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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Carol & Chico: às vezes é carnaval e o amor acontece


Teve aquela noite no Méier que não dá pra esquecer. A gente saiu da costureira sentindo que o vestido era mais do que um vestido, ele tinha virado uma humilde peça de arte fruto do nosso próprio sangue, suor, lágrimas e viagens estéticas cósmicas. Uma comemoração era exigida e todas as nossas comemorações envolviam cervejas. Só umas três, só pra ficar marcada a alegria e pra gente conversar uns últimos assuntos antes do casamento. Meu último ônibus pra casa passaria dentro de poucas horas então beleza, tomaríamos umas três cervejas. Um gole pro santo.

Como um solteiro psicótico com o controle remoto na mão, zapeávamos rapidamente de assuntos do casamento pra questões ginecológicas passando por Lacan:

- Pô, adoro Fulano... mas queria chamar só ele, não queria a galera família/agregados. Não dá pra ir a família toda! Eles são maneiros, mas não tenho mais dinheiro, na boa
- ... porque se a tranca do banheiro não funciona, eu não posso ficar com raiva se alguém entra e me flagra cagando. A gente tem que aprender a passar tranca nas intimidades pra depois não ficar reclamando de invasões.

Falamos da vida, choramos pitangas amorosas, financeiras, sociais. Você se lembrou da cirurgia no nariz e eu do meu relacionamento complicado com minha mãe. O garçom trouxe a quarta garrafa. Só pra ficar número par. O clima era de despedida, mas foi aí que a Juliana ligou e disse que tava por perto, resolveu aparecer. Ela pediu uma caipirinha jumbo e fomos obrigadas pelas boas normas da educação britânica a reabrir a conta do bar. Demos mais um gole pro santo.

Eram 3:30 da manhã quando finalmente chegamos ao apartamento da Carol em Copacabana. Eu tinha perdido o último ônibus e, tentando chegar no Centro da cidade, pegamos uma condução errada indo simplesmente parar em Madureira sem um real no bolso. Será que rola táxi no débito?
 - Eu não vou dar esporro, mas tenho que dizer uma coisa: vocês duas são muito mais espertas do que isso. 

O que o Chico disse bateu lá no fundo e acho que você sentiu o mesmo. A gente tinha se metido numa furada escrota típica de bêbadas amadoras. Lembro de não conseguir dormir pensando que era uma confusão aquilo tudo, não, não só o ônibus pra Madureira, mas o fato de que você era minha cliente e eu tava ali no seu sofá usando seu pijama. Aquilo tinha sido um acidente! Quero dizer, eu trabalhar pra você e, ao mesmo tempo, te considerar uma broder da mais alta categoria. Não era culpa de ninguém, cara. Aquela amizade foi um negócio que simplesmente aconteceu, tão natural quanto o engradado inteiro de Brahma que tínhamos acabado de consumir.
Foi com algum esforço que finalmente peguei no sono. 
Vocês foram trabalhar e me deixaram no apartamento (Fica à vontade hein!) fazendo hora pra ir pro analista. As horas foram passando e era engraçado como eu precisava daquele momento e nem fazia ideia exatamente do porquê. Vou ser sempre grata a você e ao Chico por aquela manhã e por aquela tarde de silêncio sentindo uma estranheza inexplicável no corpo, uma mistura de ansiedade com ressaca. Não, eu não fazia ideia de que naquele instante, enquanto eu olhava a floresta e os macaquinhos de Copa, tinha um bebê crescendo dentro de mim... E vou te contar o mais louco: acho que no fundo eu já sabia. Eu soube em algum momento no seu apartamento. Nunca comentei isso contigo porque meio viagem né? Mas, de alguma forma, eu fiquei sabendo que o Joaquim tinha saído com a gente e bebido escondido.

Carol e Chico se conheceram em 2005 no Escravos da Mauá - sabe o bloco de carnaval? Ele chegou cheio de graças e ela tem o riso frouxo, se deixou levar pela conversa do cara, barbudinho, respostas rápidas. 
Chico pediu o telefone dela, tava interessado, mas Chico nunca telefonou. Carol esperou um cado, Carol desencanou. 
Os dois acabaram se esbarrando em outros eventos fluminenses da mais alta importância: jogos do Botafogo, noites no Arco Iris da Rua do Lavradio.. e aquele mesmo padrão: o cara chegava com uma conversa provocativa, risos, delicinhas, pô me dá seu telefone, a menina dava o número. Chico nunca telefonava. Carol desencanava.
Olha, eu também custo a acreditar que chegou o verão de 2009 (!) e o cara ainda não tinha conseguido dar finalização ao processo, mas a Carol tava lá, noutro carnaval, semi-sozinha/semi-acompanhada de um ex e chegou lá o Chico pedindo o telefone dela novamente, chamando pra irem ao cinema qualquer dia e ela tava afim pra cacete mas, na boa, não ia dar o número novamente não:
- Corre atrás do telefone que eu vou.

Para felicidade geral da nação Botafoguense, Francisco Vereza catou o telefone da moça, ligou e finalmente eles puderam consumar uns amassos. Aeeee!
Mas tá que essas coisas nunca são fáceis. A gente encontra aquela pessoa que te faz feliz com a calma e simplicidade que a felicidade precisa ter, mas aí tem ex, tem confusão, tem vai e volta. O amor é assim, o amor não é fácil. Se amor fosse fácil se chamava miojo.
Nossos heróis ainda precisaram de mais um ano pra ajustarem as coisas todas e aí sim o namoro engatou direitinho igual música do Tom Zé com direito a pedido de casamento e tudo.


Foi exatamente aí que surgi na história desses lindos. Ela me mandou um email em novembro de 2012 e o título era assim: opa! Só isso "opa!", com letras minúsculas denotando uma intimidade danada. Achei muito auspicioso o título, escrevi. Ela respondeu dizendo que achou auspicioso eu ter achado auspicioso. Nos encontramos alguns dias depois. 
Adoraria falar uma parada mega profissa, que tínhamos nos encontramos no Starbucks, mas a realidade é que a gente se reuniu num bar mesmo. Meu escritório é na praia. Ela chegou esbaforida, tava vindo de uma caminhada apressada lá da Unirio, já sentou e foi acendendo um cigarro pra se localizar no mundo.Pedimos uma cerveja. Ela começou a reclamar do suor caindo na testa e fez um muro de contenção com guardanapos.
- Cara, eu cheguei há meia hora e só agora to suando? - e passava o guardanapo na testa, nos peitos -  Eu to suando em delay! - pronto, me apaixonei.
Garrafa vai, garrafa vem e ela me falou dela, do trabalho com figurino, da experiência na dança popular, das fantásticas criações que a gente pode fazer usando chita e sobre os planos pro casamento.

O casamento...! Já tinha lugar: Solar das Palmeiras, Botafuego. A ideia era fazer um negócio gostoso, colorido, sem afetações, sem frescura, mas ao mesmo tempo charmoso. Também não podia sair muito caro. Ela e o Chico tinham pensado num DJ da Matriz pra tocar, amigo de amigos. Pra fotografia eles também tinham acertado um contato broder, o viado do escritório faria a make e um dos mil amigos ~disainer~ ia agitar os convites. O clima era bem esse. Ah! Tinha que ter um lance retrô também! Ela perguntou se era viável. Perguntei se dava pra ser mês que vem.
A gente precisava achar um visual que desse conta de comunicar a ideia toda de chique-à-vontade. Tinha que ter  um serviço de comida que favorecesse a galera a circular pelo casamento, tinha que ter um convite criativo que já de cara dissesse às pessoas qual era o clima,  tinha que ter zuera e tinha que ser do amor.
A primeira ideia louca surgiu ali mesmo. A Carol tinha pensado em biscoitinhos da sorte ao invés de bem casados e aí que a fornecedora dava a opção de colocar frases personalizadas em cada um. Geralmente as pessoas escolhiam o nome dos noivos e a data do casamento, mas, por favor não essa egotrip da pessoa abrir o biscoito e ver CAROL & CHICO - DIA TAL ANO TAL.. Mas imagina, apenas imagina, que o cidadão pega o biscoito, morde e encontra lá dentro um papel com o seguinte oráculo


SÓ DE PENSAR QUE SUA BOCA BEIJOU OUTRA BOCA, 
EU SINTO O GOSTO AMARGO DA DESILUSÃO E ISSO É MAL

Gargalhamos bundas! (eu to aqui shorando de rir enquanto escrevo isso). Cafonagens-amor + lances retrô anos 50 misturado com contemporaneidade rasgada: estava definido o conceito do casamento.
Não sei como a reunião acabou. Bebemos. Nada mais me lembro.



A primeira coisa que a gente correu atrás foi de buffet e decor. Carol e Chico fizeram algumas degustações e decidiram sem muitas delongas qual seria o serviço de comes e bebes. Pra decor, fechamos com a Roberta Araujo, com quem eu fazia parcerias na época.Já que economia era uma questão mais do que pertinente, definimos algumas prioridades: 
  • certos itens seriam definidos com menos preciosismo que outros, 
  • ignoraríamos marcas, 
  • estávamos dispostas a embarcar em experiências pouco ortodoxas. 
 Um exemplo maravilhoso disso foram as alianças. Falei pra Carol dar um pulo numa joalheria inferninho da Alfândega, comandada por um judeu mais misterioso que o Batman. Bem, o lugar não é bonito nem convidativo, tenho até vergonha e raramente indico pra alguém (fica num subsolo e as funcionárias criam gatinhos de rua na escada de mármore da loja) mas Carol, a noiva Loki se dispôs a conferir. Você não recebe nenhuma caixa chique azul turquesa nem é tratado como se estivesse no aeroporto de Dubai, mas recebe suas jóias perfeitas, ouro maciço com opção de acabamento anatômico, preço maravilhoso, parcelas suaves. Carol e Chico escolheram uma gramatura lá e saíram saltitantes.

Com docinhos também não rolaram grandes entraves. Fomos direto no fornecedor mais confiável e que oferecia o menor preço + beleza. Pra chegar até ele tem que ir pra Del Castilho? Sim, mas o importante é você manter suas prioridades e a nossa era fechar doces até 20% abaixo do valor médio do mercado. Done.

Já vestido... Isso era parada séria. A Carol tinha pensado em ir em algum estilista ver isso mas.. cara, ela trabalhava com figurino, tinha noções de desenho! Vamos fazer esse vestido!! Bora!!
Procuramos a Gorete costureira e ela nos ouviu com atenção. Não entendeu porra nenhuma das referências, achava tudo muito louco mas se dispôs a fazer hahahaha Como se ela tivesse escolha!!

Primeira visita a costureira: Gorete, empresta um retalhos pra gente? Então, pensamos num negócio assim ó
Os tecidos foram comprados no Saara também (alô Saara, te amo!). Casas Pinto.
Demos sorte na época porque agora a Casas Pinto tá super ruim de variedade de rendas, mas ainda acho extremamente válido ir a campo e garimpar peças interessantes por lá. Foi nesse lugar  que encontramos a renda foda do vestido da Carol. Não foi na Assuf. Não foi na GJ Tecidos - a ideia era investir mais em detalhes como uma faixa/laço de seda na cintura. Mas, olha, foi tenso decidir por aquela compra. A renda era muito anos 20 e o preço ultrapassava as expectativas. Será que daria certo usá-la numa coisa 50's? Como faríamos isso? A ideia já tava indo pra vala quando a Carol esbarrou com uma amiga nos corredores da loja; papo vai, papo vem, a mulher era simplesmente sinistra em assuntos de montagem de figurino e design de moda. Disse que tinha que ser aquele. Tinha que ser. Sabe desses momentos místicos? Então, a gente não podia contrariar e aí a Carol comprou.

Logo no primeiro teste, a renda mostrou a que veio. Linda, interessante, com seus arcotes art déco... Mas não se encaixava no modelo!! Ficou um merda! Tiramos mil fotos. Comprovamos que tava cagado. Desanimamos. Ela desesperou. Eu falei CALMA CARA! mas mal conseguia disfarçar que também estava perdida. Mano, e agora?

Carol foi pra casa agarrada com a renda. Fez testes. Põe arcote de renda pra cá, põe arcote de renda pra lá. Não, pera! Tirou fotos. Podia dar certo sim! Esperança no coração! Marcamos nova prova. Novamente: põe o desenho pra cá, poe o desenho pra lá. Pega a tesoura, tira esse arco, tira essas pedras, encaixa, transforma essa parte em manga, faz o decote nas costas. Passa alfinete em tudo e aí de repente PAAAA!! o protótipo do vestido tava na nossa cara. Vitória do povo de deus!!
As três atiradas no sofá mortas com farofa de cansaço mental, físico, tudo, mas tinha dado certo. Na saída, Carol acendeu em silêncio um cigarro pós-coito. Foi bom pra mim também.

Faltavam um mês e pouco pro casamento quando fomos dar o gás final na decoração. Em algum momento que não sei precisar, de tanto falarmos de Mad Men, eu acho, surgiu a ideia de usarmos formas icones pop e consumo de massa vintage na decor. Hemmer, Guaraná Cruzeiro, Sopa Campbell... Seriam usadas latas como suporte pras flores, junto com garrafinhas. A Roberta deu a ideia de acrescentarmos referências às profissões da Carol e do Chico (ela figurino, ele cinema) e usarmos fitas de VHS como suporte pra docinhos.
Achei as latas de Campbell no Supermercado Guanabara. Hemmer é fácil, tem em qualquer mercadin. As outras eram latas de extrato de tomate normais encapadas com rótulos retrô que achei pra baixar nesse site aqui ó >> http://www.ehabaref.com/blog/2012/01/14/vintage-label-designs/

Tudo definido e, após algum stress, fomos pro Saara comprar as coisas. Carol putona de ter de gastar grana em forminhas (Pra que!?! Não quero comprar essa porra!! Nêgo vai jogar fora!) mas não tem jeito, forminhas são itens escrotos, mas essenciais ao vizu plástico da mesa de doces. Optamos por forminhas mega coloridas, seguindo a paleta do casamento e acrescentando um pink berrante.
Seguindo essa ideia das cores e releituras pop, compramos um tecido estampado que de arabesco colorido (tinha azul, vermelho, rosa...). Arabescos são um padrão super clássico, mas em vermelho tomate ficou outra coisa! Ficou sensa! Recomendo com força usar versões ultracoloridas de ideias clássicas. Confere personalidade à produção, saca? Não pode ter medo de ousar e escolher as mesmas cores e estampas que todo mundo usa. Ainda mais se você vai casar num lugar como o Solar das Palmeiras, que é um casarão antigo de personalidade própria; você tem que vir com elementos que desafiem a arquitetura do local (seja com cores, seja com formas) se não a coisa não aparece. Não pode ter medo! Medo is for sissies!

E foi assim, tarefa a tarefa cumprida que chegamos ao dia do casamento.
Contrariando a tradição, eu estava calma no dia. Era só catar os DIY que estavam aqui em casa, as coisas pro cerimonial e partir. Tudo seria lindíssimo, se não fosse aquele enjoo que eu tava sentindo e que me fazia querer entrar embaixo da cama e morrer. Não dava nem pra raciocinar direito! Mas tinha de catar os caquinhos de mim e trabajar.
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Antes de sair de casa, conferida no grupo super normal de resolução de coisas no WhatsApp: Casamento Bolado
Encontrei a Arajany no Solar. Linda! De avental, turbante (odeio aqueles turbantes dela que não consigo fazer igual em casa!!). Era sua estreia como florista. Nhaaaa <3 Como tava meio desnorteada de enjoo, resolvi focar no buquê. Eu e a Ara tínhamos planejado um buquê horizontal mas ia ficar too much com o vestido volumoso dela! Pensei então em usar tons pasteis e flores delicadas fazendo uma bagunça com as folhagens e espécies mais exóticas que a Arajany tinha comprado pra mim.

Tudo estaria maravilhoso não fosse meu enjoo e a tensão crescente que ia me batendo ao perceber que realmente teríamos muito mais convidados do que o número de mesas e cadeiras comportaria. Sim, teve isso. A história é longa, mas dá pra resumir com a seguinte fábula: era uma vez um urso da floresta muito sociável que tinha uma lista de convidados enorme, só com bichinhos broderes, bichinhos da floresta e da montanha muito queridos que não podiam ser cortados. Fim.
Pra tentar aliviar minha barra, catei uma lousa e escrevi

CASAMENTO OVERBOOKED. CAROL E CHICO SÃO MUITO QUERIDOS, 
NÃO HÁ LUGARES PARA TODOS.
 
Na boa, se alguém leu o aviso eu não sei. Só sei que o povo chegou e realmente não ficou aborrecido com a lotação. Algumas pessoas foram para dentro do salão e outras foram para a área da cerimônia. Pareciam todos felizes e contentes. Só eu ali quase surtando por causa disso e por que o coraçãozinho de feltro que decorava o porta alianças tinha caído e sumido. Odeio quando essas coisas acontecem!  
Mas, contra todas minhas expectativas da neura da limpeza, o buquê ficou pronto, o coraçãozinho apareceu, o cortejo foi organizado e a noiva chegou.

Noiva armada com seu buquê. Diva! Diva de batão vermelho! Diva de unha vermelha! 
Uma cerimônia civil linda: é por livre e espontânea que insistem no intento de se unirem?
SIM SIM! E aí foi beijo e os alunos no colégio que dá fundos pro Solar das Palmeiras, confinados em algum sábado letivo, começaram a gritar e bater palmas.
Aquelas bolas coloridas ao fundo, o vestido incrível da Carol. Chico, me perdoe aí o mal jeito de não estar por aqui também cantando suas belezas, mas sua senhora estava muito sensacional de um modo que não consigo tirar da cabeça até hoje. Tudo se encaixava.... era como se pessoas sóbrias tivessem planejado o casamento LOLL
Organizei a galera pras fotos, o buffet começou a rodar uma comidinha e foi dado início ao que seria o maior consumo de prosecco da história dos casamentos Vou Casar & Panz. As crianças corriam hipnotizadas com os balões de gás hélio no pulso. Algumas pessoas pegaram seu caldo de funghi e sentaram na escadinha da entrada da casa, outras preferiram ficar na área onde foi a cerimônia curtindo um beck a natureza. O DJ tocava faixas do Transa de Caetano misturado com Tecnobrega. 
Em certo momento, Carol pegou o Chico no colo. Mil fotos, mil beijos. 

Era bom estar entre amigos, era bom ver concretizado um bando de pequenas e grandes coisas que você tanto desejou. Com o tempo nesse trabalho você percebe o quanto esses momentos são raros. Preciso das boas lembranças e das boas coisas cultivadas por perto.. Aquele dia fui pra casa e fiquei olhando pro teto no escuro tendo certeza de que meu trabalho só dava certo se fosse daquele jeito. Meu trabalho era loki.

Epílogo
- Olá, sou uma van!
- Meu deus! Você tá enorme!! 
Tinha até esquecido que a gente tava na porta do apartamento de outra cliente minha, achei que tivesse na sala da minha casa! A gente se abraçou e eu tava sentindo uma saudade sem tamanho daquela mulher. 
Ela tinha ido a casa de uma noiva pra ajudar com o vestido. A ideia inicial era só passar, mas percebemos uns defeitos de fabricação/costura que precisavam ser ajustados. Rapidamente, Carol sacou um caderninho e desenhou o modelo. Debatemos as soluções e montamos um plano pra deixar tudo nos conformes. 
Mais tarde, na calçada, fazia frio e o taxi demorava a chegar no Leme. Vivas. Como você tá? e eram meses de assuntos que a gente precisava colocar em dia. Vamos marcar alguma coisa; é a única coisa que a retórica carioca consegue esboçar nessas horas. 
- Uma água com gás? Que tal?
A gente devia trabalhar juntas sempre com vestidos, sugeri. Ela concordou jogando a fumaça pra cima.Mostrou desenhos de figurinos. Seria incrível
- Eu, você e Gorete. A gente podia criar, ajudar a montar looks, ir catar tecido no Saara. Imagina! 
Imaginei... O carro chegou e a gente se separou novamente na Cardeal Arcoverde.Vida de merda! Por que eu morava tão longe? 
- Calma, a gente vai ter tempo! A gente marca - e você falou com uma calma, entrou no táxi novamente acenando da janela na maior calma. E então de repente as pessoas estão na sua vida e você sabe que elas não vão embora porque um contrato acabou. Esses encontros são tão doidos, repentinos. Acabo de lembrar que até hoje não devolvi seu pijama, mas a gente vai ter tempo não é? 
- Manda um beijo pro Chico!! - gritei antes do taxi sair.
Certa vez você disse que algumas pessoas vibram. Você, vocês dois vibram tanto e de uma maneira tão viciante.. quero pra sempre. A cerveja. As conversas no ponto de ônibus. Copa. É assim: às vezes é carnaval e o amor acontece.




~~~OS ENVOLVIDOS ~~~
Local da Cerimônia e da festa: Solar das Palmeiras | Vestido: Gorete (costureira) | Tecido: Casas Pinto | Tiara: Ouvidor 120 | Celebrante: Juiz Paulo Novaes | Maquiagem e cabelo: amigo da noiva | Convites: um amigo fez a arte e a gente montou || Decoração: Roberta Araujo Eventos || Flores: Nega Fulô | Balões: AliExpress || Buquê: Prill com colaboração de Arajany Coêlho | Mobiliário: Mineirart || DJ: Fukô (do Boca do Trombone) || Bolo: Bolos da Marcelina || Doces: RR Delícias || Bem-casados: pães de mel maravilhosos feitos pela tia da noiva || Assessoria e Cerimonial: Vou Casar e Panz com a equipe>> Arajany e Marcella || Fotografia: do querido Henri Passos - Foto & Conceito

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Decidindo a Fotografia do seu casamento - Parte 2: Quanto custa?



Mas vamos falar de fotografia como arte. No Brasil, a fotografia como arte é cara pra chuchu (vou me abster do único palavrão capaz de ajdetivar isso).  É justamente por ser assustador gastar 5, 8, 12 mil em uma cobertura fotográfica que muitos casais acabam fechando pacotes com essa galera pente certo que vai te entregar com agilidade imagens que podem ser até meio tremidinhas ou com flash estourando na cara, mas onde você pode se reconhecer e compreender o que se passou no dia do casamento. 

Mas por que custa tão caro, meu deus!
Pra além do fato do nosso país não possuir uma tradição de fotografia e para o fato de que qualquer tipo de arte por aqui é complicada de empreender, acho que 4 pontos levam o heróico ou a heróica fotógrafa a pedir uma fatia do seu rim pra pagar a cobertura:

Equipamento 
Uma boa fotografia depende de um bom equipamento. Não é só questão de ter a câmera não gente, tem que ter boas lentes, bons flashes, rebatedores (aquele guarda-chuva prateado), bolsas de armazenamento. E ó, tudo importando! Conheci certa vez uma fotógrafa que viajava periodicamente pra Nova Zelândia afim de comprar suas lentes (no fim, ela acabou indo morar lá). Por isso, pra ficar bonito na pracinha, clicando as noivas e carregando nas costas 20 dinheiros, o sr. fotógrafo precisará fazer um seguro que não sai barato, que custa de 8%  a 15% do equipamento. E ele/ela ou vai precisar de um carro próprio pra carregar as tralhas ou pegar taxi sempre que precisar se deslocar. Isso tudo é repassado pro orçamento.

A arte 
Como uma caveira do Damien Hirst, o trabalho autoral de um fotógrafo custa proporcionalmente a sua relevância artística. Quem é seu fotógrafo na noite? Onde ele se formou? Com quem já trabalhou? O que ele apresenta de autêntico e inovador? Qual é seu conceito de composição? Enfim, qual é o nome dele?? O trabalho de arte (fotografia + edição + grife) do artista possui um valor e aí ele vai e te pergunta: quanto vale o show?

Hoje, o objetivo da fotografia é enquadrar os momentos e as sensações. Reparem no movimento da mão esquerda. O noivo está para pegar o outro sapato? Os enquadramentos da Junia e Lucius Kreulich são apaenas espetaculares

Edição
Com a fotografia digital, o trabalho de edição se tornou indivisível do de captura (há quem discorde, mas vou ficar com a opinião da maior parte do povo de artes visuais). Como assim? Durante a edição o fotógrafo ou a fotógrafa insere ou reforça, por exemplo, elementos  de luz e sombras, cores, da uma corrigida em coisas que no cenário original não eram legais (tipo, uma lixeira da Comlurb que tava atrás da noiva quando ela saiu do carro). Agora pensa o cara que tirou duas mil fotos e tem que editar uma por uma. Pensa no trabalhinho de corno. Caras, vale a pena pagar por ele!  Dica: procure saber se ele faz suas próprias edições ou se paga alguém pra fazê-las. Se o cara fotografa, mas não edita, significa que temos aí dois artistas envolvidos o que automaticamente joga pra baixo o valor artístico do fotógrafo, desculpa aí.   
 
Composição e edição: seguindo uma tendência das artes visuais digitais, Fabio Moro costuma lançar mão de efeitos de sombra para inserir o fantástico e onírico nas suas fotografias
Responsa 
Como a equipe de cerimonial e como o buffet, o fotógrafo tá proibido de errar, de perder cortejo, de tremer tudo, de desfigurar as pessoas, de deixar passar o buquê. Se isso acontecer com você, considere processar porque aquilo tudo só vai acontecer uma vez, não dá pra voltar, não dá! A comida estragada a gente até vai esquecer depois do hepocler, o cortejo desconjuntado será algo sem notícias daqui há 1 ano, mas as fotos... nem casando novamente! Se foder, fodeu! É seríssimo isso! Por isso o cara cobra o preço do peso bizarro que está carregando, o de produzir a memória material de um evento irrepetível. Afora que, olha, eu já casei e vou te falar: não vi nada!! Sempre que repasso minhas fotos, elas me contam o que aconteceu enquanto eu vivia uma experiência extracorpórea. Como se já não bastasse, o fotógrafo e a fotógrafa deverão produzir algo capaz de contar às gerações futuras o que foi que aconteceu no seu casamento. Dica: não confie inteiramente nas fotos que você vê em blogs de casamento ou no album do fotógrafo. Ali vão estar o que? as 20 fotos mais maneiras, mas e quanto às outras?? Elas são uma porta de entrada. Pra saber se o cara cumpriu seu trabalho com a responsabilidade necessária, procure uma noiva que já fechou com ele e pergunte minha linda, você já recebeu seu DVD? O que achou? Tem foto de tudo e de todo mundo? Tá tudo nítido e, em sua maioria, bonito? (por que também não dá pra ser ahazo em todas, principalmente nas fotos-flagrantes quando a gente nem consegue se preparar direito pro clique). 
Enfim, o fotógrafo é um artista. Yes! Yes! Mas também deve ser um profissional ciente do peso do seu trabalho e que conheça a dinâmica básica dos casamentos (os dramas, a merda que é os padrinhos que desaparece na hora da foto, as condições favoráveis e desfavoráveis de luz..) dotado de jogo de cintura, de dinamismo pra sobreviver a este acontecimento louco e único.

Álbum 
Essa é a parte que os fotógrafos aparecem pra me dar um hadouken. Gente, desculpa, mas é muito difícil pra mim ver sentido em pagar R$ 1.500 num álbum. Eu sei, eu sei, a impressão é mega über maravilhosa, não seis quantos bilhões de pontos por pontinhos quadrados, durabilidade de 3 séculos, sobrevive a enchente, terremoto e pa pa pa mas... a verdade é que, por mais que eu ame fotografia, sou profundamente leiga, como a maioria das pessoas normais, pra perceber granulações microscópicas do papel. Entendo de coração o preciosismo do artista e o quanto eles desejam que sua arte seja impressa da maneira adequada, mas SÃO MIL E QUINHENTAS DILMAS! E, suavemente refletindo, se acontecer uma catástrofe com meu fotolivro da Saraiva, um tsunami, não posso pegar o DVD ou o pendrive e mandar revelar tudo novamente? Eu sou a Nina por acaso?

Tenho aconselhado minhas clientes a reverem essa obsessão pelo álbum e buscarem alternativas de impressão quando o valor proposto pelo profissional quebra o porquinho orçamentário. A única coisa que me faz ficar com o pé atrás nesse conselho é a questão da diagramação mas mas mas mas... quem nunca tem um amigo design? Pronto, amigos, podem me crucificar.

Afinal, vale a pena pagar?
E desde quando pagar caro é sinônimo de coisa boa? Já tivemos essa DR, então vou pular pro conselho que dou de coração pra coração: a fotografia, junto com o combo comida+bebida, são as únicas coisas pela qual vale a pena você se desesperar, financiar no carnê Casas Bahia, investir pesado. O resto é resto! Cê tem seu amor, vai pro meio da floresta e casa. Mas todo mundo tem que comer e beber sem miséria, tem que se divertir e esse momento gostoso merece um registro adequado, bonito e pra sempre.

Previsões de custo

Grupos de valores
Profissionais

Estúdios de fotografia não-artística
800,00  e 2.000
Bacanas em início de carreira
1.500 e 3.500
Bacanas com experiência, mas sem fama no mercado
3.500 e 5.000
Shows de bola, com experiência e fama
5.000 e 8.000
Estrelares
8.000 e 15.000
*valores para cobertura completa (making of + casamento) com 2 fotógrafos
* só pra controle: uma cobertura fotográrica completa e excelente com álbum nos EUA custa a partir de U$$ 1.000

Mas será que não dá pra economizar? 
Pode ser que vocês tenham grandes amigos que curtem fotografia e que topariam com força contribuir pro casório, mas a gente tem que enfrentar a realidade que um bom fotógrafo de casamentos é alguém que se preparou/prepara praquilo, que corre atrás de fazer as coisas da melhor maneira possível e que tá com o traseiro dele na reta. Ele precisa zelar pelo nome e se virar pra cumprir o contrato comercial estabelecido. Nada pessoal, just business. Ele está obrigado a dar conta do recado.

E se fechar pacote com um cara só, hein?
Vamos tirar da cabeça isso aí de chamar um fotógrafo só. Gente, 1 fotógrafo só se aplica a mini casamentos de até 60 pessoas, e olhe lá!!  Se o lugar tiver mais de 70m², se tiver muitos cômodos, se rolar cerimônia na igreja, se tiver cortejo, esquece! A não ser que você contrate a Jean Grey,  não há condições de uma pessoa só pegar todos os acontecimentos. É uma economia que não compensa! Mas aí você me diz que não dá mesmo pra pagar dois fotógrafos, aí sim a gente pode tentar fazer a gambiarra dos tais amigos que curtem fotografia e colocá-los pra ser assistencia, só que atenção, a coisa precisará ser muito bem conversada entre as partes porque o profissional precisa de um espaço e de ângulos X e Y pra trabalhar. Se ficar gente na frente dele, gente zanzando e que não saca a dinâmica do nado sincronizado casamentístico, a coisa pode terminar mal.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Noiva recessionista? WTF...?! [novas reflexões sobre esses seres polêmicos]

Juliana e Erik, os lindos eternos no casamento recessionista em Las Vegas
Mamilos são muito polêmicos
É engraçado como falar de "noivas recessionistas" ou "casamentos recessionitas" consegue provocar reações tão apaixonadas. Digo apaixonadas no sentido visceral da coisa, sabem? Seja a noiva em questão falando, sejam os profissionais, todas as declarações são sempre intensas e todo mundo tem algo a dizer a argumentar, a protestar, é um negócio de louco!
Particularmente porque sou uma das partidárias - fui uma noiva recessionista e atendo constantemente noivas que buscam não ter de rodar bolsinha em Copa pra casar -, sou sempre sempre sempre confrontada com o tema e me vejo alí louca tendo de esclarecê-lo e, bem... como saí da academia mas a cademia não saiu de mim, me pareceu impossível não parar e tentar expor pra vocês aqui no blog minhas teorias. Espero que essa reflexão possa contribuir pra uma abertura de cabeça pras noivas, pros fornecedores, pro mercado e pra mim mesma.

Recessionista? Uadarrél?!

A coisa mais pateticamente óbvia e necessária a se dizer a respeito é que recessionista é um termo originário de recessão. Mas embora a palavra soe bem no português e se pareça realmente uma palavra do nosso idioma, "recessionista" vem do inglês, de recession. Pontuar isso tem uma importância do cacete, amigas, porque é a partir daí que a gente começa a puxar a origem do conceito e sua aplicação no mundo casamentístico brasileiro.
Foi a partir da crise financeira/imobiliária de 2008, quando os americanos se viram tocando violão na rodoviária pra comprar o almoço, que o mercado de casamentos gringo foi dar num dilema: as pessoas querem muito casar, a maioria delas é jovem e começando agora sua vida financeira, a América tá em crise, o que faremos agora? Bem, eles não fizeram porra nenhuma. No meio do desespero, quem conseguiu se salvar da falência foi atrás de quem podia continuar pagando pelos serviços e o restante dos casais foi empurrado ou para a busca de soluções que viabilizassem casar sem virar mendigo ou para a desistência do ritual.
Essa onda de DIY, de sustentabilidade, de mini casamentos e mesmo as novas concepções sobre o que é o casamento - que, falando de maneira bem resumida, gira em torno de "o casamento é a celebração do amor do casal e deve traduzir sua visão de mundo, deve ter a sua cara" - tá tudo interligado e vem daí.

O termo recessionista bride, que ganhou força entre 2009 e 2010, era uma expressão que traduzia todo o conjunto de medidas e atitudes tomadas por essas noivas (de classe média, importante dizer) decididas a investir em um supérfluo - cujo valor, o valor capital, é plenamente simbólico - mas respeitando um determinado teto máximo de gastos. Devemos a maioria de nossas noções pinterésticas do casamento e a garra de peitar todo mundo pra fazer do jeito que der pra fazer, do jeito que vai nos fazer felizes, à essas corajosas filhas da recessão: elas desbravaram a ideia de que envolver amigos e familiares na celebração + ter por perto somente os mais íntimos + desafiar-se a baixar as expectativas diante da perfeição + meter os peitos você mesma não apenas tornava tudo muito mais significativo, como ajudava a tornar o sonho financeiramente viável.

Noiva recessionista x Noiva descapitalizada
Bem, mas agora vou falar uma coisa que vai fazer muitas de vocês me acharem uma louca incoerente, senta aí e se prepara pro Batman Slap: quem não tem dinheiro não casa. 

O casamento custo zero não existe, gente. Se não for você nem seu boy a pôr a mão no bolso, será alguém, será uma vaquinha da internet e o preço, por mais que não atinja patamares Kardashianos, nunca será barato. Por outro lado, o que o mercado joga na nossa face é uma superinflação na hora de cobrar por todo e qualquer serviço relacionado ao assunto porque você é noiva e porque noivas são como unicórnios amaldiçoados; por onde vão caminhando tudo fica extremamente caro. Ou seja, o bagulho já não é barato e nêgo ainda fica pressionando pra que ele saia ainda mais caro seguindo a lógica  casamento é um sonho -> sonhos não tem preço -> somos responsáveis pelo seu sonho -> colocaremos esse valor aqui lá no céu pra tentarmos chegar perto do preço infinito real dos seus desejos.

É aí que entra a coisa do casamento recessionista, cara e tenho usado esse argumento sempre que me questionam o recessionismo, sejam fornecedores ou noivos: a chave de tudo está na racionalização e na otimização dos gastos.  O casal deve estar ciente de que terá de arcar com uma determinada quantia mas mantendo um foco de que essa grana não pode sair destruindo sua vida, afogando todo mundo em dívidas. O casal também deve ficar ligado que a grana pro casamento não precisa, nem deve, atrapalhar outros planos importantes como a casa nova, a escola das crianças ou aquela viagem que vocês nunca fizeram. Esse casal estabeleceu prioridades e tá afim de adaptar suas expectativas ao que der pra fazer, usando de muita criatividade  e planificando os gastos.

Ah Prill, por isso não fecho com você, não quero associar minha marca a noivas pobres. Minhas nêgas, fico muito putinha quando ouço essas coisas... a verdade é que nunca sei o que um fornecedor quer dizer com "noiva pobre", se é dizendo que a mulher não tem dinheiro, se é dizendo que ela tem mau gosto... Só me vem à mente o paradoxo master chamado casamento de Belo e Graycianne.

http://i1.r7.com/data/files/2C95/948F/3762/1F60/0137/632D/81BC/7E99/casamento-gracyanne-belo-g-20120519.jpg
can buy me love?
Há uma imensa diferença entre a noiva descapitalizada, a noiva recessionista e a noiva de mau gosto.
Se já concluímos que não existe casamento à custo zero, então está subentendido que a noiva descapitalizada não vai casar (ritualistica e festísticamente falando), vai simplesmente pegar seu bofe e se mudar pro puxadinho que estiver disponível. Foi assim que eu e o Rafa realmente nos casamos, como já contei aqui no blog um dia. Outras opções a esta senhora são 1) se endividar, embarcar num kitfesta e comemorar bodas de prata ainda pagando o casamento e 2) esperar 1348634 anos pra se casar, tempo em que estará juntando cada real a ser investido no pleito nubente o que, na minha cabeça, é bizarro porque prioriza o ritual e a festa ao invés de priorizar a vida em comum (se você possuiu uma religião que te impede de simplesmente ir morar junto, aí são outros quinhentos).

A noiva de mau gosto... bem, ela simplesmente tem mau gosto e não há dinheiro que dê jeito.

Já a noiva recessionista tem uma grana. Não vou dizer pra vocês que ela tá nadando em dinheiro, mas ela e seu boy têm um plano. Talvez este plano seja gastar todos os 15 mil que eles têm. Talvez seja gastar 15mil no casamento e 30 numa viagem à Tailândia, talvez seja gastar 50 no casamento e 250 na entrada da casa. Não importa, o que interessa é que a noiva recessionista é fã da Angela Merkel e quer continuar honrando seus gastos diários nem que pra isso precise adotar algumas medidas de austeridade no seu casamento como, por exemplo, substituir a orquestra do corjeto pelo iPod, abrir mão das lembrancinhas ou beber Itaipava o invés de Heinecken. No casamento recessionista ninguém se lança em gastos irracionais nem maiores que a perna. 

Enfim, o casamento recessionista é um casamento com limitações de gastos e qual será esse limite, bem, isso varia de casal pra casal. Como fornecedora que sou e como noiva que fui, não vejo problemas em vestir essa camisa, em colocar a faca nos dentes. Acho que essa coisa de cortar custos nos trouxe muitas e muitas coisas boas, acho que os casamentos se tornaram muito mais criativos e que as pessoas têm se envolvido muito mais na feitura da coisa toda. Também acho que as noivas ficaram mais criteriosas a respeito de suas escolhas, que se tem feito muito mais pesquisa de mercado e que o diálogo entre elas tem ajudado muito não só na hora da economia, mas na hora de baixar as expectativas de Princesa Disney pra ir viver uma história que é sua e que é real. 

Não sinto nenhum desconforto de trabalhar pra essas noivas, sinto desconforto é de trabalhar com quem não quer nem saber quanto custa, quero é esbanjar, toma aí essa grana e me casa. Não sei lidar com isso não. 
Também não faço milagres como vocês gostam de dizer! (rysos) Acho que eu e minhas clientes vamos trilhando um caminho e decidindo o que pode sair e o que não dá pra abrir mão, valorizar o que vem depois, a vida em comum que se quer construir. Racionalizar o lance pero sin perder la ternura jamás. 

Se você é dessas, então a gente tá junta nos Sete passos para se tornar uma noiva recessionista, tradução/adaptação (minha mesmo) do texto de mesmo título do Intimate Weddings. Ele guiou meu casamento e taí podendo inspirar o seu. SÓ DICÃO.

1. Uma lista de convidados curta - Uma noiva recessionista reduz sua lista de convidados. Ela convida apenas pessoas que são importantes para ela. Se ela não vê sua amiga Cheyla há 5 anos e que nunca nem telefona, as chances são de que ela não esteja na lista. E ela não convida ninguém só pela coisa da obrigação (só porque Sheylla, te convidou para o casamento de seu cabelereiro, não significa que você tem de devolver o favor). Colegas e parentes relativamente distantes muitas vezes são deixados de fora.

2. DIY (Faça você mesma, sua linda) - Com apenas poucos cliques do mouse, a noiva recessionista aprende a fazer desde os arranjos de mesa até as lembrancinhas. E se ela não leva jeito para artesanato, ela providencia a apresentação do seu projeto para amigos e familiares mais prendados.

3. Regatear
- A noiva recessionista economiza é na negociação com seus fornecedores. Se ela percebe que o vendedor está precisado de clientes, ela não tem medo de lhe pedir um preço melhor ou de incorporar alguns bônus ao seu pedido.

4. Flexibilidade
- A noiva recessionista sabe que o sábado a noite é o dia mais procurado para casamentos, e que também é o mais caro, por isso ela está disposta a fazer o seu casamento em uma sexta-feira, num domingo ou até mesmo em um dia de semana.

5. Segunda mão
- Ela vasculha o Mercado Livre, o Orkut e o Ebay em busca de itens de casamento usados, porém honestos. Se ela curte um lance vintage, então ela vai dar uma olhada em brechós ou em sites como o www.vintageous.com. Ela também usa redes sociais para caçar fotógrafos, bartenders e outros profissionais que estejam dispostos a trabalhar dentro do seu orçamento. Ela é ainda uma noiva esperta e que corre rápido ao menor sinal de falta de profissionalismo ou de má fé.

6. Priorizar - uma noiva recessionista conhece suas prioridades. Ela só desenvolve psicoses por coisas que sejam importantes para ela. Se ela é aficcionada por boa comida e uma iguaria, uma degustação é indispensável para ela, então ela está disposta a cortar itens antes planejados. Isso pode significar que ela usará uma seleção bacana no Ipod ao invés de um DJ, ou imprimir seus próprios convites ao invés de mandar fazer um em caligrafia personalizada.

7. Desenvoltura - Ela faz uso dos muitos talentos que encontra em seu círculo de amizade e entre os familiares. Se sua tia é pianista, ela lhe pedirá para que toque durante a cerimônia, se sua cunhada é designer gráfico, ela irá contratá-la para desenhar os convites. Uma noiva recessionista sabe que ter aqueles de seu afeto envolvidos na feitura do casamento não só corta custos, como transforma o momento em algo muito mais cheio de significado.

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