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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Carol & Chico: às vezes é carnaval e o amor acontece


Teve aquela noite no Méier que não dá pra esquecer. A gente saiu da costureira sentindo que o vestido era mais do que um vestido, ele tinha virado uma humilde peça de arte fruto do nosso próprio sangue, suor, lágrimas e viagens estéticas cósmicas. Uma comemoração era exigida e todas as nossas comemorações envolviam cervejas. Só umas três, só pra ficar marcada a alegria e pra gente conversar uns últimos assuntos antes do casamento. Meu último ônibus pra casa passaria dentro de poucas horas então beleza, tomaríamos umas três cervejas. Um gole pro santo.

Como um solteiro psicótico com o controle remoto na mão, zapeávamos rapidamente de assuntos do casamento pra questões ginecológicas passando por Lacan:

- Pô, adoro Fulano... mas queria chamar só ele, não queria a galera família/agregados. Não dá pra ir a família toda! Eles são maneiros, mas não tenho mais dinheiro, na boa
- ... porque se a tranca do banheiro não funciona, eu não posso ficar com raiva se alguém entra e me flagra cagando. A gente tem que aprender a passar tranca nas intimidades pra depois não ficar reclamando de invasões.

Falamos da vida, choramos pitangas amorosas, financeiras, sociais. Você se lembrou da cirurgia no nariz e eu do meu relacionamento complicado com minha mãe. O garçom trouxe a quarta garrafa. Só pra ficar número par. O clima era de despedida, mas foi aí que a Juliana ligou e disse que tava por perto, resolveu aparecer. Ela pediu uma caipirinha jumbo e fomos obrigadas pelas boas normas da educação britânica a reabrir a conta do bar. Demos mais um gole pro santo.

Eram 3:30 da manhã quando finalmente chegamos ao apartamento da Carol em Copacabana. Eu tinha perdido o último ônibus e, tentando chegar no Centro da cidade, pegamos uma condução errada indo simplesmente parar em Madureira sem um real no bolso. Será que rola táxi no débito?
 - Eu não vou dar esporro, mas tenho que dizer uma coisa: vocês duas são muito mais espertas do que isso. 

O que o Chico disse bateu lá no fundo e acho que você sentiu o mesmo. A gente tinha se metido numa furada escrota típica de bêbadas amadoras. Lembro de não conseguir dormir pensando que era uma confusão aquilo tudo, não, não só o ônibus pra Madureira, mas o fato de que você era minha cliente e eu tava ali no seu sofá usando seu pijama. Aquilo tinha sido um acidente! Quero dizer, eu trabalhar pra você e, ao mesmo tempo, te considerar uma broder da mais alta categoria. Não era culpa de ninguém, cara. Aquela amizade foi um negócio que simplesmente aconteceu, tão natural quanto o engradado inteiro de Brahma que tínhamos acabado de consumir.
Foi com algum esforço que finalmente peguei no sono. 
Vocês foram trabalhar e me deixaram no apartamento (Fica à vontade hein!) fazendo hora pra ir pro analista. As horas foram passando e era engraçado como eu precisava daquele momento e nem fazia ideia exatamente do porquê. Vou ser sempre grata a você e ao Chico por aquela manhã e por aquela tarde de silêncio sentindo uma estranheza inexplicável no corpo, uma mistura de ansiedade com ressaca. Não, eu não fazia ideia de que naquele instante, enquanto eu olhava a floresta e os macaquinhos de Copa, tinha um bebê crescendo dentro de mim... E vou te contar o mais louco: acho que no fundo eu já sabia. Eu soube em algum momento no seu apartamento. Nunca comentei isso contigo porque meio viagem né? Mas, de alguma forma, eu fiquei sabendo que o Joaquim tinha saído com a gente e bebido escondido.

Carol e Chico se conheceram em 2005 no Escravos da Mauá - sabe o bloco de carnaval? Ele chegou cheio de graças e ela tem o riso frouxo, se deixou levar pela conversa do cara, barbudinho, respostas rápidas. 
Chico pediu o telefone dela, tava interessado, mas Chico nunca telefonou. Carol esperou um cado, Carol desencanou. 
Os dois acabaram se esbarrando em outros eventos fluminenses da mais alta importância: jogos do Botafogo, noites no Arco Iris da Rua do Lavradio.. e aquele mesmo padrão: o cara chegava com uma conversa provocativa, risos, delicinhas, pô me dá seu telefone, a menina dava o número. Chico nunca telefonava. Carol desencanava.
Olha, eu também custo a acreditar que chegou o verão de 2009 (!) e o cara ainda não tinha conseguido dar finalização ao processo, mas a Carol tava lá, noutro carnaval, semi-sozinha/semi-acompanhada de um ex e chegou lá o Chico pedindo o telefone dela novamente, chamando pra irem ao cinema qualquer dia e ela tava afim pra cacete mas, na boa, não ia dar o número novamente não:
- Corre atrás do telefone que eu vou.

Para felicidade geral da nação Botafoguense, Francisco Vereza catou o telefone da moça, ligou e finalmente eles puderam consumar uns amassos. Aeeee!
Mas tá que essas coisas nunca são fáceis. A gente encontra aquela pessoa que te faz feliz com a calma e simplicidade que a felicidade precisa ter, mas aí tem ex, tem confusão, tem vai e volta. O amor é assim, o amor não é fácil. Se amor fosse fácil se chamava miojo.
Nossos heróis ainda precisaram de mais um ano pra ajustarem as coisas todas e aí sim o namoro engatou direitinho igual música do Tom Zé com direito a pedido de casamento e tudo.


Foi exatamente aí que surgi na história desses lindos. Ela me mandou um email em novembro de 2012 e o título era assim: opa! Só isso "opa!", com letras minúsculas denotando uma intimidade danada. Achei muito auspicioso o título, escrevi. Ela respondeu dizendo que achou auspicioso eu ter achado auspicioso. Nos encontramos alguns dias depois. 
Adoraria falar uma parada mega profissa, que tínhamos nos encontramos no Starbucks, mas a realidade é que a gente se reuniu num bar mesmo. Meu escritório é na praia. Ela chegou esbaforida, tava vindo de uma caminhada apressada lá da Unirio, já sentou e foi acendendo um cigarro pra se localizar no mundo.Pedimos uma cerveja. Ela começou a reclamar do suor caindo na testa e fez um muro de contenção com guardanapos.
- Cara, eu cheguei há meia hora e só agora to suando? - e passava o guardanapo na testa, nos peitos -  Eu to suando em delay! - pronto, me apaixonei.
Garrafa vai, garrafa vem e ela me falou dela, do trabalho com figurino, da experiência na dança popular, das fantásticas criações que a gente pode fazer usando chita e sobre os planos pro casamento.

O casamento...! Já tinha lugar: Solar das Palmeiras, Botafuego. A ideia era fazer um negócio gostoso, colorido, sem afetações, sem frescura, mas ao mesmo tempo charmoso. Também não podia sair muito caro. Ela e o Chico tinham pensado num DJ da Matriz pra tocar, amigo de amigos. Pra fotografia eles também tinham acertado um contato broder, o viado do escritório faria a make e um dos mil amigos ~disainer~ ia agitar os convites. O clima era bem esse. Ah! Tinha que ter um lance retrô também! Ela perguntou se era viável. Perguntei se dava pra ser mês que vem.
A gente precisava achar um visual que desse conta de comunicar a ideia toda de chique-à-vontade. Tinha que ter  um serviço de comida que favorecesse a galera a circular pelo casamento, tinha que ter um convite criativo que já de cara dissesse às pessoas qual era o clima,  tinha que ter zuera e tinha que ser do amor.
A primeira ideia louca surgiu ali mesmo. A Carol tinha pensado em biscoitinhos da sorte ao invés de bem casados e aí que a fornecedora dava a opção de colocar frases personalizadas em cada um. Geralmente as pessoas escolhiam o nome dos noivos e a data do casamento, mas, por favor não essa egotrip da pessoa abrir o biscoito e ver CAROL & CHICO - DIA TAL ANO TAL.. Mas imagina, apenas imagina, que o cidadão pega o biscoito, morde e encontra lá dentro um papel com o seguinte oráculo


SÓ DE PENSAR QUE SUA BOCA BEIJOU OUTRA BOCA, 
EU SINTO O GOSTO AMARGO DA DESILUSÃO E ISSO É MAL

Gargalhamos bundas! (eu to aqui shorando de rir enquanto escrevo isso). Cafonagens-amor + lances retrô anos 50 misturado com contemporaneidade rasgada: estava definido o conceito do casamento.
Não sei como a reunião acabou. Bebemos. Nada mais me lembro.



A primeira coisa que a gente correu atrás foi de buffet e decor. Carol e Chico fizeram algumas degustações e decidiram sem muitas delongas qual seria o serviço de comes e bebes. Pra decor, fechamos com a Roberta Araujo, com quem eu fazia parcerias na época.Já que economia era uma questão mais do que pertinente, definimos algumas prioridades: 
  • certos itens seriam definidos com menos preciosismo que outros, 
  • ignoraríamos marcas, 
  • estávamos dispostas a embarcar em experiências pouco ortodoxas. 
 Um exemplo maravilhoso disso foram as alianças. Falei pra Carol dar um pulo numa joalheria inferninho da Alfândega, comandada por um judeu mais misterioso que o Batman. Bem, o lugar não é bonito nem convidativo, tenho até vergonha e raramente indico pra alguém (fica num subsolo e as funcionárias criam gatinhos de rua na escada de mármore da loja) mas Carol, a noiva Loki se dispôs a conferir. Você não recebe nenhuma caixa chique azul turquesa nem é tratado como se estivesse no aeroporto de Dubai, mas recebe suas jóias perfeitas, ouro maciço com opção de acabamento anatômico, preço maravilhoso, parcelas suaves. Carol e Chico escolheram uma gramatura lá e saíram saltitantes.

Com docinhos também não rolaram grandes entraves. Fomos direto no fornecedor mais confiável e que oferecia o menor preço + beleza. Pra chegar até ele tem que ir pra Del Castilho? Sim, mas o importante é você manter suas prioridades e a nossa era fechar doces até 20% abaixo do valor médio do mercado. Done.

Já vestido... Isso era parada séria. A Carol tinha pensado em ir em algum estilista ver isso mas.. cara, ela trabalhava com figurino, tinha noções de desenho! Vamos fazer esse vestido!! Bora!!
Procuramos a Gorete costureira e ela nos ouviu com atenção. Não entendeu porra nenhuma das referências, achava tudo muito louco mas se dispôs a fazer hahahaha Como se ela tivesse escolha!!

Primeira visita a costureira: Gorete, empresta um retalhos pra gente? Então, pensamos num negócio assim ó
Os tecidos foram comprados no Saara também (alô Saara, te amo!). Casas Pinto.
Demos sorte na época porque agora a Casas Pinto tá super ruim de variedade de rendas, mas ainda acho extremamente válido ir a campo e garimpar peças interessantes por lá. Foi nesse lugar  que encontramos a renda foda do vestido da Carol. Não foi na Assuf. Não foi na GJ Tecidos - a ideia era investir mais em detalhes como uma faixa/laço de seda na cintura. Mas, olha, foi tenso decidir por aquela compra. A renda era muito anos 20 e o preço ultrapassava as expectativas. Será que daria certo usá-la numa coisa 50's? Como faríamos isso? A ideia já tava indo pra vala quando a Carol esbarrou com uma amiga nos corredores da loja; papo vai, papo vem, a mulher era simplesmente sinistra em assuntos de montagem de figurino e design de moda. Disse que tinha que ser aquele. Tinha que ser. Sabe desses momentos místicos? Então, a gente não podia contrariar e aí a Carol comprou.

Logo no primeiro teste, a renda mostrou a que veio. Linda, interessante, com seus arcotes art déco... Mas não se encaixava no modelo!! Ficou um merda! Tiramos mil fotos. Comprovamos que tava cagado. Desanimamos. Ela desesperou. Eu falei CALMA CARA! mas mal conseguia disfarçar que também estava perdida. Mano, e agora?

Carol foi pra casa agarrada com a renda. Fez testes. Põe arcote de renda pra cá, põe arcote de renda pra lá. Não, pera! Tirou fotos. Podia dar certo sim! Esperança no coração! Marcamos nova prova. Novamente: põe o desenho pra cá, poe o desenho pra lá. Pega a tesoura, tira esse arco, tira essas pedras, encaixa, transforma essa parte em manga, faz o decote nas costas. Passa alfinete em tudo e aí de repente PAAAA!! o protótipo do vestido tava na nossa cara. Vitória do povo de deus!!
As três atiradas no sofá mortas com farofa de cansaço mental, físico, tudo, mas tinha dado certo. Na saída, Carol acendeu em silêncio um cigarro pós-coito. Foi bom pra mim também.

Faltavam um mês e pouco pro casamento quando fomos dar o gás final na decoração. Em algum momento que não sei precisar, de tanto falarmos de Mad Men, eu acho, surgiu a ideia de usarmos formas icones pop e consumo de massa vintage na decor. Hemmer, Guaraná Cruzeiro, Sopa Campbell... Seriam usadas latas como suporte pras flores, junto com garrafinhas. A Roberta deu a ideia de acrescentarmos referências às profissões da Carol e do Chico (ela figurino, ele cinema) e usarmos fitas de VHS como suporte pra docinhos.
Achei as latas de Campbell no Supermercado Guanabara. Hemmer é fácil, tem em qualquer mercadin. As outras eram latas de extrato de tomate normais encapadas com rótulos retrô que achei pra baixar nesse site aqui ó >> http://www.ehabaref.com/blog/2012/01/14/vintage-label-designs/

Tudo definido e, após algum stress, fomos pro Saara comprar as coisas. Carol putona de ter de gastar grana em forminhas (Pra que!?! Não quero comprar essa porra!! Nêgo vai jogar fora!) mas não tem jeito, forminhas são itens escrotos, mas essenciais ao vizu plástico da mesa de doces. Optamos por forminhas mega coloridas, seguindo a paleta do casamento e acrescentando um pink berrante.
Seguindo essa ideia das cores e releituras pop, compramos um tecido estampado que de arabesco colorido (tinha azul, vermelho, rosa...). Arabescos são um padrão super clássico, mas em vermelho tomate ficou outra coisa! Ficou sensa! Recomendo com força usar versões ultracoloridas de ideias clássicas. Confere personalidade à produção, saca? Não pode ter medo de ousar e escolher as mesmas cores e estampas que todo mundo usa. Ainda mais se você vai casar num lugar como o Solar das Palmeiras, que é um casarão antigo de personalidade própria; você tem que vir com elementos que desafiem a arquitetura do local (seja com cores, seja com formas) se não a coisa não aparece. Não pode ter medo! Medo is for sissies!

E foi assim, tarefa a tarefa cumprida que chegamos ao dia do casamento.
Contrariando a tradição, eu estava calma no dia. Era só catar os DIY que estavam aqui em casa, as coisas pro cerimonial e partir. Tudo seria lindíssimo, se não fosse aquele enjoo que eu tava sentindo e que me fazia querer entrar embaixo da cama e morrer. Não dava nem pra raciocinar direito! Mas tinha de catar os caquinhos de mim e trabajar.
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Antes de sair de casa, conferida no grupo super normal de resolução de coisas no WhatsApp: Casamento Bolado
Encontrei a Arajany no Solar. Linda! De avental, turbante (odeio aqueles turbantes dela que não consigo fazer igual em casa!!). Era sua estreia como florista. Nhaaaa <3 Como tava meio desnorteada de enjoo, resolvi focar no buquê. Eu e a Ara tínhamos planejado um buquê horizontal mas ia ficar too much com o vestido volumoso dela! Pensei então em usar tons pasteis e flores delicadas fazendo uma bagunça com as folhagens e espécies mais exóticas que a Arajany tinha comprado pra mim.

Tudo estaria maravilhoso não fosse meu enjoo e a tensão crescente que ia me batendo ao perceber que realmente teríamos muito mais convidados do que o número de mesas e cadeiras comportaria. Sim, teve isso. A história é longa, mas dá pra resumir com a seguinte fábula: era uma vez um urso da floresta muito sociável que tinha uma lista de convidados enorme, só com bichinhos broderes, bichinhos da floresta e da montanha muito queridos que não podiam ser cortados. Fim.
Pra tentar aliviar minha barra, catei uma lousa e escrevi

CASAMENTO OVERBOOKED. CAROL E CHICO SÃO MUITO QUERIDOS, 
NÃO HÁ LUGARES PARA TODOS.
 
Na boa, se alguém leu o aviso eu não sei. Só sei que o povo chegou e realmente não ficou aborrecido com a lotação. Algumas pessoas foram para dentro do salão e outras foram para a área da cerimônia. Pareciam todos felizes e contentes. Só eu ali quase surtando por causa disso e por que o coraçãozinho de feltro que decorava o porta alianças tinha caído e sumido. Odeio quando essas coisas acontecem!  
Mas, contra todas minhas expectativas da neura da limpeza, o buquê ficou pronto, o coraçãozinho apareceu, o cortejo foi organizado e a noiva chegou.

Noiva armada com seu buquê. Diva! Diva de batão vermelho! Diva de unha vermelha! 
Uma cerimônia civil linda: é por livre e espontânea que insistem no intento de se unirem?
SIM SIM! E aí foi beijo e os alunos no colégio que dá fundos pro Solar das Palmeiras, confinados em algum sábado letivo, começaram a gritar e bater palmas.
Aquelas bolas coloridas ao fundo, o vestido incrível da Carol. Chico, me perdoe aí o mal jeito de não estar por aqui também cantando suas belezas, mas sua senhora estava muito sensacional de um modo que não consigo tirar da cabeça até hoje. Tudo se encaixava.... era como se pessoas sóbrias tivessem planejado o casamento LOLL
Organizei a galera pras fotos, o buffet começou a rodar uma comidinha e foi dado início ao que seria o maior consumo de prosecco da história dos casamentos Vou Casar & Panz. As crianças corriam hipnotizadas com os balões de gás hélio no pulso. Algumas pessoas pegaram seu caldo de funghi e sentaram na escadinha da entrada da casa, outras preferiram ficar na área onde foi a cerimônia curtindo um beck a natureza. O DJ tocava faixas do Transa de Caetano misturado com Tecnobrega. 
Em certo momento, Carol pegou o Chico no colo. Mil fotos, mil beijos. 

Era bom estar entre amigos, era bom ver concretizado um bando de pequenas e grandes coisas que você tanto desejou. Com o tempo nesse trabalho você percebe o quanto esses momentos são raros. Preciso das boas lembranças e das boas coisas cultivadas por perto.. Aquele dia fui pra casa e fiquei olhando pro teto no escuro tendo certeza de que meu trabalho só dava certo se fosse daquele jeito. Meu trabalho era loki.

Epílogo
- Olá, sou uma van!
- Meu deus! Você tá enorme!! 
Tinha até esquecido que a gente tava na porta do apartamento de outra cliente minha, achei que tivesse na sala da minha casa! A gente se abraçou e eu tava sentindo uma saudade sem tamanho daquela mulher. 
Ela tinha ido a casa de uma noiva pra ajudar com o vestido. A ideia inicial era só passar, mas percebemos uns defeitos de fabricação/costura que precisavam ser ajustados. Rapidamente, Carol sacou um caderninho e desenhou o modelo. Debatemos as soluções e montamos um plano pra deixar tudo nos conformes. 
Mais tarde, na calçada, fazia frio e o taxi demorava a chegar no Leme. Vivas. Como você tá? e eram meses de assuntos que a gente precisava colocar em dia. Vamos marcar alguma coisa; é a única coisa que a retórica carioca consegue esboçar nessas horas. 
- Uma água com gás? Que tal?
A gente devia trabalhar juntas sempre com vestidos, sugeri. Ela concordou jogando a fumaça pra cima.Mostrou desenhos de figurinos. Seria incrível
- Eu, você e Gorete. A gente podia criar, ajudar a montar looks, ir catar tecido no Saara. Imagina! 
Imaginei... O carro chegou e a gente se separou novamente na Cardeal Arcoverde.Vida de merda! Por que eu morava tão longe? 
- Calma, a gente vai ter tempo! A gente marca - e você falou com uma calma, entrou no táxi novamente acenando da janela na maior calma. E então de repente as pessoas estão na sua vida e você sabe que elas não vão embora porque um contrato acabou. Esses encontros são tão doidos, repentinos. Acabo de lembrar que até hoje não devolvi seu pijama, mas a gente vai ter tempo não é? 
- Manda um beijo pro Chico!! - gritei antes do taxi sair.
Certa vez você disse que algumas pessoas vibram. Você, vocês dois vibram tanto e de uma maneira tão viciante.. quero pra sempre. A cerveja. As conversas no ponto de ônibus. Copa. É assim: às vezes é carnaval e o amor acontece.




~~~OS ENVOLVIDOS ~~~
Local da Cerimônia e da festa: Solar das Palmeiras | Vestido: Gorete (costureira) | Tecido: Casas Pinto | Tiara: Ouvidor 120 | Celebrante: Juiz Paulo Novaes | Maquiagem e cabelo: amigo da noiva | Convites: um amigo fez a arte e a gente montou || Decoração: Roberta Araujo Eventos || Flores: Nega Fulô | Balões: AliExpress || Buquê: Prill com colaboração de Arajany Coêlho | Mobiliário: Mineirart || DJ: Fukô (do Boca do Trombone) || Bolo: Bolos da Marcelina || Doces: RR Delícias || Bem-casados: pães de mel maravilhosos feitos pela tia da noiva || Assessoria e Cerimonial: Vou Casar e Panz com a equipe>> Arajany e Marcella || Fotografia: do querido Henri Passos - Foto & Conceito

terça-feira, 19 de março de 2013

Fazendo um casamento personalizado no buffet com tudo fechado

Um bolo handmade incrível, um coraçãozinho de feltro maroto... ninguém vai querer saber se as cadeiras do salão são de plástico ou de adamantium
A gente fala aqui o tempo todo - e vê o tempo todo nos blogs e fóruns - de casamentos personalizados, cheios de detalhes, levantados pelos próprios noivos com seus amigos e familiares na maior faca nos dentes, contratando cada coisa separada, cada fitinha, cada cadeira, brigadeiro, forminha e toalha. Posso justificar minha preferência: casei desse jeito, foi legal, foi gratificante. A partir da minha experiência positiva, acabei desenvolvendo horror contra buffets "pacotão" que dariam então numa experieñcia negativa. Isso também pode ser facilmente justificável, sabe. 

Na época do meu casamento procurei por salões e casas de festa de São Gonçalo que pudessem comportar nosso lance, mas só o que via eram aquelas cadeiras com fantasminhas e toalhas de voil. Todas as fotos de todos os casamentos eram identicas, só o que mudavam eram as cores. Me incomodava principalmente aquelas mesas de bolo/doces de vidro (tudo em cima da mesa também era de vidro) ou provençais (a mesa era branca, beirada de rendinha, todas as coisas em cima também eram brancas com bordas de rendinha). Esteticamente bizarras, esteticamente tediosas, aquelas decorações não tinham absolutamente nada a ver com as coisas que a gente via nos blogs gringos (em 2011/2010 poucos eram os blogs nacionais que traziam referências gringas e basicamente não existiam casamentos nacionais com ideias mais arejadas). Acabamos optando assim por correr atrás nós mesmos das coisas que a gente curtia. O resto da história vocês conhecem.

Mas, como sempre, a vida vem e te surpreende. É foda aprender na escola da vida, mas ela expande seus horizontes na base da porrada, esteja você pronto ou não pra isso. Trabalhando com casamentos e tendo por clientes noivos que, por motivos variados, tinham sacramentado a decisão de casar em salões/buffet pacotão, acabei não só precisando lidar com isso, mas desenvolvendo métodos de ação pra que a parada tivesse a cara dos noivos mesmo num ambiente cuja prioridade é a repetição e não a exclusividade. 

Esse "tutorial" é fruto das observações e experiências loucas que tive montando casamentos nesses lugares. Espero que alguns preconceitos caiam e que as noivas que me escrevem xatiadas por terem fechado o "pacotão" antes de conhecerem outras possibilidades ou porque é o que a grana tá permitindo possam se animar. Acho que também pode ajudar todo mundo que fez essa escolha por não ter tempo ou saco de ficar escolhendo cada detalhezinho do casório. 
Casar no buffet fechado pode ser uma escolha ótima e bem sucedida.

DIY CASAMENTO NO BUFFET PACOTÃO
1º Os tipos de pacotão
Os pacotes se dividem em 2 principais categorias:
a) Aluguel da casa de festas, com comida+bebida e decoração
b) Contratação do serviço de alimentação com decoração - a serem montados em lugar X

2º Verifique a comida e a bebida
A marca registrada dos casamentos pacotão é a comida anexada ao aluguel da casa ou a comida anexada na contratação de todos os demais itens do buffet (mesas, cadeiras, toalhas, etc). Isso significa que antes de mais nada você precisa saber se o que eles servem é bom porque não interessa se é casamento personalizado, de rico, de pobre, de chinês, de gaúcho A COMIDA TEM QUE SER BOA E FARTA, tem que ser bem servida, ninguém pode passar fome ou sede.
Antes de sonhar contratar o buffet, faça a degustação. Ok, você já fechou sem provar.. ai ai ai... Tente fazer uma degustação assim mesmo e faça uma lista das coisas que não funcionaram pra que elas não sejam servidas. 

Uma coisa importante é a bebida alcoólica; muitos buffets têm a mania de servir cerveja em jarras por ser "mais elegante". A cerveja esquenta, fica ruim de beber e pode até fazer mal. Prefira buffets que servem com os copos e as garrafas/latas na bandeja.  
Na área dos refrigerantes, certifique-se de que o buffet oferecerá opção para pessoas que não consomem açúcar. É fodaaaaaaaaaaaa o ser humano ser diabético e não ter o que beber. Pior: quando o garçom diz que é zero e não é por imaginar que é frescura da pessoa. Isso é sério demais, amiguinhos!

3 º Como é a casa?
Então você está em busca de uma casa de festas que receba seu casório. Afora o preço e as coisas que oferecem no pacote, a gente tem que ficar ligado nas instalações do local: está pintado? Tem infiltrações? A cozinha é ok? O sistema elétrico funciona bem? Existe gerador no lugar ou você precisaria alugar?

4º Mobiliário
O mobiliário tá no top five dos itens mais caros do casamento quando a gente fecha tudo separado. Daí que, sinceramente, dá o maior alivio pros bolsinhos saber que você não vai precisar pagar R$ 25,00 por uma mesa. Mas, como alegria de pobre dura pouco, saibam que 90% dos pacotes atuais trabalham com cadeiras de ferro brancas (as substitutas das cadeiras de bar com fantasminha). Gente, cadeira pode não parecer nada nessa vida, mas, se você tem 200 convidados, saiba que elas não poderão ficar invisíveis. É.. elas não são originais, sim, elas são boring mas, no woman no cry, porque é aqui que vamos começar nossa primeira intervenção personalizante.

4.1 Dando um jeito nas mesas dos convidados
a) Escolha toalhas em tecidos mais nobres e, de preferência, em cores fortes - gorgurinho e linho são ótimas opções. Corra do cetim podangi e do voil. Corra por sua vida! 
b) Chame a atenção para o teto - pendurar coisas no teto como lanternas japonesas ou pom pons de papel desviam a atenção de um mobiliario pouco atraente. Coisas penduradas conferem ainda ao ambiente um ar aconchegante e mágico, você nem vai se lembrar das cadeiras de ferro, ou até dos fantasminhas! 
c) Arranjos de mesa vistosos - já que você pagou também pelas flores quando fechou com o buffet, use esta vantagem para fazer arranjos bem bonitos e interessantes + usar sousplats. Uma regra básica para ser feliz nos arranjos é respeitar a proporção da mesa e o tipo de serviço. 

Mesa de 6 lugares = 30cm dimâmetro de arranjo
Mesa de 10 lugares = 40/45cm diâmetro
de arranjo
Velas, menu, número de mesa, sousplats etc contam como arranjo; não estamos falando só de flores aqui, mas de todas as bugingangas que formam o composé final.

Sousplat de espelho é um lance que nem todo mundo gosta, mas dá um ar de amplitude e de sofisticação sem afetação. Muitos buffets tem esse item no acervo



4.2  Dando um jeito nas mesas principais
a) Se seu buffet só conta com mesas de vidro e você não gosta delas, cubra com toalhas. Sim, sua mãe vai chiar, sim, a dona do buffet vai achar que isso é a morte, mas mostre a todos referências de que é possível sim uma mesa ser bonita com toalha. Mas e se o buffet não tem toalhas grandes o suficiente?? Bem, aí o jeito vai ser alugar. A de pranchão dá super certo!

b) Se seu buffet tem mesas de madeira, mas elas são provençais, evite colocar sobre ela coisinhas branquinhas e de rendinhas e provençais. A mesma regra que a a gente usa pra roupas se aplica aqui: a moda de sair vestido de uma cor só já passou há uns 30 anos. Misture materiais e invista do provençal rústico com metais galvanizados, latas de chá velhinhas, vidros coloridos estilo bico de jaca. Pra flores, vá de silvestres (como austromélia, chuva de prata, suculentas, flor do campo e lisiantus) ou de românticas clássicas (hortências, rosas e lisiantus novamente)

Se a casa conta com aparadores pra mesa de recado, de guloseimas, essas coisas, invista em caminhos de mesa bonitos e manda em cima! Arranjos de buchinho ou flor do campo no chão ajudam a esconder pés de mesa feios (em tempo: aquelas caixas que sustentam o tampo de vidro são chamadas de totem)
No casamento da Vivi e do Fabio, a Roberta Araújo teve a sacada de pegar os caminhos de mesa do buffet e usar pra dar um up à mesa de doces/bolo
O varal de fitas correu por conta da noiva. A mesa de vidro foi toda coberta com toalha de gorgurinho e juta. Os suportes misturaram provençal, palha e vidro para alegria de uns e desespero de outros LOL

5º Tecidos
Como acabei falando aí em cima, os tecidos tem participação importante. Eles podem salvar sua vida! A maioria dos buffets trabalha com os seguintes tecidos: cetim e voil. Se realmente os caras não tiverem outros tecidos, como o gorgurinho, escolha sempre cores forte. Elas imprimem personalidade! Mas aí tem uma coisa crucial: na hora em que os caras lá te perguntarem qual é a cor do casório, não adianta você falar "fucsia" ou "azul claro" tem que levar uma coisa na cor. Lembre-se de que a percepção de cor é um troço complexo; mal entendidos são super comuns. Corte pedaços de tecidos na cor eleita e entregue ao responsável do buffet em um envelope ou pranchinha. Se eles perderem, repita o processo. Não esqueça de colocar seu nome e data! E não ligue pros olhares sobre você.


Muitos buffets oferecem tecidos "penduráveis" também como voil pra pilastras e tecidos de fechamento. Converse com o responsável ou a responsável sobre a possibilidade de você escolher o tecido. Isso é importante principalmente quando se trata de um tecido estampado. Se  a pessoa não se mostrar muito animada com a ideia, proponha a compra pelo casal e um abatimento no valor total pago OU a inclusão de algum outro item que antes não estava no pacote como um chocolate ou mais flores.
 
Exemplos de fechamento em tecido: estar ligado nos termos dos decoradores ajuda bastante! (os casamentos dessas fotos não são meus)


6º  Cores
Escolha duas cores com o buffet e, junto com a pessoa que está te ajudando a ver a decor, veja qual será a paleta da festa. Sim! Sim! Paleta! Seus horizontes e possibilidades se abrem quando há mais cores para trabalhar além do vermelho e branco. Converse com sua decoradora ou com seu amigo designer sobre isso, eles podem te ajudar a desenvolver uma paleta. Pronto, você já sabe que tudo no salão vai ser vermelho e branco e que agora é só juntar as coisas em cores periféricas a paleta: aquelas xícaras da sua avó, aquele porta retrato que você comprou em Vigário Geral, aquela fita de cetim fofa.   
Eles vão te oferecer a base pra você criar a partir dela, saca?

7º Inventário dos itens
Essa é a espinha dorsal do meu método de personalização dos casamento em buffet fechado. É a parte mais dramática também. Se possível, vá acompanhado de outra pessoa mais aguerrida. Não gente! Ninguém vai bater em ninguém! Mas os buffets trabalham com o seguinte foco faço isso assim há 20 anos e sempre deu certo e pra maioria dos donos de buffet é uma heresia que a gente queira chegar lá e saber o que é que eles vão colocar em cima da mesa. PIOOOORRR pra eles é a morte isso de misturar materiais. Tudo precisa ser negociado com muito tato! Todas as donas de buffet que conheci tinham o coração enorme e muita devoção ao seu trabalho. Com certeza que já viram muitas merdas acontecerem e querem te preservar delas, te preservar de combinações que consideram feias. É essencial que desde o começo vocês deixem claro que querem mexer um pouco no tipo de decoração oferecida. 

A tia dona do buffet não vai te levar a sério e os meses vão passar daí um dia você aparece lá com papel e caneta querendo saber o que eles tem lá de toalha, de suporte pra docinhos e querendo misturar cetim com juta... pronto, você matou a tia!!! Vá com cuidado, mas com firmeza. Mostre que você sabe o que está fazendo, mostre imagens de referência, demonstre respeito ao trabalho deles e ao nome do buffet. 

Bem, então, WTF é o inventário dos itens? É a listagem de todas as coisas decorativas do buffet que vocês poderiam usar. Prepare-se pra descobrir um mundo novo! Eles tem vidros, madeirinhas, porcelanas, laternas, gaiolas, cestinhos! Anote tudo, as quantidades, tire fotos. Veja os tecidos disponíveis, os sousplats, os prendedores de guardanapos. Regozije-se de ter a sua disposição um acervo! 

Misturar material é viver!
Os niovos levaram a moldura, eu fiz o varal de fitas, a Ana Pads fez bigodinhos e boquinhas: tava feito o photobooth dos noivos 100% personalizado.
Coisas simples como uma caixa encapada com tecido ou uma tag podem se misturar às coisas do buffet e deixar as coisas mais orgânicas, menos pacotão. Mas tem de estar previsto no projeto, hein!
 Com tudo anotado, vá pra casa e faça desenhos (não precisa ser planta no AutoCad não, amigos) de onde entraria cada coisa. Claro, pode acontecer de ser meio frustrante e não ter lá o que você tava pensando, mas tente usar o máximo possível de coisas, faça valer a pena ter fechado com os caras. Liste o que você precisaria pra complementar o que os caras te oferecem. É algo que precise ser alugado? É algo que já existe na sua casa ou que você gostaria de comprar pra dentro de casa? É um coração de feltro que você está a fim de fazer? São sachês perfumados? 
Enfim, é a partir dos badulaques decorativos da casa de festa que você vai começar a montar a sua personalização, seja misturando o que eles já te oferecem, seja acrescentando coisas que você vai comprar, alugar ou fazer. 

Anote também quantos pontos de luz você tem disponível, caso o casório seja noturno!  Não existe lugar feio, existe lugar com iluminação inadequada. Converse com o profissional de decoração sobre como hackear a casa de festas xoxa e deixá-la maravilhesse.

7º DJ
Polêmico! Dramático! 
A verdade sobre o mundo é que fechar um pacote que inclui um DJ que gosta das mesmas coisas que vocês é a maior sorte que um casal pode ter. Assim como os buffets só usam mesa de vidro, o DJ da casa vai ser necessariamente um cara standard que toca o que, imagina, "todo mundo quer ouvir". Novamente você tem que ter tato e esperteza. Conversem com o cara pelo menos 10 dias antes do casamento e expliquem o que estão imaginando pro dia, as músicas que gostam, as músicas que desgostam. Proponham entregar a ele um pendrive com um setlist do que vocês curtem. Estabeleça aí nessa reunião quais serão as músicas da cerimônia, caso ela ocorra no salão, quais são as da primeira dança, buque etc..

8º Flores

Os sousplats e guardanapos eram do buffet, os cachepots de palhinha estavam perdidos no acervo e fiz os lacinhos prendedores de guardanapos. O arranjo de flores não ficou "bolinha" como no projeto - os caras não sabiam fazer - mas ficou gatinho
Os arranjos de flores precisam ser combinados com ao menos 3 meses de antecedência! Faça desenhos, deixe claro quais serão as cores e espécies, se abra para a opção de pintar as flores (eu tinha preconceeeeeito, mas passou). Vale fazer desenho, vale mostrar foto! Só se certifique de que, ao entregar esses "projetos", o responsável da casa de festas esteja de acordo com tudo.
Tá tosco e feito no paint, mas funciona gente!

8º Quem vai montar tudo??
Outro ponto importante! Já passei pelo problema de o  buffet ter dito que beleza, a gente monta o que vocês pensaram, mas na hora me deixaram lá sozinha montando tudo (a ingênua aqui não tinha equipe). Informe-se com o buffet sobre como a montagem poderia ser feita, se você pode levar pessoal de fora (profissas, hein!) pra ajudar ou para supervisionar, ser seus olhos. Procurem ser muito francos e honestos pra não dar problema na hora H!
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