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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Conciliando o que eu esperava com a realidade do que provavelmente acontecerá no meu casamento

Boxer, the Attention Whore, feliz no dia do seu casamento

Texto originalmente postado pela "Boxer"  no Offbeat Bride - lugar de leituras sempre muito bem vindas pra acalmar o espírito. Fala fundo às noivas, fala fundo às casadas. Se eu disse a vocês que até hoje me perturbam certas coisas sobre o casamento, vocês acreditam? É difícil simplesmente aceitar que aquelas expectativas nunca irão se concretizar, mas que o que você teve - inesperado - é a sua história no encaixe exato do que ela podia ser. O original você encontra aqui <-

***

Estou tentando ser realista sobre essas duas coisas, minhas expectativas e minhas suspeitas, baseada em atitudes e eventos passados. E então vou tentar que isso tudo se vá... Com isso em mente, aqui vai "o que eu esperava para o meu casamento" versus "o que provavelmente vai acontecer".

O que quero pro meu casamento:
  • Quero que as as pessoas que amamos/que nos amam venham celebrar este amor em todas as suas fuckin formas (somos um grupo realmente heterogêneo que vai de travestis, lésbicas tímidas, mórmons convictos, republicanos conservadores a ativistas políticos; colegas de trabalhos, clientes, amigos e familiares)
  • Quero que as coisas estejam bonitas e que rendam boas fotografias.
  • Quero me sentir bonita e confiante.
  • Quero me casar com o Brandon sabendo do fundo do coração que a coisa não será toda feita de sol brilhando e unicórnios.
  • Quero que nossos familiares e amigos suspendam seus dramas e tratem bem um ao outro.
  • Quero rir e dançar e chorar lágrimas de alegria (sem borrar a maquiagem!).
  • Quero comer e curtir o momento + quero que todo mundo coma e curta o momento.
  • Quero reservar um momento para realizar os pequenos rituais que me mantem com os pés no chão e a cabeça no lugar (queimar uns raminhos de lavanda e alecrim, acender uma vela para os familiares e amigos que já não podem estar conosco, falar com minha avó mesmo sabendo que ela já está morta há 19 anos).
  • Quero dançar.
O que suspeito que irá acontecer:
  • A manhã do casamento será estressante e agitada e alguma coisa não vai ser feita/ficar pronta do jeito que era pra ter ficado. Isto vai me deixar frustrada.
  • Meu cabelo estará pouco afeito a colaborações e eu terei de fazer algo diferente do que eu havia planejado.
  • Terei de aplicar a maquiagem ao menos duas vezes até sair certo. Um olho ficará melhor do que o outro.
  • Vamos esquecer de levar alguma coisa pro lugar da festa.
  • Nem todas as pessoas comerão e dançarão como eu gostaria e ao menos uma dúzia delas IRÁ EMBORA cedo, e sentirei falta delas..
  • Alguma coisa que fizermos irá ofender ou chatear alguém.
  • Terei algum tipo de paranóia em relação ao meu corpo que me deixará muito aborrecida e que vai me fazer chorar. Talvez meus dentes não estejam brancos o bastante, talvez eu decida que estou muito gorda, talvez meus olhos estejam inchados.
  • Terei pelo menos uma briga com uma das madrinhas.
  • Tudo vai acontecer sempre faltando 5 minutos pro horário programado
  • Junior ficará muito bêbado e terei de arranjar alguém pra aguentá-lo. 
Honestamente, daqui há 10 anos não vai mais importar se alguém dançou ou não, se Fulaninho ficou ofendido com a cerimônia ou se tivemos uma tonelada de sobras.  Não vai mais importar se eu fiz toda a decoração, toda a comida ou se eu tive uma costureira maravilhosa que bordou toda a cauda do vestido em estilo Neo-Vitoriano. Ninguém vai dar a mínima se decretamos vinho à cerveja ou se estava muito quente ou muito frio. Mas vai importar que Brandon e eu estejamos juntos e que tenhamos boas memórias daquele dia. 


Então meu objetivo (além de fazer tudo o que está na check list em busca da perfeição absoluta) é... ter memórias felizes deste dia e viver um bom tempo para fazê-las durar.  É claro, vou esperar pelas melhores fotos do mundo, de passinhos de dança improvisados e de brindes sinceros, mas, em dez dias, tudo será memória. Em dez semanas tudo será "causo" que contaremos por aí. Em dez meses será "WOW JÁ FAZ QUASE 1 ANO QUE CASAMOS! Tanta coisa aconteceu desde então". Em dez anos serão fotografias que me farão olhar pra trás e sorrir, memórias queridas (provavelmente estarei repassando minhas experiências e aplicando minha "sabedoria" planejando casamentos de outras moças). 
E em dez décadas... em dez décadas só vai importar que vivemos e amamos. 
O resto vai se perder no tempo e nos boatos. E por mim tudo bem.




terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Não há como ser fácil casar: coisas que eu queria que tivessem me dito uma semana antes do meu casamento


Casar: não há uma maneira fácil de fazer
É tanto sofrimento envolvido na coisa do casar: noivas que adoecem, casais que brigam absurdamente durante o processo, dúvidas, desesperos, contas, pesadelos. Se é uma coisa boa, porque se sofre tanto?
E não é uma questão de grana. Claro, quem tá na merda financeira sofre mais porque tem que encaixar o sonho e as expectativas no que teu contracheque tá te apresentando e, claro, quem é filho do Eike simplesmente entrega tudo na mão de alguém e fala taí ó, queremos chegar e casar, manda a conta depois. Mas pra qualquer um que se proponha a um casamento que não seja andróide, um casamento Blade Runner, a coisa vai ser passar pelo fogo e nós, efetivamente, colecionaremos muitas feridas no processo.

Mas, cara, a verdade é que não existe rito de passagem sem dor. Eu não sei quem inventou essas regras, deve ter sido Deus, porque até pra nascer - tava assistindo a um documentário da Discovery esses dias - até pra nascer a nossa cabeça precisa ser traumaticamente espremida até dar jeito dessa melancia passar pelo buraco em que só passaria uma uva. O coveiro jogando cimento e 3 pedras absurdamente pesadas sobre o caixão, decreto do fim. Cerimônias de iniciação, da passagem da menina para a mulher. Obra da casa.

Casamentos, mesmo os casamentos de ir morar juntos, envolvem três coisas gigantes e tensas: amor, família e dinheiro. Juntos, esses elementos farão da sua vida um coquetel Molotov. Ok, agora a coisa pareceu deprimente...

Mas, sério, quem é que quer alguma coisa fácil? Qual é a graça? Se escolhemos viver a vida e viver nossas escolhas, o jeito é nos entregarmos. Temos todos de viver nossos épicos íntimos.

O que queria só dizer, especialmente para noivas que estão com a data do pleito se aproximando e que talvez estejam assombradas por dúvidas do tipo POR QUE MEU DEUS EU ME METI NESSA MERDA? ou que estão adoecendo como rolou comigo, com a Sammia do Casando Sem Grana e com todas nós que dobramos o Cabo das Tormentas Nubentes. Era o que eu queria que tivessem me dito uma semana antes do meu casamento...
  • Fique firme e respeite as dificuldades desse momento. Respeite seu corpo e aceite que ele vai te sacanear e te deixar mal pra cacete, rouca, trêmula, nervosa.
  • Respeite as expectativas e obsessões que estão martelando na cabeça porque não há o que ser feito, não podemos lutar contra essas expectativas irracionais.
  • Todos esperam de você, esperam da mulher, da noiva. A sua família vai encher o saco, a dele vai encher o saco. Eles também não conseguem lutar contra isso porque também esperam muitas coisas, porque a mudança da sua vida também lhes diz respeito. Não to dizendo que isso é bonito ou é o certo, mas a mão que balança o berço é a mão que embala o mundo e agora estamos com esse abacaxi de poderes e responsabilidades. É importante que seu comparsa entenda minimamente esta questão para poder colaborar, participar e te proteger nos momentos de ataque zumbi. É o único jeito de equilibrar as coisas.
  • Não tente racionalizar demais. Tá afim de chorar? Então chora! Tá se achando no fundo do poço? Então vai até lá, mas não fica cavando, vai só até o fim. Take your time, take a breath e aí cê volta
  • Aceite que a perfeição programada não existe, é uma quimera, é Platão. Só o que é imperfeito pode ser de verdade, pulsante e vibrante. Nada melhor do que os momentos perfeitos que aparecem sem nenhum aviso. Sabem, aquelas horas em que a gente para e cacete, quero guardar isso pra sempre! Esses momentos são presentes impossíveis de serem planejados, é transcendência (é Platão, brasiu!)
  • Procure o silêncio. São muitas opiniões de todos os lados, muitas fotos, brigas, muitos telefonemas e emails. Busque um refúgio! Pode ser no quarto, pode ser no banheiro, no Ibirapuera. Qualquer lugar onde você possa estar só e ouvir o nada ao redor
  • Vitamina C, 1g por dia.

Amor

Prill

imagem: loja eighteen9, no etsy

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Casar "pra valer" depois de morar junto - A mesma coisa! Completamente diferente!


Os dias vão passando.. a gente encontra as pessoas e agora tem duas coisas que mais ouço toda vez que estamos eu e o Rafael tentando comprar um litro de leite por menos de 3 reais e aparece algum amigo, algum conhecido: 1) e o bebê vem quando?? e 2) mas vocês já eram casados, né? não mudou nada então... Sabe aqueles momentos doces que a gente passa? Eu não ligo, sério, não ligo de ficar ouvindo as mesmas coisas e não ligo da pergunta do bebê ser clichê. Depois do bebê vão, obviamente, perguntar "e quanto vocês vão dar um irmãozinho?" rss As pessoas nunca estão satisfeitas, a novela precisa andar. Bora, gente! Bora parir crianças! Bora viajar pra Paraty nas férias e pra Araruama no feriadão!
Mas a coisa 2 me deixa sempre um bocado intrigada. É... Já éramos casados antes, amigados na fé, concubinados. Então... não mudou nada.? Olha: nada mudou. Tudo mudou. Tudo é como antes, mas é totalmente diferente agora. Sinto que depois do dia em que reunimos todo mundo, em que a juíza falou coisas, assinamos papéis, demos abraços, jogaram bolinhas de sabão em nós... como tudo poderia continuar igual? Não podia e não está sendo. Casar de verdade, no duro, pro bem ou pro mal, fez nosso relacionamento dar um cavalinho de pau no meio da estrada e começar qualquer coisa nova. Pra qual caminho?

Ouvimos causos de gente que fica um tempão amigado e é muito feliz assim mas então, sei lá, resolve casar e, às vezes em questão de meses, estão separados. Anos de convivência, longa data e a gente se pergunta; o que foi que aconteceu?? Tenho um tio que diz que a água benta tem mandinga separadora. Mas e se o casal é judeu? É protestante? É hare krishna? Todo casal de qualquer credo está sujeito a essas coisas, então. Li uns meses antes do casamento no Off Beat Bride umas boas teorias a respeito, aquilo ficou martelando, daí fico agora pensando que, morando juntos, a coisa parece correr quieta e solta, mas aí, quando surge a proposição de casar, de publicar tudo aquilo que era assunto só de dois, as expectativas dão as caras: depois que assinar esses papéis, que nos disserem palavras sagradas... depois vai ser pra sempre, né?

Por mais que a gente racionalize, o peso da ideia do pra sempre é muito forte. Socialmente falando, historicamente falando, estamos imersos até o pescoço nessa ideia da eternidade do amor. Não dá pra mudar. Crescemos lendo, assistindo filmes, ouvindo canções, flertando com mitologias que falam forte disso... Estava aqui antes de nós, é parte integrante do Ocidente, imperativo, infugível. Durkheim gotta love, como cês sabem. Bem, mas aí tem quem não lide bem com isso de ficar na beira desse abismo inevitável e olhar lá pra baixo, ver a imensidão dessa aposta: apostar no amor, no seja o que deus quiser, em cafés da manhã, brigas, carinhos, engorda-emagrece e desejos. Não lido melhor do que a maioria com isso. Tenho certeza de que o Rafael também não.

De cara, fiquei WOW/DIGDIN DIG DIN sou uma senhora respeitável agora! Aliança na mão esquerda! As vendedoras me tratam melhor agora, meus pais me olham diferente, os professores doutores, os cobradores do ônibus. A aliança na mão esquerda, esse símbolo simples e besta que todos compreendem bem do que se trata: ela é uma senhora, ela não é mais Capitu, ela é DONA CAPITOLINA (que mocetão!).
Nas primeiras semanas eu tava ali incomodada com aquele troço na minha mão, parecia que tinham me colocado aparelho ortodôntico novamente, ficava alerta, tem um troço intruso no meu corpo TIRA! TIRA! e o Rafael tirava a dele também, punha na caixinha, dizia que dava angústia. Dá angústia. Passadas 4 semanas, a sala ainda atrulhada de enfeites, o bolo ainda no congelador, estávamos distantes e confusos.
O que houve? Eu não sei. Nos vimos de repente num lugar bacana diante de muita comida cheirando muito bem, ele me chamou pra conversarmos e eu preocupada com o frango resfriado que tinha acabado de comprar, tinha que levar pra casa: não vai estragar? Mandei a cabeça calar a boca, isso aqui é importante. O que houve?
- Alguma coisa mudou, ele disse, e eu fiquei nervosa.
- Você está me assustando
Não que tivesse mudado pra ruim, ele emendou logo. Simplesmente era uma bigorna caindo na cabeça e nela estava escrito que AGORA VOCÊ É UM CHEFE DE FAMÍLIA, UM HOMEM, AGORA SAIA DESSA CAVERNA E VÁ MATAR MAMUTES.
Os homens possuem suas fases, mas é engraçado como é permitido que permaneçam sendo meninos. Muda é o preço do brinquedo. Mas, um belo dia, são tragados por algum puteiro, por uma garrafa de wisky, pela entrevista de emprego que é a oportunidade da sua vida e agora é pra valer. O casamento é desses marcos. Acho que pra gente é diferente porque a gente brinca de casamento da Barbie, de filhos, de fazer comida. Homens não brincam de casinha.
Don't panic. Estamos juntos há quanto tempo? E por quantas coisas a gente já passou? Quantas coisas fizeram esse tempo curto de um ano e não sei que, dois anos, multiplicados em minutos e horas intensas, eternas? Não tinha como passar por tudo aquilo de escolher bolo, encontrar um lugar pra casar, pagar o cartório, fazer fengshui com as família, engolir situações detestáveis, escolhas difíceis e tudo permanecer o mesmo?

O casamento é um ritual traumático. É passar pelo fogo das próprias expectativas, das expectativas das outras pessoas que a gente vai e enfia no meio de algo que só dizia respeito a duas pessoas. Todo mundo agora espera alguma coisa de nós. Talvez filhos, talvez fidelidade, talvez que compremos um cachorro, talvez que vejamos Paris juntos, e que enriqueçamos, engordemos. O mundo sempre dará boas vindas aos amantes, nunca ninguém vai se cansar de estúpidas canções de amor, há sempre um voto das pessoas, seja de fé ou de descrença, mas estarão lá esperando os desdobramentos dessa novela íntima que, no ato do casamento, tornamos pública.

Tem valido a pena todos os gastos e stress e pirações e dar comida prum monte de gente que vai sair falando mal*. Toda a super-exposição, todo o trauma. Fizemos essa aposta pública de que queremos estar juntos pra sempre. Como aos poucos a aliança parou de angustiar, você vai e se acostuma a viver com o abismo embaixo do pé. A gente volta pra mesma casa pra onde a gente já voltava antes, mas é diferente... Tudo mudou mas a gente tá sabendo que é a mesma dança, e a gente dança o mesmo velho Sinatra cheek to cheek; quero aprender novos passos. É difícil, é imprevisível, e se acabar? Vai doer? Aposta, máfia, aventura... me importa continuar dançando.

*nêgo adora dizer que não vai fazer festa porque saem falando mal. baby, se você convida gente escrota pras tuas comemorações, você está fazendo isto errado.
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