todos pro sítio, bem pertinho dali.

Entrei, feliz, em estado de graça. Foi aí que a Ana Pads me puxou pelo braço arrastando prum canto e deu a sentença: Broder, cabo a mesa do bolo! Deu ruim! As abelhas atacaram!
Não conseguia processar. Como assim? O que seria tal coisa chamada abelha?
Fui até a mesa do bolo+doces e me deparei com uma cena hitchcockiana: um milhar de abelhas disputavam no tapa um milímetro de proximidade com flores e docinhos. Sem pensar, a tia da Fátima, que tinha ajudado a fazer o bolo, pegou-o pelo braço, fechou os olhos e eu fui de cão guia até a geladeira mais próxima. Tiramos tudo de lá rapidamente. O Rafa, com sua sabedoria de índio velho, identificou a colmeia e a espécie. Não faria mal a ninguém, mas ia encher o saco.

Não vou mentir pra vocês: foi foda. Foi frustrante. Mas the show must go on e tratamos de remanejar as coisas todas junto com a Roberta. Cobrimos os doces com aquelas redinhas brancas e finalmente se pôde focar no restante da festa, fazer o que era realmente importante: colocar um lacinho no pescoço da cadela Sem Nome.

Nem o calor absurdo nem todas as outras coisas tensas que rolaram no dia - que, por motivo de força maior, vou ignorar solenemente - atrapalharam aquele dia e aquela celebração tão ansiada. Os dois estavam incrivelmente lindos e alegres! A Fatinha com sua guirlanda, o Rene com os pés na terra. E o que era o chapéu da tia Amélia? Pra coroar, todos dançaram o vira. 

Certa vez uma velhinha me disse que se o simples fosse fácil já tinham inventado outro parabéns pra você. O mais simples, o desejo mais frugal e desapegado vai ser sempre o mais difícil de ser alcançado com esforço porque ele não pode ser planejado nem forçado a acontecer. A gente tem que se entregar ao caos pra receber a dádiva do simples, pra encontrar o pedido perfeito do Papai Noel esperando pela gente no pé da árvore. Fico vendo essas fotos lindas e rolando esse texto imenso que escrevi (será que alguém vai ler até o final?) e só consigo pensar nisso: que foi o casamento mais difícil que já fiz simplesmente porque sou tão devotada aos noivos e tão perdidamente apaixonada por eles, pela dádiva que dividiram comigo através de seus desejos simples e mágicos que a coisa toda acabou virando uma prova de fogo onde aprendi demais e intensamente. Nunca quero que aquela tarde acabe e eu a visito na minha cabeça de vez em quando esperando ansiosamente a próxima vez em que vou vê-los e me apaixonar novamente pela história e pela amizade que, simples e mágica, nos aconteceu. 

OS ENVOLVIDOS
Local da Cerimônia: Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Tinguá | Local da Festa: Sítio das Hortênsias | Vestido: Gorete costureira | Tecidos do vestido: Casa Assuf e Casas Pinto
 | Guirlanda: Prill (a base de cipó foi do Etsy) | Maquiagem e cabelo: Ju Sales Make Up
Assessorios da Noiva: Monte Carlo Joias | 
Roupa do noivo: blazer da Siberian + calça da Richards | 
Lista de Presentes: Ponto Frio, Etna + Tok&Stok | Site dos noivos: Wix (layout: Prill)
Convites: arte comprada no Etsy e impresso em casa + DIY coletivo da família do Rafa
 DJ: Rodrigo | Flores: Jolly Eventos | Buquê: Jolly Eventos + Prill (acabamento)
Mobiliário: Mineirart + Tia da noiva | Bolo, bem-casados e doces: família  da noiva
Decoração: Roberta Araújo Eventos com colaboração de Vou Casar e Panz |
Assessoria e Cerimonial: Vou Casar e Panz
Equipe Vou Casar e Panz: Ana Pads e Ju Sales

quarta-feira, 27 de março de 2013

Convites de coração: pra se inspirar, pra comprar ou pra fazer cosplay

Estava aqui em paz, contente e alegrinha com minha vida quando caí na esparrela de dar um pulinho no Etsy afim de ver umas opções de convites pra minha noiva indecida-cientista-fã-de-Catra, a Kassia Waldhelm. Por que?? Por que fiz isso?? :( Estou enloquecida agora! Apaixonei pelas opções de convites+carimbos de croassão!

Aliás, vale sublinhar que usar corações como tema/identidade visual é uma ideia supimpa pra quem busca algo clean, fácil de fazer, fácil de achar por aí e que dá instantaneamente um clima feliz (e romântico, sem ser piegas) pras delicadezas do casório. Seguem aí meus favoritos  
ヽ(*・ω・)ノ

Da loja DawnCorrespondence, esse convite é comprado pronto. Pra personalizar é necessário entrar em contato com o vendedor. Preço: +- R$10,00

Da East Cost Bride, este também é comprado pronto com personalização direto com o vendedor. Preço: cerca de R$ 10,00 cada

Carimbo pra personalização de convites e outras papelarias. É totalment personalizável, só falar com o pessoal da DesignKandy. Preço: aproximadamente R$ 53,00

Siricuticos eternos com esse! Me dá! Me dá!! No mesmo esquema do convite pronto personalizável, esse aí é da Kand V Crafts. Preço: aproximadamento R$ 10,00

Carimbo de coração e iniciais. Dá pra colocar as letras do casal, claro! Na Red Cloud Boutique está saindo a, aproximadamente, R$ 23,00.

Arte de convite pra imprimir em casa: você fala pro vendedor os dados do casamento, ele te envia a arte em alta resolução e aí é so levar na sua gráfica de preferência. Preço: 62,20 na loja Lily and Jude.


Bigode e coração e listras uh! uh! uh! Arte para imprimir em casa na Design by Nicolina custando aproximadamente R$ 30,00.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Para imprimir: cartaz "Lá vem a noiva"

Ela vem chegando/ eu feliz vou esperando || A foto é do fotógrafo (e viking nas horas vagas) Nathan Thrall
E na vibe da personalização, preparei aqui pros bróderes e broderas um cartaz "Lá Vem a Noiva" imprimível. 

Originalmente, produzi o cartaz pro casamento da Roberta e do Wander - que rolou na semana retrasada no Leblon. A ideia era ser um negócio fofo/clean porque seria levado pelo pajen (esse mocinho estiloso aí da foto ^.^) e por isso a beleza fica toda por conta da letra usada. Se você tá pensando em algo mais ornamentado no problemo! basta fazer dois furos e acrescentar uma alça de cetim ou emoldurar com uma fita. Na verdade, dá pra fazer um monte de coisa; é deixar a imaginação fluir :))


É de graça, vem gente! 

Como fazer: 
1. clique na imagem  abaixo e vá para o link da imagem em alta resolução

2. leve na sua gráfica preferida e peça pra imprimir em formato A3

3. Sugestões: imprima em papel couche de 300g e guarde-o enrolado no diâmetro de uma garrafa de vinho


terça-feira, 19 de março de 2013

Fazendo um casamento personalizado no buffet com tudo fechado

Um bolo handmade incrível, um coraçãozinho de feltro maroto... ninguém vai querer saber se as cadeiras do salão são de plástico ou de adamantium
A gente fala aqui o tempo todo - e vê o tempo todo nos blogs e fóruns - de casamentos personalizados, cheios de detalhes, levantados pelos próprios noivos com seus amigos e familiares na maior faca nos dentes, contratando cada coisa separada, cada fitinha, cada cadeira, brigadeiro, forminha e toalha. Posso justificar minha preferência: casei desse jeito, foi legal, foi gratificante. A partir da minha experiência positiva, acabei desenvolvendo horror contra buffets "pacotão" que dariam então numa experieñcia negativa. Isso também pode ser facilmente justificável, sabe. 

Na época do meu casamento procurei por salões e casas de festa de São Gonçalo que pudessem comportar nosso lance, mas só o que via eram aquelas cadeiras com fantasminhas e toalhas de voil. Todas as fotos de todos os casamentos eram identicas, só o que mudavam eram as cores. Me incomodava principalmente aquelas mesas de bolo/doces de vidro (tudo em cima da mesa também era de vidro) ou provençais (a mesa era branca, beirada de rendinha, todas as coisas em cima também eram brancas com bordas de rendinha). Esteticamente bizarras, esteticamente tediosas, aquelas decorações não tinham absolutamente nada a ver com as coisas que a gente via nos blogs gringos (em 2011/2010 poucos eram os blogs nacionais que traziam referências gringas e basicamente não existiam casamentos nacionais com ideias mais arejadas). Acabamos optando assim por correr atrás nós mesmos das coisas que a gente curtia. O resto da história vocês conhecem.

Mas, como sempre, a vida vem e te surpreende. É foda aprender na escola da vida, mas ela expande seus horizontes na base da porrada, esteja você pronto ou não pra isso. Trabalhando com casamentos e tendo por clientes noivos que, por motivos variados, tinham sacramentado a decisão de casar em salões/buffet pacotão, acabei não só precisando lidar com isso, mas desenvolvendo métodos de ação pra que a parada tivesse a cara dos noivos mesmo num ambiente cuja prioridade é a repetição e não a exclusividade. 

Esse "tutorial" é fruto das observações e experiências loucas que tive montando casamentos nesses lugares. Espero que alguns preconceitos caiam e que as noivas que me escrevem xatiadas por terem fechado o "pacotão" antes de conhecerem outras possibilidades ou porque é o que a grana tá permitindo possam se animar. Acho que também pode ajudar todo mundo que fez essa escolha por não ter tempo ou saco de ficar escolhendo cada detalhezinho do casório. 
Casar no buffet fechado pode ser uma escolha ótima e bem sucedida.

DIY CASAMENTO NO BUFFET PACOTÃO
1º Os tipos de pacotão
Os pacotes se dividem em 2 principais categorias:
a) Aluguel da casa de festas, com comida+bebida e decoração
b) Contratação do serviço de alimentação com decoração - a serem montados em lugar X

2º Verifique a comida e a bebida
A marca registrada dos casamentos pacotão é a comida anexada ao aluguel da casa ou a comida anexada na contratação de todos os demais itens do buffet (mesas, cadeiras, toalhas, etc). Isso significa que antes de mais nada você precisa saber se o que eles servem é bom porque não interessa se é casamento personalizado, de rico, de pobre, de chinês, de gaúcho A COMIDA TEM QUE SER BOA E FARTA, tem que ser bem servida, ninguém pode passar fome ou sede.
Antes de sonhar contratar o buffet, faça a degustação. Ok, você já fechou sem provar.. ai ai ai... Tente fazer uma degustação assim mesmo e faça uma lista das coisas que não funcionaram pra que elas não sejam servidas. 

Uma coisa importante é a bebida alcoólica; muitos buffets têm a mania de servir cerveja em jarras por ser "mais elegante". A cerveja esquenta, fica ruim de beber e pode até fazer mal. Prefira buffets que servem com os copos e as garrafas/latas na bandeja.  
Na área dos refrigerantes, certifique-se de que o buffet oferecerá opção para pessoas que não consomem açúcar. É fodaaaaaaaaaaaa o ser humano ser diabético e não ter o que beber. Pior: quando o garçom diz que é zero e não é por imaginar que é frescura da pessoa. Isso é sério demais, amiguinhos!

3 º Como é a casa?
Então você está em busca de uma casa de festas que receba seu casório. Afora o preço e as coisas que oferecem no pacote, a gente tem que ficar ligado nas instalações do local: está pintado? Tem infiltrações? A cozinha é ok? O sistema elétrico funciona bem? Existe gerador no lugar ou você precisaria alugar?

4º Mobiliário
O mobiliário tá no top five dos itens mais caros do casamento quando a gente fecha tudo separado. Daí que, sinceramente, dá o maior alivio pros bolsinhos saber que você não vai precisar pagar R$ 25,00 por uma mesa. Mas, como alegria de pobre dura pouco, saibam que 90% dos pacotes atuais trabalham com cadeiras de ferro brancas (as substitutas das cadeiras de bar com fantasminha). Gente, cadeira pode não parecer nada nessa vida, mas, se você tem 200 convidados, saiba que elas não poderão ficar invisíveis. É.. elas não são originais, sim, elas são boring mas, no woman no cry, porque é aqui que vamos começar nossa primeira intervenção personalizante.

4.1 Dando um jeito nas mesas dos convidados
a) Escolha toalhas em tecidos mais nobres e, de preferência, em cores fortes - gorgurinho e linho são ótimas opções. Corra do cetim podangi e do voil. Corra por sua vida! 
b) Chame a atenção para o teto - pendurar coisas no teto como lanternas japonesas ou pom pons de papel desviam a atenção de um mobiliario pouco atraente. Coisas penduradas conferem ainda ao ambiente um ar aconchegante e mágico, você nem vai se lembrar das cadeiras de ferro, ou até dos fantasminhas! 
c) Arranjos de mesa vistosos - já que você pagou também pelas flores quando fechou com o buffet, use esta vantagem para fazer arranjos bem bonitos e interessantes + usar sousplats. Uma regra básica para ser feliz nos arranjos é respeitar a proporção da mesa e o tipo de serviço. 

Mesa de 6 lugares = 30cm dimâmetro de arranjo
Mesa de 10 lugares = 40/45cm diâmetro
de arranjo
Velas, menu, número de mesa, sousplats etc contam como arranjo; não estamos falando só de flores aqui, mas de todas as bugingangas que formam o composé final.

Sousplat de espelho é um lance que nem todo mundo gosta, mas dá um ar de amplitude e de sofisticação sem afetação. Muitos buffets tem esse item no acervo



4.2  Dando um jeito nas mesas principais
a) Se seu buffet só conta com mesas de vidro e você não gosta delas, cubra com toalhas. Sim, sua mãe vai chiar, sim, a dona do buffet vai achar que isso é a morte, mas mostre a todos referências de que é possível sim uma mesa ser bonita com toalha. Mas e se o buffet não tem toalhas grandes o suficiente?? Bem, aí o jeito vai ser alugar. A de pranchão dá super certo!

b) Se seu buffet tem mesas de madeira, mas elas são provençais, evite colocar sobre ela coisinhas branquinhas e de rendinhas e provençais. A mesma regra que a a gente usa pra roupas se aplica aqui: a moda de sair vestido de uma cor só já passou há uns 30 anos. Misture materiais e invista do provençal rústico com metais galvanizados, latas de chá velhinhas, vidros coloridos estilo bico de jaca. Pra flores, vá de silvestres (como austromélia, chuva de prata, suculentas, flor do campo e lisiantus) ou de românticas clássicas (hortências, rosas e lisiantus novamente)

Se a casa conta com aparadores pra mesa de recado, de guloseimas, essas coisas, invista em caminhos de mesa bonitos e manda em cima! Arranjos de buchinho ou flor do campo no chão ajudam a esconder pés de mesa feios (em tempo: aquelas caixas que sustentam o tampo de vidro são chamadas de totem)
No casamento da Vivi e do Fabio, a Roberta Araújo teve a sacada de pegar os caminhos de mesa do buffet e usar pra dar um up à mesa de doces/bolo
O varal de fitas correu por conta da noiva. A mesa de vidro foi toda coberta com toalha de gorgurinho e juta. Os suportes misturaram provençal, palha e vidro para alegria de uns e desespero de outros LOL

5º Tecidos
Como acabei falando aí em cima, os tecidos tem participação importante. Eles podem salvar sua vida! A maioria dos buffets trabalha com os seguintes tecidos: cetim e voil. Se realmente os caras não tiverem outros tecidos, como o gorgurinho, escolha sempre cores forte. Elas imprimem personalidade! Mas aí tem uma coisa crucial: na hora em que os caras lá te perguntarem qual é a cor do casório, não adianta você falar "fucsia" ou "azul claro" tem que levar uma coisa na cor. Lembre-se de que a percepção de cor é um troço complexo; mal entendidos são super comuns. Corte pedaços de tecidos na cor eleita e entregue ao responsável do buffet em um envelope ou pranchinha. Se eles perderem, repita o processo. Não esqueça de colocar seu nome e data! E não ligue pros olhares sobre você.


Muitos buffets oferecem tecidos "penduráveis" também como voil pra pilastras e tecidos de fechamento. Converse com o responsável ou a responsável sobre a possibilidade de você escolher o tecido. Isso é importante principalmente quando se trata de um tecido estampado. Se  a pessoa não se mostrar muito animada com a ideia, proponha a compra pelo casal e um abatimento no valor total pago OU a inclusão de algum outro item que antes não estava no pacote como um chocolate ou mais flores.
 
Exemplos de fechamento em tecido: estar ligado nos termos dos decoradores ajuda bastante! (os casamentos dessas fotos não são meus)


6º  Cores
Escolha duas cores com o buffet e, junto com a pessoa que está te ajudando a ver a decor, veja qual será a paleta da festa. Sim! Sim! Paleta! Seus horizontes e possibilidades se abrem quando há mais cores para trabalhar além do vermelho e branco. Converse com sua decoradora ou com seu amigo designer sobre isso, eles podem te ajudar a desenvolver uma paleta. Pronto, você já sabe que tudo no salão vai ser vermelho e branco e que agora é só juntar as coisas em cores periféricas a paleta: aquelas xícaras da sua avó, aquele porta retrato que você comprou em Vigário Geral, aquela fita de cetim fofa.   
Eles vão te oferecer a base pra você criar a partir dela, saca?

7º Inventário dos itens
Essa é a espinha dorsal do meu método de personalização dos casamento em buffet fechado. É a parte mais dramática também. Se possível, vá acompanhado de outra pessoa mais aguerrida. Não gente! Ninguém vai bater em ninguém! Mas os buffets trabalham com o seguinte foco faço isso assim há 20 anos e sempre deu certo e pra maioria dos donos de buffet é uma heresia que a gente queira chegar lá e saber o que é que eles vão colocar em cima da mesa. PIOOOORRR pra eles é a morte isso de misturar materiais. Tudo precisa ser negociado com muito tato! Todas as donas de buffet que conheci tinham o coração enorme e muita devoção ao seu trabalho. Com certeza que já viram muitas merdas acontecerem e querem te preservar delas, te preservar de combinações que consideram feias. É essencial que desde o começo vocês deixem claro que querem mexer um pouco no tipo de decoração oferecida. 

A tia dona do buffet não vai te levar a sério e os meses vão passar daí um dia você aparece lá com papel e caneta querendo saber o que eles tem lá de toalha, de suporte pra docinhos e querendo misturar cetim com juta... pronto, você matou a tia!!! Vá com cuidado, mas com firmeza. Mostre que você sabe o que está fazendo, mostre imagens de referência, demonstre respeito ao trabalho deles e ao nome do buffet. 

Bem, então, WTF é o inventário dos itens? É a listagem de todas as coisas decorativas do buffet que vocês poderiam usar. Prepare-se pra descobrir um mundo novo! Eles tem vidros, madeirinhas, porcelanas, laternas, gaiolas, cestinhos! Anote tudo, as quantidades, tire fotos. Veja os tecidos disponíveis, os sousplats, os prendedores de guardanapos. Regozije-se de ter a sua disposição um acervo! 

Misturar material é viver!
Os niovos levaram a moldura, eu fiz o varal de fitas, a Ana Pads fez bigodinhos e boquinhas: tava feito o photobooth dos noivos 100% personalizado.
Coisas simples como uma caixa encapada com tecido ou uma tag podem se misturar às coisas do buffet e deixar as coisas mais orgânicas, menos pacotão. Mas tem de estar previsto no projeto, hein!
 Com tudo anotado, vá pra casa e faça desenhos (não precisa ser planta no AutoCad não, amigos) de onde entraria cada coisa. Claro, pode acontecer de ser meio frustrante e não ter lá o que você tava pensando, mas tente usar o máximo possível de coisas, faça valer a pena ter fechado com os caras. Liste o que você precisaria pra complementar o que os caras te oferecem. É algo que precise ser alugado? É algo que já existe na sua casa ou que você gostaria de comprar pra dentro de casa? É um coração de feltro que você está a fim de fazer? São sachês perfumados? 
Enfim, é a partir dos badulaques decorativos da casa de festa que você vai começar a montar a sua personalização, seja misturando o que eles já te oferecem, seja acrescentando coisas que você vai comprar, alugar ou fazer. 

Anote também quantos pontos de luz você tem disponível, caso o casório seja noturno!  Não existe lugar feio, existe lugar com iluminação inadequada. Converse com o profissional de decoração sobre como hackear a casa de festas xoxa e deixá-la maravilhesse.

7º DJ
Polêmico! Dramático! 
A verdade sobre o mundo é que fechar um pacote que inclui um DJ que gosta das mesmas coisas que vocês é a maior sorte que um casal pode ter. Assim como os buffets só usam mesa de vidro, o DJ da casa vai ser necessariamente um cara standard que toca o que, imagina, "todo mundo quer ouvir". Novamente você tem que ter tato e esperteza. Conversem com o cara pelo menos 10 dias antes do casamento e expliquem o que estão imaginando pro dia, as músicas que gostam, as músicas que desgostam. Proponham entregar a ele um pendrive com um setlist do que vocês curtem. Estabeleça aí nessa reunião quais serão as músicas da cerimônia, caso ela ocorra no salão, quais são as da primeira dança, buque etc..

8º Flores

Os sousplats e guardanapos eram do buffet, os cachepots de palhinha estavam perdidos no acervo e fiz os lacinhos prendedores de guardanapos. O arranjo de flores não ficou "bolinha" como no projeto - os caras não sabiam fazer - mas ficou gatinho
Os arranjos de flores precisam ser combinados com ao menos 3 meses de antecedência! Faça desenhos, deixe claro quais serão as cores e espécies, se abra para a opção de pintar as flores (eu tinha preconceeeeeito, mas passou). Vale fazer desenho, vale mostrar foto! Só se certifique de que, ao entregar esses "projetos", o responsável da casa de festas esteja de acordo com tudo.
Tá tosco e feito no paint, mas funciona gente!

8º Quem vai montar tudo??
Outro ponto importante! Já passei pelo problema de o  buffet ter dito que beleza, a gente monta o que vocês pensaram, mas na hora me deixaram lá sozinha montando tudo (a ingênua aqui não tinha equipe). Informe-se com o buffet sobre como a montagem poderia ser feita, se você pode levar pessoal de fora (profissas, hein!) pra ajudar ou para supervisionar, ser seus olhos. Procurem ser muito francos e honestos pra não dar problema na hora H!
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