segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Tutorial improvisado: Maxi coroa de flores



Minhas colegas de auditório, trago hoje no Roda Roda Jequití esse humilde tutorial pra senhora que está interessada em um arranjo de cabelo que seja, ao mesmo tempo, rústico, fofo e ousado. Parece difícil, mas não é não! Em menos de duas horas é possível montar sua coroa de ninfa dos bosques e sair por aí sendo feliz. 
Infelizmente não ficou um tutorial mega explicadinho porque eu estava sozinha em casa e não consegui segurar as tranças de flores enquanto fotografava :/ mas ao final da postagem posto um vídeo extremamente esclarecedor que mostra o mesmo método que usei (atenção: pulem para a mentade do vídeo, antes disso só rola uma ego trip da moça que quase me deixou em coma). Vocês vão perceber que:

1. Ela usou rosas spray, boa opção pra quem não quer uma coisa gigantesca e traveschy
e que
2. Com esse método é possível montar coroas usando qualquer flor e folhagem que possua um caule flexível o suficiente pra ser trançado. Dá pra inventar um monte de coisa em diversos tamanhos!

Espero que curtam!!

 
Do que você precisa: 


▸ 20 rosas normais (evite as que tem caule muito grosso ou vá de 27 rosas spray | vale lembrar que quanto maior as rosas mais densa ficará a coroa) || dá pra usar outras flores com esse mesmo método || comprei cada rosa a R$1,50 numa banca de flores perto de casa

▸ arame (eu usei arame trançado, mas, como ele é meio molenga, dobrei e enrolei)

▸arame encapado (aquele encapadinho de verde, sabe?)

▸alicate

▸fita de cetim para o fechamento



Meça no arame a circunferência da sua cabeça e corte a quantidade necessária. Lembrando que depois você pode usar a fita pra fazer o fechamento, melhor solução pra você não arrebentar os cabelos com arame



Corte as flores pelo caule, mais ou menos 8cm.
Pegue duas e cruze, ponha o arame trançado em cima e prenda tudo pelo meio do ✕ usando o arame encapado.

Faça os caules darem uma volta de trás pra frente do arame e cruze as duas partes na frente. Se você estiver usando rosas normais, vá devagar ou o caule pode quebrar. Rosas spray são mais flexíveis pra trabalhar, mas como a ideia era fazer uma MAXI UBER COROA...

Encaixe um cabinho no buraco, trance os 3 caules do jeito que der e prenda tudo com mais um arame encapado. Vá repetindo esse processo até chegar ao tamanho da sua cabeça. Acompanhe no vídeo da guria gringa!


Fiquei tão ansiosa que tirei foto antes de fazer o acabamento, ignorem! Pra finalizar, faça um aro na pontas do arame e prenda-o bem usando o alicate. Amarre uma fita em cada extremidade. Usando cola de contato, você pode encapar as pontas dos arames com um pedaço de fita de cetim. É importante fazer o fechamento no laço pra garantir firmeza na cabeça e evitar que o arame arrebente seu cabelo. 

Dicas de ouro
1. Procure colocar os botões mais pra perto da orelha e as rosas abertas mais pro meio, pra testa (não faça como eu que, num surto megalomaníaco, fiz tudo de rosas abertas)
2. Prepare a Neosaldina porque a coroa é pesadinha!


Inventei de usar coroa de flores, e o buquê meu deus? 
Keep calm! Na hora de harmonizar o buquê com uma coroa de flores a gente precisa pensar no conceito da coisa que vai aparecer mais, que é a própria coroa, e, a partir daí, planejar o restante. Uma coroa de flores sempre vai nos remeter a um clima silvestre, a uma coisa meio de fadas e unicórnios e mocinhas celtas; dessa forma, um buquê feito de flores juntadas sem compromisso, principalmente florzinhas silvestres como margaridinhas, cáspia, oregão, pampilho, dente de leão, amor perfeito, entre outras flores e ervas que brotam por aí, são a escolha ideal. Repetir rosas no buquê pode ser over, hein! 

Voilà! 

Musa inspiradora!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Pensando nos dias da convivência a dois e no amor during a lifetime


Você pensa em casar, você namora e aquelas despedidas que parecem que trancaram você no hotel pra cachorros e só voltam depois do feriadão: não vai! Você pensa em casar e aí se casa. No dia a dia você deseja que as despedidas aconteçam? Que ele suma? Você se desespera porque simplesmente não consegue dizer adeus e as vezes parece tão certo. O frango queima, o arroz queima, vocês passam no concurso. Churrascos sábados. Domingo de manhã dá preguiça de sair da cama, a gente curte ficar conversando até a hora do seriado. Olhamos pros lados, caras interessantes, meninas gostosas. Você se desespera: e se um dia isso acabar? Mensagens safadas no telefone e ainda tem que correr, tem que trabalhar: engarrafamento.
No casamento paira um ar pesado, tem um ar de leveza absoluta e você não entende como pode sentir tanto carinho e doçura, tanto amargo ao mesmo tempo. Guns and roses. A convivência é passar pelo fogo todos os dias, matar um leão como dizem.

Três meses passaram ansiosos, hoje os dias parecem mais fáceis. 3 anos. 10 anos? 50 anos? Será que a gente ainda vai rir e que vai debater nossos livros. Olho pra estante e sinto que encontraremos refúgio ali no desejo da beleza e da arte. Não há garantias igual no final do filme. A gente conversa e chora na cozinha, a gente dorme no sofá. Amar como um trem descarrilhado. Eu e você feito loucos, só queria poder sorrir no final, sentir a calma. Vai piorar, vai se gostoso. Tudo bem, tudo bem... Chega pra cá, vai ter silêncio e vai ter música mesmo que você não saiba dançar. Quero casar mas os dias vão ser duros, e as noites e a poeira branca da obra. Vai ser ótimo. Não me deixe, vamos fazer pipocas novamente. A gente e um monte de outras histórias, cervejas, o Mallboro. Você me abraça como no final da música, vou ali mas já volto porque mulher não ama, cisma. O amor pode ser cruel como misturar cerveja com destilado, a gente pinta o que poderia ser o quarto do bebê mas planejamos nos mudar.  Eu me desespero: como vai ser mais pra frente? Tudo bem.. tudo bem..

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O casamento que sonhamos e a vida que podemos viver

 quinta-feira, 21 de julho de 2011

falta 1 dia e não fui dormir ainda

Porque minha garganta dói muito, porque já tem vozes que não suporto mais ouvir (com a minha; já não posso mais há quantos dias? - as mesmas frases, as mesmas coisas chatas chatas chatas)

Manter a unidade do seu amor diante de mil pirotecnias e quinquilharias que juram ser essenciais pra que ele exista e sobreviva. O Manolo diz que todo ritual é assim: dói e tem muita gente.

Manter a unidade do meu amor diante de um monte de babaquices.
Coincidentemente, esse final de semana recebi 3 emails de noivas diferentes que, em comum, tinham um peso no coração porque talvez não tenham como fazer o casamento que sempre sonharam. Talvez não haja dinheiro, talvez não tenha jeito. Perguntavam por alguma luz no fim do túnel. Vou responder a cada uma, mas essa angústia é tão de todas nós que queria dizer assim em público que, meninas, quero que acreditem num clichê sábio: melhor do que sonhar é viver. Viver o que der pra viver. Viver o que não vai dar é um caminho rápido pra frustração, pra enlouquecer. 
A verdade sobre como o ritual do casamento se faz hoje - nesses tempos em que o pai da noiva não banca apartamento, em que preferimos sonhar com um trabalho que dê alegria do que com 8hs diárias como bancário, em  que queremos fazer as coisas do nosso jeito - é essa: precisamos ter coragem e abrir mão de alguns dos sonhos de menina.
Se vamos ser donos de nossas vidas e patrocinadores dos nossos desejos, temos de sonhar e agir como tais: Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança. Paulo disse que era na fraqueza que se revelava toda sua força. Abandonar aqueles aconchegos, afetos, aquelas brincadeiras, aqueles sonhos, as garantias seguras de felicidade dentro deles... não é fácil! É extremamente doloroso! Mas a escolha precisa ser feita sob o risco de nos pegarmos agindo como um cachorro que corre atrás dos carros sem nunca alcançar e sem nem saber porque os persegue.
Encarar de frente que não somos princesas ou rainhas, que somos mulheres apenas. Ninguém nos diz isso e eu não sei porque... Essas princesas nunca existiram pra além das nossas sagas com a Barbie, pra além dos contos de fada que nada mais são que plástico e fantasia. Temos a oportunidade e a liberdade de vivermos de verdade as nossas histórias reais, com amores reais e dificuldades reais a serem superadas. Um dia a dia real com contas reais a pagar, e reais festinhas de família a comparecer, com tardes frias reais dormindo de conchinha, com beijos reais e crises de asma no meio da madrugada reais. 
Viver é melhor do que sonhar viver. Tá certo, no sonho é tudo tão sem limite e a felicidade é tão completa, tão perfeita... abrir mão dessa segurança, desse amparo que a fantasia dá é foda! Como num presente de Natal que é exatamente o que pedimos, na nossa imaginação, nos nossos sonhos de Barbie não existe frustração. Quem quer abrir mão disso? Por outro lado, Barbie é uma boneca e, como tal, é comandada. Desconhece autonomia e independência. Tudo o que ela tem foi você quem deu. Também a princesa, tudo o que ela tem já estava lá quando ela nasceu: o título, os luxos, as mordomias, as responsabilidades devotas pra com seu povo. Barbies e princesas não se pertencem a elas próprias, nós sim. 
A má notícia para você e eu, mulheres normais,  mortais e donas das próprias histórias é que os desejos tem limite. Mas, vai por mim - e você sabe disso - nada de compara a sentir a liberdade batendo na cara, a liberdade de viver o que é seu e o que é de verdade ao lado da pessoa que te acompanha nessa aventura de loucos. Sem rede de segurança, sem imaginações edulcoradas. A realidade nua, mas sua. Uma vida toda aqui...

Bem, nisso tudo cabo de esbarrar comigo mesma 1 dia antes do meu casamento. Li as poucas linhas aí do começo e foi como um soco no estômago. Aquele foi um dia estranho e assustador, mas certamente eu estava  mais lúcida do que durante todo o processo. Que item do seu casamento é realmente necessário a unidade do seu amor?

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Decidindo a Fotografia do seu casamento - Parte 2: Quanto custa?



Mas vamos falar de fotografia como arte. No Brasil, a fotografia como arte é cara pra chuchu (vou me abster do único palavrão capaz de ajdetivar isso).  É justamente por ser assustador gastar 5, 8, 12 mil em uma cobertura fotográfica que muitos casais acabam fechando pacotes com essa galera pente certo que vai te entregar com agilidade imagens que podem ser até meio tremidinhas ou com flash estourando na cara, mas onde você pode se reconhecer e compreender o que se passou no dia do casamento. 

Mas por que custa tão caro, meu deus!
Pra além do fato do nosso país não possuir uma tradição de fotografia e para o fato de que qualquer tipo de arte por aqui é complicada de empreender, acho que 4 pontos levam o heróico ou a heróica fotógrafa a pedir uma fatia do seu rim pra pagar a cobertura:

Equipamento 
Uma boa fotografia depende de um bom equipamento. Não é só questão de ter a câmera não gente, tem que ter boas lentes, bons flashes, rebatedores (aquele guarda-chuva prateado), bolsas de armazenamento. E ó, tudo importando! Conheci certa vez uma fotógrafa que viajava periodicamente pra Nova Zelândia afim de comprar suas lentes (no fim, ela acabou indo morar lá). Por isso, pra ficar bonito na pracinha, clicando as noivas e carregando nas costas 20 dinheiros, o sr. fotógrafo precisará fazer um seguro que não sai barato, que custa de 8%  a 15% do equipamento. E ele/ela ou vai precisar de um carro próprio pra carregar as tralhas ou pegar taxi sempre que precisar se deslocar. Isso tudo é repassado pro orçamento.

A arte 
Como uma caveira do Damien Hirst, o trabalho autoral de um fotógrafo custa proporcionalmente a sua relevância artística. Quem é seu fotógrafo na noite? Onde ele se formou? Com quem já trabalhou? O que ele apresenta de autêntico e inovador? Qual é seu conceito de composição? Enfim, qual é o nome dele?? O trabalho de arte (fotografia + edição + grife) do artista possui um valor e aí ele vai e te pergunta: quanto vale o show?

Hoje, o objetivo da fotografia é enquadrar os momentos e as sensações. Reparem no movimento da mão esquerda. O noivo está para pegar o outro sapato? Os enquadramentos da Junia e Lucius Kreulich são apaenas espetaculares

Edição
Com a fotografia digital, o trabalho de edição se tornou indivisível do de captura (há quem discorde, mas vou ficar com a opinião da maior parte do povo de artes visuais). Como assim? Durante a edição o fotógrafo ou a fotógrafa insere ou reforça, por exemplo, elementos  de luz e sombras, cores, da uma corrigida em coisas que no cenário original não eram legais (tipo, uma lixeira da Comlurb que tava atrás da noiva quando ela saiu do carro). Agora pensa o cara que tirou duas mil fotos e tem que editar uma por uma. Pensa no trabalhinho de corno. Caras, vale a pena pagar por ele!  Dica: procure saber se ele faz suas próprias edições ou se paga alguém pra fazê-las. Se o cara fotografa, mas não edita, significa que temos aí dois artistas envolvidos o que automaticamente joga pra baixo o valor artístico do fotógrafo, desculpa aí.   
 
Composição e edição: seguindo uma tendência das artes visuais digitais, Fabio Moro costuma lançar mão de efeitos de sombra para inserir o fantástico e onírico nas suas fotografias
Responsa 
Como a equipe de cerimonial e como o buffet, o fotógrafo tá proibido de errar, de perder cortejo, de tremer tudo, de desfigurar as pessoas, de deixar passar o buquê. Se isso acontecer com você, considere processar porque aquilo tudo só vai acontecer uma vez, não dá pra voltar, não dá! A comida estragada a gente até vai esquecer depois do hepocler, o cortejo desconjuntado será algo sem notícias daqui há 1 ano, mas as fotos... nem casando novamente! Se foder, fodeu! É seríssimo isso! Por isso o cara cobra o preço do peso bizarro que está carregando, o de produzir a memória material de um evento irrepetível. Afora que, olha, eu já casei e vou te falar: não vi nada!! Sempre que repasso minhas fotos, elas me contam o que aconteceu enquanto eu vivia uma experiência extracorpórea. Como se já não bastasse, o fotógrafo e a fotógrafa deverão produzir algo capaz de contar às gerações futuras o que foi que aconteceu no seu casamento. Dica: não confie inteiramente nas fotos que você vê em blogs de casamento ou no album do fotógrafo. Ali vão estar o que? as 20 fotos mais maneiras, mas e quanto às outras?? Elas são uma porta de entrada. Pra saber se o cara cumpriu seu trabalho com a responsabilidade necessária, procure uma noiva que já fechou com ele e pergunte minha linda, você já recebeu seu DVD? O que achou? Tem foto de tudo e de todo mundo? Tá tudo nítido e, em sua maioria, bonito? (por que também não dá pra ser ahazo em todas, principalmente nas fotos-flagrantes quando a gente nem consegue se preparar direito pro clique). 
Enfim, o fotógrafo é um artista. Yes! Yes! Mas também deve ser um profissional ciente do peso do seu trabalho e que conheça a dinâmica básica dos casamentos (os dramas, a merda que é os padrinhos que desaparece na hora da foto, as condições favoráveis e desfavoráveis de luz..) dotado de jogo de cintura, de dinamismo pra sobreviver a este acontecimento louco e único.

Álbum 
Essa é a parte que os fotógrafos aparecem pra me dar um hadouken. Gente, desculpa, mas é muito difícil pra mim ver sentido em pagar R$ 1.500 num álbum. Eu sei, eu sei, a impressão é mega über maravilhosa, não seis quantos bilhões de pontos por pontinhos quadrados, durabilidade de 3 séculos, sobrevive a enchente, terremoto e pa pa pa mas... a verdade é que, por mais que eu ame fotografia, sou profundamente leiga, como a maioria das pessoas normais, pra perceber granulações microscópicas do papel. Entendo de coração o preciosismo do artista e o quanto eles desejam que sua arte seja impressa da maneira adequada, mas SÃO MIL E QUINHENTAS DILMAS! E, suavemente refletindo, se acontecer uma catástrofe com meu fotolivro da Saraiva, um tsunami, não posso pegar o DVD ou o pendrive e mandar revelar tudo novamente? Eu sou a Nina por acaso?

Tenho aconselhado minhas clientes a reverem essa obsessão pelo álbum e buscarem alternativas de impressão quando o valor proposto pelo profissional quebra o porquinho orçamentário. A única coisa que me faz ficar com o pé atrás nesse conselho é a questão da diagramação mas mas mas mas... quem nunca tem um amigo design? Pronto, amigos, podem me crucificar.

Afinal, vale a pena pagar?
E desde quando pagar caro é sinônimo de coisa boa? Já tivemos essa DR, então vou pular pro conselho que dou de coração pra coração: a fotografia, junto com o combo comida+bebida, são as únicas coisas pela qual vale a pena você se desesperar, financiar no carnê Casas Bahia, investir pesado. O resto é resto! Cê tem seu amor, vai pro meio da floresta e casa. Mas todo mundo tem que comer e beber sem miséria, tem que se divertir e esse momento gostoso merece um registro adequado, bonito e pra sempre.

Previsões de custo

Grupos de valores
Profissionais

Estúdios de fotografia não-artística
800,00  e 2.000
Bacanas em início de carreira
1.500 e 3.500
Bacanas com experiência, mas sem fama no mercado
3.500 e 5.000
Shows de bola, com experiência e fama
5.000 e 8.000
Estrelares
8.000 e 15.000
*valores para cobertura completa (making of + casamento) com 2 fotógrafos
* só pra controle: uma cobertura fotográrica completa e excelente com álbum nos EUA custa a partir de U$$ 1.000

Mas será que não dá pra economizar? 
Pode ser que vocês tenham grandes amigos que curtem fotografia e que topariam com força contribuir pro casório, mas a gente tem que enfrentar a realidade que um bom fotógrafo de casamentos é alguém que se preparou/prepara praquilo, que corre atrás de fazer as coisas da melhor maneira possível e que tá com o traseiro dele na reta. Ele precisa zelar pelo nome e se virar pra cumprir o contrato comercial estabelecido. Nada pessoal, just business. Ele está obrigado a dar conta do recado.

E se fechar pacote com um cara só, hein?
Vamos tirar da cabeça isso aí de chamar um fotógrafo só. Gente, 1 fotógrafo só se aplica a mini casamentos de até 60 pessoas, e olhe lá!!  Se o lugar tiver mais de 70m², se tiver muitos cômodos, se rolar cerimônia na igreja, se tiver cortejo, esquece! A não ser que você contrate a Jean Grey,  não há condições de uma pessoa só pegar todos os acontecimentos. É uma economia que não compensa! Mas aí você me diz que não dá mesmo pra pagar dois fotógrafos, aí sim a gente pode tentar fazer a gambiarra dos tais amigos que curtem fotografia e colocá-los pra ser assistencia, só que atenção, a coisa precisará ser muito bem conversada entre as partes porque o profissional precisa de um espaço e de ângulos X e Y pra trabalhar. Se ficar gente na frente dele, gente zanzando e que não saca a dinâmica do nado sincronizado casamentístico, a coisa pode terminar mal.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Decidindo a Fotografia do seu casamento - parte 1: os diferentes estilos de fotografia


Quer um registro fotográfico lindo mas não sabe por onde começar? Então senta aí que o papo é contigo (Imagem: Tulio Thomé)
Minhas senhoras casadoiras, como vão?
Olha, um dos lances interessantes de estar desse lado de cá do negócio, como noiva-sênior (rysos) e fornecedora, é poder montar uma visão mais panorâmica dos perrengues recorrentes que envolvem a montagem de um casamento. Entre as minhas freguesas, é com certeza a fotografia que mais deixa todo mundo bolado e confuso. Os valores assustam e as opções são inúmeras. Também cada um diz uma coisa no seu ouvido "ah! tem que escolher com o coração!" "ah! é um registro eterno!" "ah!! tem que ter álbum". É.. numa coisa tá todo mundo certo, a fotografia é um registro eterno e por isso deve ser escolhida com muito carinho e cuidado.

Mas aí eu acho engraçado porque ninguém nunca fala sobre exatamente que cuidados são esses e, porque as informações parecem meio vagas, a gente acaba tendendo a achar que o mais seguro é escolher a galera com maior preço ou os mais recomendados pelas noivas, pelas revistas. Meu objetivo nesta série de postagens é tentar esclarecer as dúvidas mais frequentemente perguntadas pelas senhoras aqui no blog, na fanpage e nos emails. Espero ajudar um pouco na hora de tomar a decisão derradeira.

Trabalho autoral x Trabalho mecânico
Fotografia é uma arte, o fotógrafo é um artista. Mas a verdade sobre o mundo é que isto não é uma regra. A primeiríssima coisa a ser pensada na hora de fechar esse item é: queremos um registro visível de tudo o que aconteceu no nosso casamento ou queremos um registro dotado de estilo do que aconteceu no nosso casamento?
Deixa ver se explico melhor. Com o advento da fotografia digital e do primado da imagem sobre o texto a gente meio que ficou com os olhos viciados em rostos, corpos e imagens de situações. Quando olhamos pra uma foto hoje a nossa cabeça mais se interessa em entender o que está nela, do que ela se trata, do que pela sua qualidade. Se eu consigo ver a noiva, se eu consigo entender que ela jogou o buquê do alto de uma escada, se achei lindo os noivos abraçados com um cachorrinho ESSE FOTÓGRAFO É BOM. Se isso basta pra você, serião, não gaste grana com este item. Chame o sobrinho, uns amigos e deixa que a galera registra pra você e te manda por email. Tem um monte de empresa por aí sem comprometimento algum com a qualidade, o negócio deles é fazer fotos de casamento em que as pessoas se vejam e ponto. Isso de composição basicamente não existe no mundo deles. Não os julgo, temos contas a pagar e, se tem quem contrate, por que não oferecer o serviço?
Conheço empresas de fotografia com  15 fotógrafos que todo final de semana se deslocam pra fazer 4, 5 casamentos. Vale ser no mesmo dia, vale ser só fotos da festa ou do making of, eles fazem o que você precisa e o que você está disposto a pagar. Um lance é um lance, romance é romance.
Eles entregam as fotos no dia seguinte (aliás, rapidez é a principal propaganda que fazem de si!)

OS ESTILOS DE FOTOGRAFIA
Cês lembram do Arcadismo, do Naturalismo, do Romantismo...? Então, a fotografia de casamentos hoje também possui diferentes escolas, diferentes estilos - todos eles subgrupos do grande guarda-chuva chamado Fotografia social. Então, antes de pensar em grifes ou no que disse Fulana, Beltrana,  papagaio e periquito, o casal precisa decidir que estilo de registro fotográfico se encaixa no conceito do casamento. A fotografia de casamentos hoje se divide em duas principais abordagens: a Tradicional e a Fotojornalística.

Fotografia Tradicional
Nesse estilo, busca-se um registro mais clássico do casamento, mais posado também. O ojetivo dos fotógrafos tradicionais é não deixar de fazer as imagens consideradas essenciais de se ter do grande dia; a noiva saindo do carro, o beijo no altar, o corte do bolo, a foto em família. Uma característica forte da fotografia Tradicional é que há um certo controle do profissional sobre os eventos do casamento, há uma certa direção. Esse é um estilo que todo mundo chuta, mas diz aí: dá pra não ter foto com seus pais??
O que a galera precisa enfiar na porra da cabeça é que os caras tradicionais não são vilões! Minha amiga, muitos deles vieram ou aprenderam fotografia com a galera oldschool da era analógica. Na época em que filme era caro pra cacete, que ter um rolo de 36 poses era o ápice das suas férias em Araruama, só era possível registrar direito um casamento focando num roteiro bem rígido do must to have e, pra fazer essas imagens obrigatórias sem queimar filme atoa, era essencial que o fotógrafo dominasse a cena pra que as coisas não saíssem cagadas. Olhar no monitor e ver como tava ficando e apagar o que ficava  ruim não rolava. Se cagasse, ia ficar cagado pra sempre, apenas adeus.
Acho que deveríamos respeitar mais este heróico passado da fotografia de casamento.

Fotografia posada não é sinônimo de fotografia chata! É o que prova Klaucius Ank com suas fotografias intituladas "Étudo pose"
O Felipe Maiato não é um fotógrafo tradicional, mas seus registros históricos de noivas (onde ela aparece sozinha e de corpo inteiro) são geniais e atemporais


Fotografia Meio tradicional, meio editorial

Pensa num lance casamento de revista. Então, nesse estilo pose é ótimo, bora fazer! A ideia é que os noivos - principalmente a noiva - vivam um dia de glamour e se sintam lindos. Outras imagens são feitas, obviamente, a cobertura do casamento corre normalmente unindo fotos obrigatórias, decoração (bastante valorizada neste estilo) com imagens posadas, mas que não sejam sérias e robóticas. Encontrar o equilíbrio entre a espontaneidade e o parar pra tirar foto não é pra qualquer um.




Fotojornalismo
Olha só que coisa louca: embora possa parecer, a fotografia fotojornalística não tem necessariamente a ver com reportagem ou com a imprensa. O termo - como quase tudo hoje nos casamentos - foi herdado dos americanos, photojournalism. Eu tô falando isso que é pra você entender qual é a da proposta. Pros americanos, photojournalistic é a fotografia feita pra reportagem, com o objetivo de ser notícia; são flagrantes, denúncias, ilustração de um texto jornalístico. Já photojournalism seria a fotografia social feita à semelhança de uma reportagem, ou seja, o foco desses profissionais é capturar os momentos sem muita interferência, fazer flagrantes com um objetivo de construir uma narração do casamento.
O fotojornalismo também envolve imagens que não necessariamente são as do casamento, mas que são capturas de fine art mesmo. Podem ser objetos, animais, crianças, casas, situações que pintaram na hora e que servem para criar o contexto emocional e afetivo do relato.

Marina Lomar
Pés da noiva e pés da filhinha da noiva

Dá pra dividir o fotojornalismo e dois subgrupos:

Fotojornalismo juntado com fotografia tradicional
A fotografia é realmente uma arte que remete ao eterno e um verdadeiro clássico é sempre atemporal. É por isso que, por mais vanguardista e modafoca badass 2.0 que pretendamos ser, continuamos valorizando as tais fotinhas tradicionais dos familiares, do primeiro beijo, do buquê.... Mas como ter um pé cá e outro lá? Dá pra fazer, brasileiros!! Hoje temos uma galera extremamente competente aí que colocou como objetivo de vida e trabalho capturar os momentos naturais, mas também dedicar um tempo pra fazer os registros históricos/tradicionais. 
Converse com o profissional que você anda visando sobre esta possibilidade e sobre como acontece na prática essa transição do posado pro flagrante.


Olha! Olha! é a Luiza!
Fotojornalismo antropológico
Qual é a ideia: ir com força em cima de tudo que é orgânico, natural e autêntico tanto no casamento quanto nos noivos e nos convidados.  A cobertura antropológica do casamento não é de gosto fácil. Nem todo mundo se sente confortável com flagrantes do tipo a noiva fazendo cara de dor ao tirar o sapato, ou sem maquiagem olhando pro vazio ao lado do seu vestido. Há quem ache belíssimo (eu acho! eu acho!). Esses caras, antes de buscar o registro puro e simples de tudo o que aconteceu no seu casamento, buscam capturar a alma da celebração, o espírito daquele momento e das pessoas envolvidas; das pessoas enquanto seres humanos mesmo, sabe? O glamour não é uma prioridade. Esse estilo é meio avesso a qualquer coisa posada ou dirigida, preferem o dinamismo e o inesperado. Eles gostam do casamento realidade! Se você vai casar numa locação exótica, se é do samba ou se sabe que vai beber, que a galera não vai parar, se você é da família do Tufão, esse é o seu estilo de registro.
As três acima são de Nathan Thrall






Quanto tempo antes eu devo fechar fotografia?
O mundo é cruel... Fotografia é um dos itens mais caros e mais importantes do casamento, mas também é um dos que você precisa ver logo no começo da brincadeira. Você não precisa necessariamente fechar com alguém, mas precisa começar a pesquisar, a assuntar nos fóruns e grupos de email da vida. A antecedência é super importante, primeiro porque a agenda desses profissionais costuma ser bem apertada e segundo porque se você deixar muito pra cima do dia do casamento vai ficar complicado de pagar/parcelar. Mas essa antecedência é de quanto tempo, afinal?

Broderas, cês devem ouvir por aí com certa frequencia noivas que vão casar daqui há 2, 3 anos já fechando fotografia. Elas costumam bater no peito cheias de orgulho porque já liquidaram esse item, mas vou falar um lance: o fotógrafo é um artista e não um apertador de porcas. Bem, eu penso ser essencial que um artista se reinvente, que evolua, que mantenha a cabeça aberta a novas técnicas e influências. Isso significa que o trabalho que ele faz hoje muito, mas muito dificilmente será o mesmo que ele vai estar fazendo daqui há 3 anos. Daqui há 3 anos ele pode ter virado enfermeiro, astrofísico! Na verdade não confio em nenhum profissional subjetivo que feche negócios tanto tempo antes.
E se o profissional não muda, talvez vocês mudem. Cês vão ver muita coisa, conhecer muita gente, aprimorar ideias, se apaixonar e se desapaixonar de muitas coisas relacionadas ao mundo dos casamentos. Certifiquem-se de que já viram realmente um monte de trabalhos e de estilos antes de tomar a decisão. Fechar muito antes coloca vocês sob o forte risco de encontrarem mais pra frente um profissional apaixonante e que talvez tenha entrado no mercado há pouco tempo.
A escolha da fotografia que nos agrada está intimamente ligada a construção do olhar fotográfico e, se você não trabalha com áudio-visual, saiba que isso leva um tempinho. É um amadurecimento. 

Penso que o ideal é fechar com, no máximo, 1 ano de antecedência!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Levando o Instagram pro seu casamento



A senhora ama/é Instagram? Então deixa eu te falar, vi esses dias uma matéria no The Knot que me fez pirar geral com uma ideia simples e delícia: levar a nostalgia e a afetividade da fotografia analógica pro casamento através de badulaques e negocinhos que você pode produzir usando o aplicativo. Inspirada na matéria gringa, listei 6 ideias bacanas e bem fáceis de aplicar ao planejamento nubente - fiz algumas adaptações porque certas coisas que eles sugerem ou não estão disponíveis em nosso Brasil ou possuem um modo de fazer mais dentro da nossa realidade.

Contratar um serviço de revelação instantânea 
Sim, minha cara noiva geek, suas preces foram atendidas! Hoje no Brasil já contamos com aquele serviço FUCK YEAH que imprime as fotos do Instagram tiradas pelos convidados (ou por você) na mesma hora. É só contratar o pessoal da Printgr.am que eles montam a barraquinha no seu casório. Funciona assim, a galera tira uma foto e coloca lá a hashtag do casamento, daí é só correr lá no stand dos caras e pegar a imagem reveladíssima: uma pra ele, outra pros noivos. Recomendo muito pra quem não vai ter pista de dança e está com medo da festa ficar monótona, principalmente pros noivos que estão pensando em fazer photobooth. No Rio, o serviço tá saindo em média a R$ 1.800, só não esquece que o local do pleito tem que ter wifi.

Mini álbum bossa-nova vintage
Entre os produtos cheios de amor do Prinstagram, um se destaca: o mini álbum com 100 fotos é apenas fofura eterna! É ideal pra levar fotos do casamento pra lá e pra cá, mostrar pro povo, pro chefe, pra manicure sem burocracia e sem medo de tomar grandes prejuízos se ele danificar. Essa belezinha sai por $12 e os caras entregam pro mundo todo. Eba!

 Um save the date cartão postal
Olha só que coisa linda: com o Postgram, suas imagens instagramadas viram cartões postais que você pode usar pra mandar por email como save the date a custo zero. Basta baixar o aplicativo e escolher a imagem mais tchururu do casal. Ah sim! Os caras também imprimem o cartão postal, mas aí tem que ver com a sua prima que viajou pros states se ela tem como trazer a encomenda pra você porque a empresa ainda não oferece entrega internacional


Fazer adesivos no Instagoodies e usá-los nas lembrancinhas
No Instagoodies você seleciona as fotos direto da sua conta no Instagram e transforma em adesivos que ficam um coisa linda fazendo fechamento de pacotes de lembrancinha. São quadradinhos de 22mm de comprimento e a cartela com 90 adesivos sai por $14,00 (tem que ter cartão internacional, hein).
Com algum domínio do editor de imagens, você consegue imprimir as fotos em folha adesiva na gráfica mais próxima. Aqui no Rio, num bureau bolado tá cobrando em média R$ 20,00 por uma folha adesiva A3.

Usar fotos do instagram no album do casamento 
Era meu sonho! Mas aí na época rolava aquele monopólio dos Iphones e também eu tava sem cabeça até pra pensar na cor da minha calcinha. Mas muitos noivos tiveram uma presença de espírito maior que a minha selecionaram algumas fotos legais tiradas pelos convidados para incorporar às fotos oficiais do casamento. Como? Se vocês mesmos vão diagramar o álbum nesses serviços online de foto-livro é moleza né? Caso tenham contratado álbum com uma empresa de fotografia, converse com o profissional que ele vai te ajudar a encaixar tudinho. 



Importante. Olha a hashtasg!!
Gente, mas aí todo mundo tira foto com Instagram, como faz pra recuperar? Pra você e seu noivo não ficarem depois feito loucos passando pires e pedindo fotos de convidado em convidado, estabeleçam uma hashtag (aquele #jogodavelha) pro dia de vocês de forma que as fotos possam ser indexadas num mesmo diretório. Aí vai ser tranquilo de acessar, de ver o casamento pelos olhos de familiares e amigos + selecionar o que vai virar material impresso. 

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As imagens são do The Knot || do Barefoot in Chicken || do site da Farm Rio (entrem nesses dois últimos links!!! ^_^ )

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Thaís e Emerson: sobre as coisas do amor, do destino e da delicadeza

 

Não sei realmente se estou habituada a pergunta: mas então? Como você começou a trabalhar com casamentos? Nessas horas, parece sempre prático dizer que foi depois do meu casamento que a ideia surgiu na minha vida... as pessoas se sentem satisfeitas com esta resposta. Deve fazer sentido. Mas naquela hora, quando já tínhamos empacotado mais da metade da festa e ela já estava com o rosto brilhando de tanto andar pra lá e pra cá distribuindo abraços, beijos e cupcakes para as pessoas que saíam do restaurante, naquela hora em que ela anunciou que ia tirar o vestido pra ir embora e pegou na minha mão perguntando com o olho de bailarina: você vai escrever sobre hoje? você vai escrever sobre a nossa história? Exatamente ali eu não saberia o que responder. Por que comecei a trabalhar com casamentos? Eu simplesmente não sei, caras.. Também não sei como sobrevivi àquele olhar nem a todas as coisas que haviam dentro dele; coisas minhas, coisas dela.

Esta é a história do casamento da Thaís, a primeira noiva que me contratou. Essa é a história de como ela virou minha vida do avesso e me transformou numa cerimonialista de casamentos.

  
Olha, já fiz muita coisa nessa vida. Por gosto, por necessidade. Já vendi cachorro quente em carrocinha, vendi muamba um e noventa e nove, sanduíche natural, cerveja no carnaval da Lapa. Já trabalhei por comida e já trabalhei sem receber nada em troca além de muito choro de arrependimento. Já fui articulista, livreira, pesquisadora e professora. Me acostumei a pensar que tinha passado por coisas demais e por causa disso me agarrei à vida acadêmica e a História com alegria: era finalmente a oportunidade de uma vida tranquila, financeiramente estável e bacana. Era o que eu pensava.

Em algum momento disso tudo, lá entre as serras e os prédios imperiais de Teresópolis Thaís decidia também que a História seria uma linda carreira a seguir: crítica social, erudição, a compreensão de nossa identidade e do que podemos mudar no mundo. Imagino que a mãe dela, que é professora, deva ter curtido a ideia. Agora imagina só, se a Thaís não tivesse tirado ZERO em Física, talvez tivéssemos nos esbarrado anos depois pelos corredores do Instituto de Ciências Sociais ali no Largo de São Francisco. Num destino louco e outro, Thaís... vai ver a gente nem teria se falado!

Pior para a História, melhor para o Direito. Se fosse ela a escrever sobre esses acontecimentos, certamente afirmaria com uma certeza tranquila que estava tudo nos planos de Deus, este sim, grande roteirista. Porque ela ficava encolhida no frio, à noite, esperando o ônibus em frente à faculdade vendo os namorados buscarem as meninas de moto e ela lá... Por que não posso ter um namorado também? Abençoado zero em Física; num destino louco, outro e super triste, Thaís também não teria conhecido o Emerson.
Sim, Emerson tinha uma moto.

Anos depois, há alguns quilômetros da Nossa Senhora de Copacabana, onde os dois tinham ido morar num objetivo super focado de estudar, trabalhar e construir uma carreira, eu tentava não ter um ataque e manter a sanidade diante dos 13 dias que faltavam pro meu casamento. Foi naquele dia de 2011 que nossas vidas entraram em rota de colisão através de uma mensagem em que tava escrito assim:
Caraca! Acompanho seu blog e as postagens no "mini casamentos! Sou fã das suas dicas e do seu convite, adorei é pouco!! Agora vejo que você  no Facebook do irmão do meu noivo! Não resisti! Preciso ter você por perto. Ótimas vibrações pro seu grande dia! Vai dar tudo certo!
Sério!? Ela era cunhada de um dos caras mais fantásticos que eu já conheci e com quem tive a alegria imensa de trabalhar na Livraria da Travessa. Respondi bem feliz. Na mensagem seguinte, ela atirou
Priscilla, não sei se você gostou dessa história de preparativos de casamentos, mas caso tenha gostado, e queira me assessorar eu te contrato!  Não sei se você terá disponibilidade de tempo em março ou abril de 2012, mas não tenho tempo para nada e não tô afim de contratar uma equipe de cerimonialistas, quero um mini casamento delicado e um pessoa como você tem o perfil que procuro. Podemos inclusive fazer um contrato e te dou um sinal agora, antes do seu casamento....
O que??? O que??? Fiquei transtornada! Até então essa coisa de dizer que eu ia trabalhar com casamentos depois do meu era uma piada! É por isso que não sei se foi o cansaço pós-Saara, se estava anestesiada com todos os acontecimento ou se foram as palavras mágicas (naquele momento de desespero! ahaha) "te dou um sinal agora, antes do seu casamento"... Só sei que respondi: Topo! Topo!
Malandro não pára, malandro dá um tempo. Assessora de casamentos. Larguei academia, larguei a história, larguei o magistério. Engraçado como depois do casamento essas coisas pararam de parecer tão importantes... Passava os dias revirando o que fazer. Tinha a dissertação, mas agora ela soava sem graça, inútil. Comecei a sentir falta do peso de ser noiva, das escolhas, das angústias criativas, de tudo. Marquei então com a Thaís da gente se encontrar ao vivo.

Ela era um encanto! Quero dizer, havia qualquer coisa muito doce na Thaís que eu não entendia e até hoje não entendo. Acho que o meio acadêmico tinha me mergulhado num cinismo tão bizarro que ali na frente dela, ouvindo sobre seus planos, sua história e, principalmente, sobre sua religiosidade, fiquei perturbada. Disfarcei.

A ideia inicial era a seguinte: uma celebração religiosa na Nossa Senhora da Lapa, uma capela barroca espremida na Rua do Ouvidor seguida de uma pequena comemoração na Casa Julieta de Serpa que, quando ela tinha começado a sondar, ainda alugava os espaços indepententes. Como alugar a CJS inteira seria insano e caro, os planos se voltaram pra comemoração em algum barzinho ou restaurante das redondezas. Foi aí que fiquei mais bolada; aquela delicada advogada pretendia sair da igreja de tardinha, sentar com o povo e seu amor num bar, pedir batatas fritas, abrir um espumante e curtir um happy hour carioca típico. Apenas a amei pra sempre.

Mas a vida é uma caixinha de surpresas! Primeiro a gente descobriu que os bares não estavam nada afim de deixar nossos planos seguirem em frente: uma resistência quanto a ser um casamento, quanto a realizar algo que pudesse "espantar os clientes" e uma abertura  impressionante ao pagamento de qualquer quantia superior a 5 mil referentes ao aluguel do espaço. Só o espaço! Nem um palito de dente incluso! Segundo, com a igreja já reservada, o fotógrafo contratado, faltando apenas 3 meses pra tudo, o Emerson descobriu que teria uma prova de concurso LOGO ALÍ EM GOIÁS... no dia seguinte ao casamento!! 

Fiquei com o coração partido pelos dois. Vamos dar um jeitinho! Vamos! A Thaís optou por fazer somente a cerimônia religiosa, entregar uns bem casados e beijinhos na porta da igreja. Seria uma pena, uma pena... Depois de tantas expectativas e planos ter de abrir mão da festa, nenhuma noiva merece um negócio desses. Resolvemos então fazer somente um café da manhã para não atrapalhar a viagem do noivo. Algo terminando bem cedo, era só pra não passar em branco.

Bem, nessas horas onde as coisas ficam meio sem saída, a saída é perverter a sanidade. Foi assim que o "bem-casado entregue na porta da igreja" se tornou um almoço terrivelmente delicioso e delicado num bistrozinho centenário de comida soberba. Simplicidade e praticidade viraram nossas palavras de ordem: o único item ou ornamento que não podia faltar era estar juntos com sua família festejando aquela união no mesmo Rio de Janeiro que os acolheu quando, de maneira quase acidental, se viram construindo uma vida em comum. Pintei com spray os copinhos que ela comprou em Teresópolis (veja aqui o tutorial da Shirley Yáñez), a mãe da noiva montou o buquê, a Roberta Araújo orquestrou a vinda e a montagem das flores: nada de grandes arranjos, só um toque, simplicidade, simplicidade!

Tudo tinha corrido tão bem, de maneira tão perfeita. Deus, um grande roteirista. Digo pra vocês que a perfeição não se planeja, é dádiva. Tínhamos recebido uma dádiva e agora tudo o que faltava era o Emerson sair correndo para o aeroporto. Foi aí que ela me parou e disse pra eu contar a história. A história de tudo, fazer uma postagem. Sobre a paixão pelo tule de poá, sobre o dia da prova da maquiagem em que cheguei no apartamento dela mas o porteiro tocou o interfone na casa errada e disse que ela não estava, sobre a daminha das alianças que não quis entrar de jeito nenhum e sobre nossa maratona nervosíssima pra pagar o restaurante antes do banco fechar. No final, violinos reverberando naquela igreja. E os gringos começaram a se amontoar na porta. A Thaís veio andando pela rua tranquilamente e aí eles se casaram numa cerimônia plena de significados e de comprometimento com o ritual. Sabe aquela coisa de casar na igreja porque é bonito? Não, aquilo ali era de verdade, era milenar, era  roots. Foi alucinante!

 

Eu disse que não ia conseguir contar nada direito. Sobre ela, sobre mim. Sobre o significado de tudo o que aconteceu na minha vida depois que ela apareceu. Sabia que não ia dar certo. A única forma de aprisionar os fatos em forma de relato pra que todo mundo veja e sinta como tudo aconteceu é a arte. Sendo assim, é melhor a humildade de aceitar que precisamos é nos ver. Por que nunca mais te vi? A culpa é sua, você me colocou nessa e agora não consigo tempo nem pra tomar um copo d'água, Thaís.

Saiba que meu carinho e admiração por você são imensos. Pela sua doçura, a sua fé e a sua calma de Dalai Lama. Principalmente pela sua franqueza, sua abertura destemida e sincera diante do mundo. Há um poder nisso que nunca antes eu tinha visto cara a cara. Você transborda.

Obrigada pela confiança de vocês, pelo carinho e por não me matar quando eu errei os nomes no convite. Obrigada por ter escrito aquela mensagem, por ter colidido com a minha vida e mudado tudo. Pela primeira vez me sinto plena fazendo algo, pela primeira vez sinto que estou em casa. Todo amor do mundo pra vocês! 


Resumo da ópera

Vestido: Ateliê Gorete 2241.9413 [ai gente.. a nêga Gorete apenas se superou com este vestido!] ||
Buquê de broches: a mãe da noiva quem fez! || Maquiagem e cabelo: Priscila Schwafer || Local da cerimônia: Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores || Decoração e Flores: Vou Casar e Panz + Roberta Araújo || Local da Festa: Bistrô Ouvidor || Doces: Jane 2712-8611 || Torre de cupcakes: Doce Sabor || Bem Casados: Cacau Bem Casados [uma delícia, brasiu! afora que compramos numa mega promoção da ExpoNoivas ho ho ho] || Música: meu notebook + subwoofer pilotados por mim e pela Ana Pads || Convites: Eu e a noiva || Transporte: Enfim Sós [recomendo eternamente!] ||  
Assessoria e Cerimonial: Vou Casar e Panz - Assistente: Ana Pads
 || Fotografia: Fabio Moro || Convidados: 80












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