terça-feira, 5 de julho de 2011

18 dias: o resultado da saga dos convites



Então está aí, hoje com duas postagens pra compensar a de ontem que faltou. É que ficamos sem internet e, com a visita da Renata, estive envolvida nas limpezas e rearranjos. De noite, academia: me assustei com o quanto estou rechonchudando e custei a dormir pensando que alguém estava tentando invadir a casa, pensando em amanhecer logo pra eu comer um pedacinho de bolo de laranja com côco.

Hoje finalmente consegui fotografar o resultado final dos convites!
Como eu disse, foram dois meses pra aprontar isso. Só o que eu tinha em mente era que queria uma coisa que se parecesse com uma troxinha, com uma juntada de coisas delicadas de que gostamos. Delicadeza e vintage, era o que eu tava procurando. Ir numa gráfica mandar fazer não me passou pela cabeça jamais, jamais. Ok, passou pela minha cabeça quando entrei em desespero e vi que o tempo tava muito apertado e que eu não tava dando conta, mas, ao menos por aqui, o menor preço que encontrei foi R$450 o cento! Puxa! E nem era um negócio que tivesse a ver com a gente ou com nossa festinha. De todo modo, eles pediam 30 dias pra aprontar e tempo a gente não tem mesmo!
Encontrei na SAARA, na Buenos Aires, umas lojas de embalagem e pensei que pudesse ser uma boa ideia aquelas caixas de CD em craft. GALERA, FOI AÍ QUE COMEÇOU MEU PESADELO. Porra nenhuma que craft não combinava com nada!! Eu não sou design! Por que? Por que eu escolhi craft??
Percebi o subsolo do poço sem fundo em que tinha me metido ao chegar nas Casas Cruz de Niterói. Procurava fitas que caixinha. Sem sucesso. Fui a mil lojas, atravessei a ponte, fui a outras mil, perguntei em armarinhos, papelarias, filas de caixa, pra velhinhos, pra estudantes, pra minha mãe. Odiava tudo.
Até que me vi na Casa Cruz do Centro da cidade, Largo de São Francisco e ouvi quando uma moça chegou pedindo por sugestões pro convite de debutante da filha que a gráfica tinha sacaneado de alguma forma que não entendi. Disseram pra ela: vá ao 2º andar e procure por Bia; ela é a mestre dos convites.
Bia...
Tenho encotrado gente muito bizarramente talentosa no meio dessa confusão toda. Bia usava uma fita de cetim roxa nos cabelos e um delineador gatinho na mesma cor e no mesmo tom. Eu estava diante de uma artista e acho que nem ela mesma tem essa informação.
Bia em atendeu com gentileza, pôs a caixa sobre o balcão e ficou olhando. Foi aquele momento em que você vê a inspiração do cara acontecendo, aquele estado de transe. Ela começou a puxar cordas e fitas vindas de todos os lados e começou a executar nós, laços, voltas. Eu não tinha mais nada a fazer além de assistir e me impressionar, tirando fotos no ínterim. Comprei tudo que ela indicou. Totalizei 8 horas dentro da loja.



Dia seguinte voltei lá. Não, ela tava certa, não era bom pôr as fitas coloridas, eu devia usar uma corda crua. Igualmente gentil, escolhemos a corda que era uma das opções do encontro anterior, fitas douradas, papeis amarelo ouro pro convite em si. Cheguei em casa e aí nada me agradava novamente.
Mandei a merda. Fiquei mal. Meu deus, fiquei mal por causa dum convite de casamento... por que? Por que eu não tinha feito uma festinha aqui na garagem? Uma cerimonia qualquer, rápida, indolor, uma viagem pra Penedo e fim? Por que eu, logo eu, tinha entrado nessa?

Minha mãe ligava às 9 todos os dias, pontualmente, perguntando se já tava pronto. Eu só queri ficar deitada e que o mundo sumisse. Eu era uma loser, uma ambiciosa, minha casa tava um caos, meu mestrado ia naufragar.
Quando eu saía dessa roda Mrs Dalloway, saía pra andar em Alcântara. Comprei cordas, fios de lã... numa dessas saídas, uma mulher do armarinho resolveu me atender depois deu muito insistir. Comprei uma lã marrom e, quando ia pagando, pedi por impulso 30 cm de juta. Em casa, desfiei o pano e fiz alguns lacinhos que a Bia tinha me ensinado. Ficaram tão mimosos! Enrolei a caixa na juta. Foi quando começou meu reload.

Comei psicoticamente a procurar layouts. Ia ser algo vintage, um chá da tarde, vamos ver o que tem a ver com chá, molduras vitorianas (descobri que são pagas). Mas eu não tenho Photoshop! Abri o GIMP. Nada. Nada. E se usasse o Word?? Descobri que poderia trabalhar com layers no Word, essas layers seriam as caixas de texto. Baixei dezenas de fontes no dafont.com (as coisas desenhadas, como o passarinho e a máquina de escrever, além das cantoneiras, são fontes de Word), comecei a copiar uns layouts de designers, pa pa pa. Imprimi num papel tipo casca de ovo. VOILÁ!!! =O MILAGRE!


Eu e o Rafa cortamos tudo em estilete e colamos no fundo das caixas. Tínhamos pouco tempo porque muitos dos convites precisavam chegar em Curitiba e Santa Catarina. Nos afogamos em papel e fitinhas e cordinhas.
Uma amiga da graduação, a doce Juliana Salles apareceu pra engrossar a linha de produção. A ideia era pendurar tags (etiquetas) como as de chá. Minha mãe doou 15 reais e comprei o que precisava numa papelaria:
1 - cartolina
2 - círculos adesivos multi uso
3 - furador

Cortamos as tags verdes e rosas, colamos uma na outra. Furamos e tomamos cerveja com ruffles.
Dois dias depois, nos lembramos do papel amarelo ouro. Vamos ver como fica? FICAVA LINDO. Peraí, e se fizéssemos as tags também nele? Passei meio sábado no Word. tcham tcham tcham! Lets get in on, baby! Juliana não quis me matar pelo seu trabalho perdido, deus a abençoe por isso.

Montei tambem um layout pros convites individuais ao mesmo tempo em que editava um mapa caça-ao-tesouro a partir do GoogleMaps. Pensie numa coisa assim, aqueles tickets de circo. Tava com a cabeça meio steampunk e fui atrás disso. Levei tudo prum menino guilhotinar, acertei arestras em casa com o Rafa no estilete. Selecionamos fotos o Rio Antigo, de Pinups, imprimimos tudo num papel apergaminhado que eu mesma cortei loucamente por aqui (só se vende folha grande, não tem em A4, ou não achei). Compramos chá mate leão, veio um monte de gente pra cá ajudar a montar, comemos de nos acabar e aí CABÔ! CABÔ! CHEGAAA!






11 comentários:

Anna disse...

UAU
No fim virou " O " convite! Se deu super bem como designer! Não pensa em mudar de profissão? parabéns! Toda felicidade do mundo no seu casamento!

beijos!

Etiene Rocha disse...

Menina, confesso que foi o convite de casamento mais original que já vi. LINDO!!!! LINDO!!!!

tassiana chagas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
tassiana chagas disse...

Uau! Que saga! FICOU LINDO! Adorei, diferente, fora do tradicional. Nada de branco (o meu será! hahaha), nada de caricaturas (odeio!)... Adorei! Ficou incrível! Valeu a pena o seu esforço e dessas almas caridosas que te ajudaram.
Só vou deixar uma dica para as noivas que por ventura lerem nossos comentários:
Mercado livre e Elo 7 tem convites bem legais por preços mais humildes! Deem uma olhada!

eva disse...

Força na peruca que no fim tudo se resolve. Vai dar tudo certo (repita isso como um mantra). Beijos

Luciana Rodarte disse...

Caramba Prill, ficou super original, bacana, diferente ! Vc foi super talentosa, parabéns! O esforço valeu a pena ! Tb pensei em me aventurar, queria craft ou papel reciclado, mas nada me agradava... Aos pouco percebi que iria entrar numa fria, e desisti. No momento sou projetista, florista e decoradora maluca, ando zonza com tanta informação, ahhh e o noivo virou DJ ! Vamos fazer CDs em envelopes craft, nem te conto ! Rs Rs Rs...
Adorei o post !
=D

Camila disse...

Uauuu, vc arrasou!
Quando a gente ve pronto nem imagina o trabalhão todo que tem por trás disso!
Adoro seu blog!
Beijos!

Carolina disse...

Apaixonei demais pelo seu convite!!!
Quando eu li "craft não combina com nada", quase que eu grito f**eu! É que acabou de chegar aqui em casa uma caixa enorme com um monte de papel craft pra fazer os meus convites!

Beijos e parabéns demais!!!

Prill disse...

Vocês são..............
Po, ente! Sacanagem isso!! Só consigo lembrar agora de um dos dias da saga que começou a chover, eu tava na Praça Tiradentes a noite aí passou um ônibus e eu entrei desesperada. Tava mega cheio, tanto que quando vi que tinha um espaço na escada, pedi licença pro moço e sentei ali. Engarrafamento monstro na ponte, quando morri de frio.. fiquei pensando, porra, que palhaçada a minha estar sofrendo tanto por causa duns convites, por causa duma obsessão pela delicadeza perfeccionista (no fim das contas, diagnostiquei que é isso)... no chão do ônibus, cara! Depois inda descobri que, por causa dumas obras em SG o ponto final tinha mudado e fui parar em outro bairro, voltei a pé pra casa. hahahaahah É MUITO CASTIGO DE CORNO QUE EU PODERIA PARTILHAR COM VOCÊS

coisas que só abrilhantariam essas palavras bonitas que cês tão dizendo aí em cima. tornam esses momentos malucos especiais. obrigada

OBS: cabulei a postagem de hoje. me matei na academia pra ver se perco algo, se volto a respirar dentro do vestido e to morta! to toda trabalhada aqui num chá de camomila.
amanhã posto 2 vezes. numa delas vou contar pra vocês o quanto to disposta a chorar pra Mineirart baixar o frete deles preu oder alugar umas mesas compridas. to com muito medo de grandes mesas redondas que impeçam as pessoas de conversarem, ficarem a vontade. lá eles tem pranchões tipo refeitorio de escola, 20 reais, mas o frete... vou chorar! ta decidido!

beijos repartidos a todas

Elisa Maia disse...

Passei mal com o show-de-bolice (como diria o Kung Fu Panda) desses convites!!! Caraaaacaaa, muito dignos!

Ana Paula disse...

oi

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